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23 de novembro de 2015

Veja 5 esportes praticados com cavalos

O hipismo consiste na arte de montar cavalos e congrega sete modalidades. Três delas são olímpicas: o Concurso Completo de Equitação (CEE), o salto e o adestramento. As demais, apesar de não fazerem parte dos jogos, também são reguladas pela Federação Equestre Internacional (FEI). São elas as provas de rédeas e atrelagem, enduro e volteio. O polo, por sua vez, é regido pela Federação Internacional de Polo.

Além do hipismo, no Brasil, outras práticas esportivas marcam a cultura da montaria a cavalo. É o caso da vaquejada, que junto com o polo, volteio, enduro equestre e adestramento foram contemplados por esta reportagem. Leia mais e descubra também quais as raças de cavalo mais indicadas para cada uma das modalidades.

1) Polo: Você sabia que o polo nasceu na Índia inspirado na caça a pequenos roedores? Segundo Ronaldo Cantão, presidente da Federação Gaúcha de Polo, a caça era feita com bastões, o que mais tarde deu origem ao esporte. Como não era o ano todo que o animal aparecia na região do Tibete, com o tempo ele foi substituído por uma bola. Segundo o especialista, com a chegada dos exércitos ingleses à região foram acrescidas algumas regras ao jogo com bola e, depois de ganhar a Inglaterra, o esporte se espalhou pelo mundo.

Ronaldo explica que uma partida de polo dura, em média, de uma a uma hora e meia e conta com quatro jogadores que podem ter diferentes graus de instrução. “Os campeonatos são dividos em categorias  e níveis de dificuldade, então temos torneios de 2 a 40 gols de handicap. O handicap é uma classificação pelo nível de qualidade dos jogadores e varia de -1 a 10.” Para facilitar a compreensão, Ronaldo dá um exemplo. “Imagine um time com quatro jogadores, em que dois deles têm 1 gol, outro 2 e um quarto tem 6. Eles somam 10 gols de handicap, o que significa que podem participar de torneios de 10 gols.”

Os torneios da Federação são feitos com equipes que somam no mínimo 2 gols e no máximo 40 (que seria o caso em que todos os jogadores têm 10 gols de handicap). “Pode-se jogar torneios com quatro, seis ou oito tempos, de 7 minutos cada um, daí o tempo total de uma a uma hora e meia.” O cronômetro é pausado a cada falta cobrada.

Os tacos, marca registrada do esporte, são feitos com cana da Índia. “Uma cana especial, que é compacta e ao mesmo tempo flexível.” O comprimento do taco varia de 50 a 54 polegadas, dependendo da altura do cavalo e do comprimento do braço do jogador. A bolinha pode ser de madeira como ocorre no campeonato Aberto de Palermo, na Argentina, ou de polipropileno maciço, com 24 centímetros de diâmetro e 150 gramas de peso.

“As raças que predominam na prática do polo são o puro sangue inglês e nossos cavalos dos hipódromos, ou suas cruzas, como o quarto de milha, crioulo, mangalarga entre outros.” Ronaldo lembra também que na Argentina existe a raça polo, certificada desde 1982. “O porquê de usar essas raças tem relação com a sua velocidade e resistência, importantes para aguentar os tempos corridos. Além disso, também buscamos cavalos de temperamento calmo e tranquilo.” De acordo com ele, um detalhe importante é que se usa um animal por tempo. “Então, se estamos jogando um torneio de 4 tempos, temos que ter 4 cavalos.”

2) Volteio: Segundo a Confederação Brasileira de Hipismo, o volteio é uma modalidade equestre de técnica e equilíbrio. Durante a prática, o volteador faz acrobacias sobre o lombo do cavalo enquanto ele é mantido no galope. O volteio é uma das modalidades que mais estimula o respeito mútuo entre o homem e o animal. Por isso, se algum dia você decidir praticar o esporte, a dica é criar um vínculo de confiança com o cavalo.

A origem do volteio está relacionada à necessidade de subir e descer do cavalo durante a guerra. Com o tempo, os movimentos ganharam suavidade e precisão. Hoje, a estética e a harmonia também são características muito valorizadas no volteio artístico. O esporte é bastante forte na França e na Alemanha.

De acordo com a CBH, as categorias A, B, C e D seguem o regulamento internacional, mas no Brasil existem ainda as categorias E e F. Estas últimas congregam exercícios mais simples de série obrigatória e livre. “O intuito de aceitar essas categorias é fomentar o esporte”, afirma a assessoria da Confederação. “Nossos principais atletas hoje estão no Estado de São Paulo e formam um grupo de cerca de 200 pessoas.”

Segundo a CBH, o volteio não contempla raças de cavalo específicas. A recomendação, no entanto, é adotar cavalos mais altos, fortes e necessariamente calmos. “Como o cavalo deve suportar até três pessoas, essas características são imprescindíveis.” No Brasil, a raça mais utilizada é o brasileiro de hipismo (BH), mas no exterior as raças alemãs como hannover e holsteiner são mais usuais.

3) Enduro equestre: O enduro equestre tem ganhado cada vez mais importância, congregando um grande número de eventos no mundo todo. No Brasil, data de 1989 a primeira competição oficial, que aconteceu na cidade de Tremembé (SP). No ano seguinte, o esporte foi oficializado pela CBH.

O enduro consiste em uma corrida de média ou longa distância, com percursos na faixa de 35 a 160 quilômetos. Durante a prova, os competidores não podem ser trocados. Cada conjunto corresponde a um cavaleiro ou amazona e seu respectivo animal. Participam dos torneios tanto cavalos quanto éguas.

As modalidades do esporte são definidas segundo a velocidade praticada, que pode ser livre ou controlada. No primeiro caso, a luta é contra o relógio e vence o conjunto que completa o percurso na frente, sempre respeitando as pausas (“vet-check”) para descanso e verificação das condições físicas do animal. Quando a velocidade é controlada, o tempo para concluir a trilha é previamente estipulado pelo organizador e ganha o conjunto que mais se aproximar desse limite. De acordo com o regulamento da FEI, cada concorrente deve ter acesso prévio ao mapa ou plano que mostra a trilha e a localização de todas as paradas obrigatórias ou obstáculos do percurso.

Os cavalos de puro sangue árabe (PSA) são os mais indicados para a prática do esporte, apesar de não haver restrições quanto a outras raças. Para o enduro, é importante que o cavalo tenha cascos resistentes, apresente boa disposição, tranquilidade e não tenha qualquer problema cardiovascular ou respiratório quando submetido a atividades de alto impacto.

O enduro enquanto esporte foi inspirado no serviço de correio dos Estados Unidos da segunda metade do século XIX, quando as entregas de leste a oeste do país ainda eram feitas a cavalo.

4) Vaquejada: Thiago Pinto Ribeiro, presidente da Associação dos Vaqueiros Amadores do Rio Grande do Norte (ASSOVARN), afirma que hoje os competidores da categoria que coordena já são mais de mil. “Apesar de fazer parte de uma tradição cultural do Nordeste, a vaquejada já tem um circuito nacional e também movimenta o mercado de compra e venda de cavalos e suplemento para ração.”

De acordo com ele, o esporte nasceu das pegas de gado em meio à mata. “Depois de marcado, o gado andava solto e para reunir o rebanho de novo os vaqueiros tinham um trabalho tremendo. Laçar os bois mais ariscos e os bezerros novos virou uma arte.”

Hoje, a Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ) define a prática como “atividade recreativa-competitiva, com características de esporte, na qual dois vaqueiros têm o objetivo de alcançar e emparelhar um boi entre seus cavalos e conduzi-lo até o local indicado, onde o animal deve ser derrubado.” Apesar das críticas à vaquejada quanto ao trato com os animais, Thiago conta que essa tem sido uma preocupação crescente no meio e que existem determinações da ABVAQ que ajudam a proteger tanto os bois e touros quanto os cavalos. Uma das normas de conduta diz respeito à proibição do uso de objetos cortantes, como a espora.

As inscrições nos campeonatos devem ser feitas sempre em duplas, sendo um dos vaqueiros o “puxador” e o outro o “esteireiro”. O “puxador” é o responsável por derrubar o boi no chão entrelaçando o rabo do animal entre os dedos. Já o “esteireiro” cumpre o papel de encurralar o boi entre os dois cavalos na altura em que ele deve ser derrubado, facilitando assim o trabalho do colega.

Em relação à raça mais adequada para a prática, Thiago afirma que o cavalo mais usado é o quarto de milha, mas que o mercado do crioulo e do paint horse também tem crescido. “Para a vaquejada precisamos de cavalos que tenham bom desempenho na corrida e potencial de explosão. Só assim eles chegam com fôlego na faixa para impulsionar a derrubada do boi na hora certa.”

5) Adestramento: O adestramento, em francês chamado dressage, é uma modalidade olímpica que estimula o cavalo a desenvolver seus movimentos naturais com harmonia, elasticidade e leveza. Para tanto, cabe ao cavaleiro conduzi-lo com precisão. A elegância também é um traço forte da prática, que exige uma vestimenta específica para a montaria.

De acordo com estudiosos do esporte, a origem do adestramento  remonta à Grécia Antiga sendo uma das principais referências sobre o assunto o livro escrito por Xenofonte.

As provas acontecem a céu aberto ou em pistas fechadas, onde se demarca um cercado de 20 metros de comprimento por 60 de largura. O piso de cercado deve ser recoberto de areia.

Para a pontuação, os cavaleiros realizam uma série de movimentos previstos no regulamento da modalidade e que respeitam as andaduras naturais do animal (passo, trote e galope). As raças mais usadas no adestramento são de origem alemã e holandesa. O cavalo andaluz e o anglo-árabe também são indicados para a prática.

Fonte: Globo Rural.

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