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Morte de garanhão vendido a R$ 7 milhões coloca em debate formas de reduzir riscos; Foto:abccc / Divulgação

15 de outubro de 2017

Seguro de vida e congelamento de sêmen para proteger genética

A morte do garanhão Equador de Santa Edwiges, no primeiro semestre desse ano, após a sua venda por quase R$ 7 milhões, trouxe à tona a necessidade de garantir o patrimônio representado por animais valorizados. O cavalo, criado pela cabanha Santa Edwiges, de São Lourenço do Sul, e vendido a um grupo de 21 investidores em maio, não tinha seguro. O material genético, que poderá gerar até 150 filhos em tempo indeterminado, está congelado em uma central de reprodução, em Pelotas, no sul do Estado.

Um dos motivos de o animal não ter seguro é a restrição que as seguradoras impõem para a cobertura de animais no país. Hoje, duas empresas multinacionais atuam no mercado brasileiro de seguro de equinos: a Fairfax Brasil, de origem canadense, e a suíça Swiss RE. O limite técnico estabelecido pelas companhias é de R$ 600 mil.

– A questão é o tamanho da carteira. Como não é um seguro de massa, como o de carros, as seguradoras não podem assumir um valor que coloque em risco a saúde financeira do negócio – explica a corretora Karen Matiele, sócia-proprietária da Denner Seguro de Animais e membro da Comissão de Seguro Rural do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sinpor-RS).

Para aumentar o limite, é necessário mudar a cultura em torno do seguro de animais, diz Karen:

– Hoje, o percentual de equinos segurados é muito pequeno. Aos poucos, o pecuarista está se conscientizando da importância de mitigar riscos.

Com 21 cotas vendidas por R$ 6,97 milhões em maio, o Equador de Santa Edwiges morreu em decorrência de infecção aguda do cólon, conforme laudo da necropsia. Para tentar compensar o prejuízo dos investidores, a cabanha Santa Edwiges, que ainda detinha parte do cavalo, cedeu toda reserva de sêmen congelado que dispunha aos compradores. Veterinário e proprietário da central de reprodução equina onde o material está armazenado, Felipe Hartwig explica que o congelamento de sêmen é a forma mais eficiente de preservar o patrimônio do cavalo:

– A genética é o bem mais valioso do animal. Mesmo que tenha seguro, é preciso preservar o material genético.

Em condições adequadas, seguindo normas técnicas, o sêmen congelado pode ser utilizado por tempo indeterminado, esclarece Hartwig. A quantidade guardada de material genético do Equador de Santa Edwiges chega a mais de 3 mil palhetas, cada uma com 0,5 ml – o equivalente a 600 doses no total.

Considerado um dos cavalos mais valiosos da raça crioula, por ter produzido campeões do Freio de Ouro e da Expointer na primeira geração, o mais jovem garanhão a receber o registro de mérito da ABCCC já tem seu sêmen disputado pelo mercado.

– Tem criador disposto a pagar R$ 5 mil por dose. A valorização do material genético tende a alcançar preços astronômicos – prevê o leiloeiro Marcelo Silva, da Trajano Silva Remates.

Fonte: Gaucha ZH

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