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Lara e a mãe Giovana (dir.) com funcionários (de verde) do Centro de Equoterapia (Foto: Marcelo Andriotti/G1)

2 de outubro de 2016

Técnica une cavalos e terapia de astronautas para reabilitar crianças

Um tratamento que une técnicas para a recuperação muscular de astronautas, roupas semelhantes a criadas pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) e terapia com cavalos está sendo usado para acelerar a reabilitação de crianças e adultos com problemas motores.

Em Jaguariúna (SP), o Centro de Equoterapia de Jaguariúna começou a oferecer em 2016 o Therasuit, como é conhecida a técnica, associado a sessões de equoterapia. O novo tratamento pode desenvolver movimentos em vítimas de paralisia cerebral, AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais) ou outras causas em um tempo 12 vezes menor que terapias convencionais.

A instituição oferece tratamento gratuito a crianças e adultos há 15 anos com a ajuda de prefeituras e empresas. Os equipamentos para a aplicação da nova terapia, avaliado em R$ 200 mil, também foram doados por uma empresa, a Fresenius Kabi. Cada roupa especial custa US$ 2,5 mil e há vários tamanhos para uso em crianças e adultos.

As crianças desenvolvem movimentos que perderam ou que nunca conseguiram realizar usando roupas com cordas elásticas ligadas a cintos, pesos e polias em uma gaiola usada para terapia.

Atualmente, 158 pessoas são atendidas no centro, a maioria delas crianças, sendo 90 custeadas pela Prefeitura de Jaguariúna e 27 pela de Pedreira. O restante é mantido por empresas, que pagam R$ 500 por mês para que cada paciente faça uma sessão por semana de equoterapia.

Os pacientes têm acompanhamento de psicólogos, psicopedagogos, pedagogos e fisioterapeutas. Também têm transporte gratuito de Jaguariúna para a instituição, que fica na zona rural. Para frequentar o centro, é preciso ter uma indicação médica, passar por avaliação e aguardar uma vaga.

O proprietário Wilson Mellilo diz que há 300 pessoas na fila para tratamento. Para atendê-las, depende do apoio de órgãos públicos e de particulares para cobrir as despesas, mas apenas quatro empresas apoiam o projeto atualmente.

Para o Therasuit o tratamento é mais caro, com custo de R$ 5 mil mensais, mas ele pode ser coberto por planos de saúde ou pelo poder público. Neste último caso, a família do paciente precisa entrar na Justiça para conseguir uma liminar que garanta o custeamento de prefeituras ou do estado.

Casos
Uma das pacientes beneficiadas pelas terapias integradas é Olívia, de quatro anos e oito meses. Herica Cristina Correa Mitestainer, mãe de Olívia, diz que os progressos em um mês de tratamento com Therasuit foram nítidos.

“Olívia nasceu prematura, de 28 semanas, e teve paralisia cerebral. Há dois anos ela faz equoterapia e fez um mês de Therasuit em julho. Houve melhora na postura do tronco, mais atividades nos movimentos com os braços e as mãos. Agora ela voltou a fazer equoterapia”, disse.

Giovana Cristina Venturini Barbizan leva sua filha Lara, de dois anos e nove meses, toda a semana para tratamento. Nascida prematuramente de 29 semanas, Lara teve pneumonia, meninguite e abscesso cerebral que a levou a nove cirurgias, sendo sete na cabeça.

Depois de sete meses de tratamento com os cavalos, a menina já consegue manter o equilíbrio e permanecer sentada sem a necessidade de apoio. A expectativa agora é começar a fazer o Therasuit.

“A Lara ainda precisa completar três anos para começar o novo tratamento. Enquanto isso, ela faz a equoterapia e está se desenvolvendo rápido”, diz Giovana.

Além de alternar a equoterapia com o Therasuit, a instituição faz uma série de outras atividades com as crianças, inclusive ajudando no aprendizado.

Patrícia Ferrari é mãe de Marina, de sete anos e meio, que faz equoterapia depois que teve um histórico de convulsões e alterações de equilíbrio que afetavam o modo de andar e dificultavam a corrida. Também tem um atraso no aprendizado em relação a crianças da mesma idade.

“Além do desenvolvimento do equilíbrio e movimentos, ela participa de atividades em que aprende letras, sons, números e cores enquanto está no cavalo. Isso ajuda muito no desenvolvimento escolar dela”, conta Patrícia.

Intensivo
O Therasuit foi desenvolvido por casal de fisioterapeutas norte-americanos que tem uma filha com paralisia cerebral. Eles pesquisaram técnicas utilizadas para reabilitação de astronautas, que depois de muito tempo sem gravidade no espaço voltavam fraqueza muscular e sujeitos a fraturas. Viram que, com adaptações, elas poderiam ser aplicadas em pessoas com instabilidade motora.

O sistema permite a execução de movimentos de alta intensidade, que simulam os efeitos da gravidade, promovendo o equilíbrio e o aprendizado ou reaprendizado do sistema nervoso central por meio de repetições.

“O Therasuit é intensivo, com tratamentos de 30 dias, cinco dias por semana, com três horas diárias. Nos finais de semana, os exercícios também são feitos em casa, com o auxílio de familiares”, diz a fisioterapeuta Maryanne Soares Reis, responsável pelo setor e que fez treinamento com a norte-americana Isabella Koscielny, criadora da terapia.

Como essa rotina é desgastante, ela é alternada com a equoterapia. É feito um mês da nova terapia e depois dois meses de equoterapia durante um ano.

Para quem tem interesse em buscar tratamento na instituição ou empresários que queiram conhecer o local e custear as terapias, o endereço é Rodovia Adhemar de Barros (SP-340) – km 127, Bairro Tanquinho, em Jaguariúna (SP); telefones: (19) 9-9840-1899 e 9-9916-5641.

Fonte: G1

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