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Técnica de inseminação permite usar até material genético de cavalo que já morreu — Foto: Reprodução/TV TEM

6 de julho de 2019

Técnica de inseminação permite usar até material genético de cavalo que já morreu

Os cavalos são bonitos, elegantes e podem custar muito. Para assegurar o melhor de cada raça é preciso trilhar os caminhos da genética. Bons cavalos são sempre valorizados e criadores fazem o possível para manter a linhagem e conseguir bons descendentes.

Mas e quando o garanhão já morreu? Ou o sêmen do cavalo custa caro e precisa ser importado? É aí que entra uma técnica conhecida pela sigla ICSI, a mesma que é usada para gerar bebê de proveta.

O veterinário Fernando Dal Sasso, que também é criador da raça brasileira de hipismo, explica que o embrião gerado a partir do uso dessa técnica é fertilizado in vitro, dentro de um laboratório. Já em outros procedimentos, a fertilização se dá dentro da própria égua. Fernando diz que, com a ICSI, adquiriu palhetas com sêmen dos quatro melhores garanhões do mundo, o que não seria possível antes.

Tamanha tecnologia tem um preço. Enquanto o serviço de transparência de embrião custa em torno de R$ 2 mil, a ICSI pode chegar a R$ 12 mil por cada embrião. O investimento é alto, mas os retornos são proporcionais.

Fernando conta que um embrião “convencional” da raça brasileira de hipismo gira em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil. Já os embriões de ICSI podem chegar a R$ 70 mil. Em leilão, embriões chegaram a ser vendidos em média a R$ 200 mil, sendo que alguns foram vendidos por R$ 500 mil.

Philipp Reisinger também é criador de cavalos e já vendeu mais de 100 embriões a partir da ICSI. Outros 50 potros nasceram com o uso da tecnologia. Entre os animas do haras há um potro de cinco meses. O pai dele vivia nos Estados Unidos e já morreu há oito anos.

Na ICSI é usado apenas um pedacinho da palheta de esperma para a fertilização dar certo. Em outras técnicas são necessárias até oito palhetas. A economia é grande, já que cada palheta custa entre três e cinco mil dólares.

A médica veterinária especialista em genética Perla Fleury é uma das responsáveis por trazer a ICSI ao Brasil. Até o ano de 2015, apenas cinco laboratórios dominavam a técnica para reprodução de equinos no mundo. Todos ficavam na Europa e nos Estados Unidos.

Perla explica que a técnica não veio substituir a inseminação artificial, a transferência de embriões ou mesmo a gestação natural. Ela diz que se trata de mais uma ferramenta para complementar outras biotecnologias e que vem ajudar no caso de baixo resultado das outras técnicas.

Fonte: Por Nosso Campo, TV TEM

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