MANEJO DO RECÉM-NASCIDO
As primeiras 24 horas de vida do potro podem ser determinantes para a sua saúde e desenvolvimento futuros. Alterações comportamentais logo após o nascimento podem nos dar uma "dica" para o diagnóstico precoce de doenças cujos sintomas clínicos podem ser evidentes de 3 dias a uma semana após o nascimento.
É muito importante que se conheça muito bem o comportamento normal do potro momentos após o parto para podermos detectar possíveis problemas à tempo. Os potros neste período de vida são bastante sensíveis e quando apresentam algumas alterações clínicas marcantes de alguma doença ou distúrbio pode ser tarde de mais para iniciarmos um tratamento com chances de sucesso.
Devemos nos preocupar principalmente com a limpeza e higiene do local do parto. Os potrinhos logo ao nascer, ao contrário do que se acredita popularmente, são bastante resistentes à baixas temperaturas, podendo suportar sem problemas até 5ºC abaixo de zero.
Por outro lado não suportam altas temperaturas, então quando um parto ocorre durante o dia (o que é incomum) este pode ser um sinal de alerta, pois além de indicar algum problema com a égua (como estresse, infecções e outros que podem levar a este parto diurno) temos que lembrar que o potro logo após o nascimento deitado ao sol de um dia quente de verão pode apresentar-se preguiçoso para mamar chegando até à desidratação.
Alguns sinais clássicos são observados em todos os potros e seguem a um padrão de tempo médio e ordem dos acontecimentos:
É claro que esta tabela reflete valores médios, porém para um potro perfeitamente normal é muito raro que ele não obedeça a estes parâmetros.
De uma maneira bem prática podemos falar que um potro logo que nasce deverá ter um bom tônus muscular que permita que ele faça os movimentos sem dificuldades, e o mais importante é que ele se levante até uma hora após o parto que mame até no máximo 2 horas após o nascimento. Se isto não ocorrer neste tempo devemos ajudá-lo a se levantar e a mamar.
Depois da primeira mamada, o potro normal mama o colostro em um intervalo de 30 a 72 minutos.
PRIMEIROS SOCORROS
Ao nascimento - deixe o potro e a égua a sós se tudo correu bem!!! 1. Tenha certeza que as membranas fetais não estão obstruindo o nariz do potro. 2. Se o potro não respira em 30 segundos, coloque-o em posição esternal (de barriga para baixo) com a cabeça e pescoço estendidos, e limpe a boca e nariz com um pano limpo, e esfregue o focinho de cima para baixo. 3. Se o potro não respirar em 60 segundos, infle os pulmões soprando com a boca numa narina, tapando a outra com a mão. Infle de 20 a 30 vezes por minuto, até o potro respirar.
CUIDADOS COM O POTRO
Diz a sabedoria popular, com muita veracidade, que se o potro mamar bem o colostro e tiver seu umbigo curado ele não ficará doente. Isto ocorre pois o potro nasce totalmente sem imunidade, todos os anticorpos responsáveis pela defesa do potro contra doenças até pelo menos 4 meses de vida serão recebidos através do colostro (primeiro leite da égua, que tem aspecto amarelado e pegajoso) e o umbigo é a principal porta de entrada de bactérias causadoras de doenças.
Umbigo: O curativo deve ser feito de 15 a 30 minutos após o nascimento, e depois uma vez ao dia até que o coto umbilical caia (por volta de 10 a 12 dias de vida). Utilize uma solução de iodo de 3 a 5% ou clorexidina a 0,5%; é importante submergir todo o coto umbilical na solução, e jogar fora a solução utilizada após cada curativo.
Colostro: Confira se o potro está realmente mamando o colostro e se este é de boa qualidade. Os potros devem mamar de 3 a 5 litros de colostro nas primeiras 12hs de vida para que tenham boa imunidade. Isto ocorre pois os anticorpos de defesa (imunoglobulinas) são proteínas "grandes". O intestino do rescém nascido tem "portas" abertas logo após o nascimento, então estes anicorpos passam sem problemas (são absorvidos) do intestino para a corrente sanguínea do potro. Porém, com o passar das horas estas "portas" do intestino vão se fechando gradualmete (de 4 a 6 hs após o parto, a absorção de IgM e IgG pelo potro começa a cair) e estão totalmente "fechadas" com 24 horas de vida do potro, então após 24 horas o potro não é mais capaz de absorver as imunoglobulinas do colostro pelo intestino.
Para determinar se o potro ingeriu quantidades suficientes de colostro, é possível medir a quantidade de imunoglobulina IgG no sangue de 6 a 10 hs após o nascimento. Existem vária maneiras de fazer esta mensuração: quites comerciais, mas estes não estão disponíveis no mercado brasileiro; teste de Turbidez do Sulfato de Zinco, é o mais prático e o mais barato e pode ser realizado na própria fazenda, porém é qualitativo e não muito preciso; ou testes realizados em laboratórios de análises clínicas. O valor não deve ser inferior a 400 mg/dl e o ideal é que esteja acima de 800 mg/dl.

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É também muito importante que o colostro tenha boa qualidade. Quanto melhor a qualidade do colostro mais amarelado e pegajoso ele é. Esta qualidade varia de égua para égua e pode ser medida através da gravidade específica da seguinte forma: retirar o colostro da égua e mantê-lo acima de 24ºC de temperatura, colocar o colostro em uma proveta e mergulhar o densímetro. A gravidade específica em torno de 1.060 a 1.085 indica uma concentração de IgG de 3000 a 8500 mg/dl. O ideal é que o colostro tenha gravidade específica maior do que 1.060 ou seja, mais do que 3.000 mg/dl de IgG. Se o colostro tiver menos do que 1.060 devemos suplemetar o potro com colostro por via oral até no máximo 12 h de vida.
O colostro adicional utilizado para suplementação, normalmente disponível no banco de colostro, deverá ter gravidade de 1.090 ou mais (mais do que 7.000 mg/dl de IgG).
Quando suplementar com colostro:
- potros que não mamam normalmente até 6 hs de vida . - quando com 10 h de vida a concentração de IgG está abaixo de 200 mg/dl.
A quantidade de colostro a ser administrada deve ser de 15ml/kg de peso vivo, usando colostro com gravidade de 1.090 ou maior. Pode ser fornecido por mamadeira, tomando cuidado para não ocorrer aspiração. Se o potro não mamar na mamadeira, chame um veterinário para que o colostro seja administrado via sonda nasogástrica (num volume máximo de 450 ml de cada vez, com intervalos de uma hora).
Como fazer o banco de colostro?
O banco de colostro é uma reserva de colostro congelado que deveria ser obrigatória para todo local onde há nascimento de potros. O banco de colostro deve ser feito retirando-se o colostro de todas as éguas que parirem no local até 6 hs após o parto. A quantidade deve ser no máximo 250 ml de cada égua, retirados após primeira mamada do potro.
O colostro pode ser mantido congelado em recipientes plásticos bem limpos, em temperatura de -15 a - 18ºC, até um ano. Deverá ser descongelado apenas logo antes do uso em banho-maria a no máximo a 40ºC durante 20 minutos.
Existem algumas alternativas ao colostro eqüino, como o plasma fornecido via oral e o colostro bovino, porém nenhum é tão eficaz quanto o colostro eqüino.
Se o potro tem mais de 16 horas de vida, o colostro ou plasma administrado por via oral não tem mais efeito. Deve-se então consultar um veterinário para que seja administrado plasma por via intravenosa.
(*) Marília Duarte, sócia-proprietária do Centro de Reprodução Genetic Jump, prêmio Top de Agronegócios em 2005, é veterinária formada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Botucatu - SP. Especialista em reprodução eqüina e neonatologia com larga experiência no Brasil e Exterior. Caixa Postal 147 - Itapetininga - (SP); email: mmduarte@ebras.com.br e/ou geneticjump@geneticjump.com.br.
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