Por Fora
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17 de novembro de 2015

Terapia que utiliza os animais favorece pacientes com necessidades especiais

Um método terapêutico realizado com cavalos, conhecido como equoterapia, traz cada vez mais benefícios para a recuperação de determinados pacientes. Atividades realizadas com o animal ajudam a desenvolver a coordenação motora, a movimentação corporal e a autoestima. A interação entre o ser humano e o animal estimula a movimentação e ajuda o paciente a se desenvolver tanto fisicamente, quanto psicologicamente.

A terapia é indicada para pacientes acima de três anos de idade, para tratamentos diversos como problemas posturais – advindos de má formação ou acidentes -, patologias neuromusculares, cardiovasculares e respiratórias, hiperatividade, paralisia cerebral, autismo, síndrome de down, doenças metabólicas, distúrbios mentais e sensoriais.

Por meio de uma parceria feita com a Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO), o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), oferece a terapia à aproximadamente 280 crianças. As sessões, que duram aproximadamente 30 minutos, contam com o apoio de fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e veterinários.

De acordo com Cloves Alencastro, agente administrativo do setor de equoterapia do Crer, a unidade trabalha hoje com 12 cavalos provenientes de doações, geralmente de pessoas que possuem ligação com pacientes e da própria cavalaria da PM, que é responsável também pelos cuidados veterinários e alimentação dos animais. “Para trabalhar com um paciente, o animal precisa passar por um processo de treinamento. Após feito isso, os animais ficam mais dóceis, tanto que observamos que quando uma criança que necessita está em cima dele, ele fica tranquilo e se deixa levar, é como se o animal sentisse que está ajudando”, afirma.

De acordo com a fisioterapeuta Larissa Pires Jácome Gornattes, o principal objetivo da equoterapia é trabalhar a reabilitação motora, através do equilíbrio de tronco, pois a cada passo que o cavalo dá, há de 50 a 60 movimentos oscilatórios para o paciente. Isso faz com que haja trabalho de angulação do quadril, de ajuste postural para manter o alinhamento de tronco, de controle de cabeça e cervical. “Associado a isso a criança precisa ter a estimulação sensorial para se manter alinhada em cima do cavalo, trabalhando também a força de membro inferior”, completa.

Confiança

Larissa ressalta que para as crianças que precisam de cadeira de rodas para se movimentar e estão acostumadas a ver o mundo de baixo, quando são colocadas em cima de um cavalo, além de sentirem o que é o movimento de andar, têm outra visão do mundo, passando a vê-lo de cima. “Isso melhora a confiança da criança, e consequentemente a autoestima e a interação social. Ela fica mais segura e vê que consegue controlar o animal e, no entanto, consegue também realizar outras atividades”, afirma a fisioterapeuta.

Durante uma sessão semanal, Mariana Cardoso Vieira, que tem quatro anos de idade e possui paralisia cerebral, acaricia e beija o animal. A mãe, Reginalda de Fátima Cardoso, diz que após o início do tratamento com a equoterapia, a menina que não tinha forças para nada nas pernas, já começou a dar os seus primeiros passinhos. “A terapia com os cavalos foi uma coisa maravilhosa para ela, eu acredito que ela teve uma melhora muito significativa e espero que melhore ainda mais”, conclui.

Reginalda de Fátima Cardoso, com Mariana no colo, se alegra com os avanços promissores da filha após o início das sessões de equoterapia

Interação com o meio ambiente

A equoterapia é realizada ao ar livre. Então, além de andar em cima dos cavalos e sentir os movimentos do animal, o paciente pode também apreciar a natureza. Larissa afirma que devido a isso, os cinco sentidos das crianças podem ser explorados: “Aqui a gente trabalha até mesmo o paladar. Como é um ambiente que possui arvores frutíferas, o paciente que é liberado para a alimentação pode degustar a fruta à vontade”.

A terapeuta ocupacional, Amanda Quintonilha, acredita que o ambiente externo influencia muito na reabilitação do paciente. Ela conta que atende pacientes nos consultórios e na unidade de equoterapia do Crer e na maioria das vezes, consegue mais resultados dos pacientes montados no cavalo. “Não sei como, mas acontece. Às vezes eu fico lá em cima lutando para o paciente fazer uma atividade funcional e não consigo. Quando chega aqui, ele rapidamente responde aos comandos simples. É interessante, um trabalho diferenciado devido ao contato direto com a natureza e com os animais. O paciente se sente a vontade”.

Fonte: Diário da Manhã

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