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Na veterinária, aplicação de células tronco começou a ser feita há pelo menos cinco anos (Foto: Divulgação)

8 de novembro de 2015

Terapia com células tronco é aplicada em equinos

O cavalo Urbanesco, do Haras Ereporã, do Rio de Janeiro, ficou oito meses parado, no ano passado, após sofrer uma lesão grave em um dos joelhos.  Urbanesco, passou por tratamentos convencionais, que não deram resultado. A perspectiva não era das melhores – na melhor das hipóteses, o cavalo se aposentaria para sempre das pistas. Urbanesco hoje é um dos cavalos campeões do Jockey Club Brasileiro. Este ano, ganhou o primeiro lugar em duas de sete corridas que disputou.

A recuperação do animal começou depois da aplicação da terapia celular, feita com células tronco, capazes de assumir a função de tecidos e outros componentes do organismo. Esse tipo de tratamento vem sendo realizado também na saúde humana, por exemplo para regenerar o músculo cardíaco de pacientes que sofreram infarto do miocárdio e em quadros de osteoartrose, um processo degenerativo das articulações.

No campo da veterinária, a aplicação clínica começou a ser realizada há pelo menos cinco anos, depois de uma década de uso de modo experimental e testes. “Em breve, possíveis desdobramentos para a pecuária, para tratar animais lesionados e auxiliar processos de reprodução das fêmeas”, diz a médica veterinária Michele Andrade de Barros, da Regenera Stem Cell, laboratório de células tronco de Campinas que desenvolve terapias para animais utilizando a tecnologia.

Em equinos, os tratamentos com células tronco têm permitido tratar doenças como mieloencefalite protozoária, doença neurológica que compromete o sistema nervoso central, osteoartrite, traumas medulares, doenças renais e vários tipos de lesões. Podem ser aplicados tratamentos convencionais, com base em remédios e outros tipos de terapia, para tratar esses males. “A aplicação de células tronco diminui o tempo de tratamento e não produz efeitos colaterais”, afirma Michele.

Na medicina veterinária, as células tronco geralmente são retiradas do tecido adiposo do animal. Funciona assim: o tecido é enviado para o laboratório, onde é incubado em uma estufa de CO2 e cultivado por mais de sete dias – o objetivo é isolar um tipo de célula tronco, as mesenquimais, que são consideradas as mais adequadas para as terapias normalmente feitas em animais. Depois disso, essas células são multiplicadas. Após um processo de análise, em que é checada a qualidade e viabilidade do material, pode ser realizada a aplicação no animal.

Fonte: Globo Rural

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