Bertalan de Némethy começou a montar ainda criança em Gyor, Hungria. Filho do governador que controlava três dos dezenove estados húngaros. Ele começou na adolescência a competir no salto.
 Bertalan de Némerthy: uma lenda nos EUA e no mundo |
Devido ao emprego de seu tio como oficial de cavalaria, Némethy foi para a Academia Militar de Ludovica, em Budapeste, onde se graduou em 1932 com a patente de tenente. Em seguida, entrou para a cavalaria, montando seis cavalos por dia na escola. Começava com os cavalos de adestramento, mas antes tinha aula na guia sem estribos e, em seguida, montava os cavalos mais novos de cross-country. Ele se tornou instrutor na escola depois de se formar em 1937.
A habilidade de Bertalan como cavaleiro foi excepcional, mas ele perdeu a oportunidade olímpica devido ao cancelamento dos Jogos de 1940. Em vez disso, de Némethy foi enviado para treinar na escola de cavalaria alemã em Hannover, sendo o primeiro oficial húngaro a fazê-lo. Lá ensinou gente como Otto Lorke, Fritz Stecken e Bubi Günther e também aprendeu o sistema alemão de formação.
 Bertalan de Némethy e Adam II em Viena - Áustria, 1939 |
No entanto, a Segunda Guerra Mundial forçou Bertalan a voltar para a Hungria. Mas como o exército russo se aproximou de Budapeste, ele e seus colegas cadetes decidiram fugir novamente, desta vez para a Dinamarca. Némethy permaneceu em Copenhague por seis, onde trabalhou como professor de equitação.
Em 1952, de Némethy obteve permissão da embaixada dos EUA para emigrar e se tornou um cidadão em 1958. Ele se mudou para Far Hills - Nova Jersey onde começou a ensinar no Sleepy Hollow Country Club, em Tarrytown - Nova Iorque.
Em 1955, a conselho de William Steinkraus e Arthur McCashin, de Némethy foi contratado pelo USET - United States Equestrian Team para se tornar o treinador da equipe de salto. Bertalan aceitou a posição, permanecendo na mesma até 1980.
 Frank Chapot e San Lucas nas Olimpíadas do Mexico |
Durante este tempo, ele treinou alguns dos maiores nomes do esporte, incluindo George H. Morris, Joe Fargis, Frank Chapot, Kathy Kusner, Leslie Burr, Conrad Homfeld, Michael Matz, Melanie Smith, Neal Shapiro e William Steinkraus. Ele baseou a sua formação no trabalho de adestramento, cavalete e guia, que foi publicado no seu livro clássico "O Método de Némethy"
Enquanto treinador, a equipe de salto dos EUA conquistou a prata por equipe nos Jogos Olímpicos (JOs) de 1960 e 1972, ouro e bronze individual nos JOs de 1968 e 1972. Além disso, todos os quatro cavaleiros da equipe medalha de ouro em 1984 foram treinados pela equipe de de Némethy.
Além disso, a sua equipe ganhou a medalha de ouro por equipe nos Jogos Pan-americanos em 1959, 1963, 1975 e 1979.
O seu "time" ganhou - nada mais, nada menos - 71 das 144 Copas das Nações em que competiu, venceu o Troféu Presidente da FEI em 1966 e 1968, e seus cavaleiros individualmente venceram 72 GPs e mais de 400 provas internacionais.
Em 1987, ele foi admitido no Show Jumping Hall of Fame.
Quando Bertalan de Némethy morreu em 23 de janeiro de 2002, ele encerrou uma época especial.
O ex-treinador da equipe de salto da USET foi fundamental no desenvolvimento do estilo americano de equitação, trabalhando com os melhores cavaleiros e amazonas do país, na era de ouro do Centro de Treinamento de Gladstone - Nova Jersey.
Foi uma situação única, e Bertalan entrou em cena quando a América estava ansiosa para causar impacto sobre o esporte.
"Ele estava no lugar certo na hora certa", disse Joe Fargis, chefe da equipe olímpica de 1984 e medalhista de ouro individual.
"Bertalan nos levou a uma nova dimensão de equitação e treinamento de cavalos", disse George Morris, membro da equipe de 1960 - medalha de prata olímpica, e que passou a ser um treinador respeitado em todo o mundo.
"Embora ele estando envolvido apenas com o nível de elite, o topo puxou o resto", Morris continuou. "Foi uma receita perfeita. Ele tinha um grande país para trabalhar, ele tinha grandes cavaleiros e uma base preparada de cavalos de hunter. Tinha um diamante bruto".
Em uma entrevista anos atrás, de Némethy lembrou do que ele encontrou quando assumiu a Seleção de Show Jumping em 1955.
"Eles não estavam sentados atrás em seus cavalos", disse ele com um sorriso malicioso. "Eles não tinham preparação de adestramento. Simplesmente não estava na moda ou era desconhecida naquela época. Eles tinham experiência apenas na categoria hunter".
Membro do USET, Chrystine Jones Tauber - que assumiu o Centro de Gladstone e trabalhou como diretora de saltos de obstáculos após a aposentadoria de de Nemethy em 1980 - notou que ele mostrou aos americanos "O valor de ter um sistema. Sentia-se que, sem adestramento básico e cavalete, os cavalos não seriam capazes de mostrar todo seu potencial".
Ela lembrou sua ênfase no trabalho na guia sem estribos e rédeas. Seu cavalo favorito para este exercício era Royal Beaver, um aposentado do CCE, que andava nos círculos sem a sutileza ou a leveza que Bertalan de Némethy ("Bert") exortava aos seus cavaleiros extrair dos seus cavalos.
 Bertalan de Némethy e San Lucas em Aachen - Alemanha, 1972 |
"Você deveria apertar suas pernas até ficarem dormentes", disse Tauber. "Você mal conseguia andar no dia seguinte". Mas ela acha que essas lições trouxeram uma uniformidade de estilo e o excelente assento, que se tornou a marca registrada americana.
As contribuições de de Nemethy continuam a ser respeitadas não só por aqueles que estavam próximos a ele, mas também por toda a comunidade de salto onde ele alcançou status lendário.
Os princípios clássicos que o nativo da Hungria aprendeu no período pré-Segunda Guerra Mundial nas escolas de cavalaria da Alemanha e Hungria, bem como sua personalidade, foram essenciais no processo e sucesso do seu elenco. O impacto que ele causou no salto resultou tanto de seu caráter, quanto de suas habilidades técnicas.
"Ele tinha convicções fortes e nunca as abandonou", disse Fargis.
"Ele representava o que era justo e certo, e ele fez a diferença em nossas vidas", lembrou Melanie Smith Taylor, membro da equipe de 1984 - medalha de ouro olímpica.
As equipes de cavaleiros do passado recordam com carinho seu mentor e a maneira única com que foram influenciados. Seu sotaque húngaro, que nunca perdeu durante mais de meio século naquele país, parecia dar a suas palavras peso extra, apesar de, as vezes, algumas pessoas terem problemas para descobrir o que ele estava dizendo.
"Se Bert dissesse para fazer algo, era o que devia ser feito. Nós certamente não iríamos discutir com ele", disse Michael Matz, cuja primeira experiência olímpica veio com o treinador em 1976.
O treinamento era rigoroso, mas razoável.
"Ele era uma pessoa de classe. Se você fazia algo errado, você sabia que tinha que responder a ele", disse Matz.
Tauber lembra que Bert "era muito atento aos detalhes, e valorizava a disciplina em tudo, do equipamento à organização". Dieta foi outra coisa que não escapou à sua atenção. "De vez em quando, ele nos fazia passar na balança do celeiro", disse ela. Felizmente, de Némethy tinha um senso de humor, e muitas vezes ele precisava dele ao lidar com seus pupilos.
"A maioria de nós passou anos tentando `enganar´Bert naqueles dias de aulas sem estribos, no frio da manhã, na arena coberta de Gladstone", disse Robert Ridland, sempre um pouco rebelde.
Diziam que Bert tinha dificuldades para se ajustar aos integrantes da equipe feminina. Os esquadrões de cavalaria em que ele serviu antes da guerra eram todos do sexo masculino. E o mesmo aconteceu em todos os outros países que competiram com ele em eventos internacionais.
 Kathy Kuhsner e Untouchable JO de 1960 |
"No início dos anos 1970, as amazonas não eram consideradas `fortes e confiáveis´, como os homens. Portanto, era muito difícil para nós fazer parte da equipe. Foram muitas tentativas minhas, pessoalmente, para ganhar a confiança de Bert. Mas uma vez que provamos nosso brio, Bert foi sempre fiel a nós", revelou Taylor.
Quando ele ia para as atividades sociais que eram uma parte do show internacional, Bertalan ditava a lei, tanto quanto fazia na pista.
"Ele nos dizia, meninas vocês devem estar no lobby do hotel em meia hora em vestidos longos e com os cabelos arrumados", disse Carol Hofmann Thompson, rindo enquanto lembrava-se do trauma de três mulheres com apenas um banheiro para elas, tentando seguir as ordens.
"Ele adorava mostrar as suas meninas", acrescentou ela. Ao mesmo tempo, ele sempre foi dedicado à sua falecida esposa, Emily, que ele adorava. Ele nunca foi o mesmo depois de sua morte repentina em 1997.
Como Joe Fargis, Thompson ficou em contato com Bertalan de Némethy mesmo depois que ele parou de se aventurar longe de sua casa de repouso em Sarasota, Flórida. Ela lembrou sua última visita, quando ele ainda estava com dor de uma queda que sofrera.
"Mas ele me fez sentir que eu era o sol do seu dia", disse ela, o que era típico da forma como ele lidava com as pessoas. Todo mundo achava que era importante para ele.
"Ele deu confiança a todos nós", disse ela. "Ele me levou de uma autodidata de fundo de quintal para um nível olímpico".
Assim, muitos cavaleiros que nunca sequer conheceram de Némethy devem a ele muito do que têm conseguido. "Através dos cavaleiros que treinou, seus discípulos, suas clínicas, livros e fitas, Bert exerceu uma influência profunda sobre a forma de montar dos americanos".
"Mais tarde, como course designer, ele também ajudou a mudar a maneira de armar as pistas, influência que se estendeu também ao exterior. Todos que estiveram sob sua influência nunca se esqueceram de sua dívida para com ele" disse William Steinkraus, Presidente Emérito do USET. |