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23 de Abril de 2018

Veterinário alerta sobre a necessidade da saúde odontológica em cavalos

“O dente do cavalo cresce durante toda a sua vida, diferente dos humanos, o que leva a constante necessidade de tratamento de sua saúde bucal – que precisa ser feita pelo menos três vezes ao ano”

Assim como os seres humanos, os cavalos apresentam diversas anormalidades e patologias pouco conhecidas pela maior parte da sociedade. O médico veterinário Rodrigo Florentino, especialista em odontologia de cavalos e outros equinos, conversou com o Diário do Estado sobre os cuidados da saúde bucal desses animais.

A primeira preocupação que proprietários de cavalos, treinadores e outros ligados a esse meio devem ter é que, devido ao crescimento contínuo do dente durante a vida, esses animais acabam adquirindo várias irregularidades que atrapalham na mastigação e trituração ideal do alimento. Isso influencia na saliva e, eventualmente, na região do estômago, na qual acontece a disseminação de nutrientes, podendo levar ao desperdício de alimentos. “O dente do cavalo cresce durante toda a sua vida, diferente dos humanos, o que leva a constante necessidade de tratamento de sua saúde bucal – que precisa ser feita pelo menos três vezes ao ano”, explica o médico.

Os dentes desses animais sofrem muito desgaste dependendo da alimentação oferecida, segundo Florentino. “Cavalos são animais herbívoros e se alimentam basicamente de capim natural, amido (encontrado nos cereais) e açúcares (presente em todos os alimentos, principalmente no melaço e na erva fresca). É muito comum a substituição do verde por ração em grandes quantidades. A ração deve ser entendida como suplemento e não como alimentação principal desses animais”, ressalta.

Cavalos em regime de pastejo se alimentam com maiores quantidades de capim e, portanto, apresentam quantidades menores de anormalidades, diferente dos confinados, que precisam ir mais vezes ao veterinário.

Qualquer tipo de dor pode provocar ainda danos psicológicos nos equídeos. “Dores em musculatura podem desencadear diversos problemas de estresse. Em éguas prenhas, por exemplo, dores podem causar estresses que levam ao aborto”, detalha.

A disseminação de informações sobre esse assunto ainda é muito pouco conhecida, segundo o veterinário. A maioria das pessoas acredita que odontologia se resume apenas a ponta de dente e extração do dente de leite. “O tratamento odontológico é muito mais do que isso e envolve a mastigação, por exemplo. Esses aspectos levam a diferenciação no preço, qualidade de tratamento e de profissionais, que podem ser menos qualificados. A odontologia equina no Brasil ainda é disseminada erroneamente, comprometendo o desenvolvimento de bons profissionais e dos estudos”, explica Florentino.

O Brasil, em todas as áreas, ainda precisa melhorar muito o quesito da educação, de acordo com o veterinário. “Nossa população não gosta de ler e isso atrapalha muito no quesito de pesquisas científicas, impedindo a abertura da cabeça dos indivíduos para os mais variados assuntos”, finaliza.

Fonte: diariodoestadogo

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