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JLS Hermoso (pai, à direita) e Buenaço da Maior (filho), e outros descendentes acumulam premiações; foto: Michel Martins / Especial

14 de outubro de 2017

Saiba como cavalos chegam à elite da raça crioula

Eles fazem parte da nobreza crioula, valem milhões e são cuidados como verdadeiros patrimônios. Integrantes de um grupo seleto, cavalos que alcançam valores recordes de venda têm trajetória semelhante. A carreira bem sucedida começa pela genética, passa pela beleza e funcionalidade dos animais e é coroada pelo desempenho dos descendentes em provas como o Freio de Ouro – principal competição de aperfeiçoamento e seleção da raça. Parece pouco, mas são raros os que conseguem alcançar tamanha façanha.

A trajetória do garanhão JLS Hermoso, da Cabanha Maior, de Painel (SC), começou tímida e alcançou o topo quando o animal já tinha encerrado a carreira de atleta. Campeão potranco da Expointer em 2002, o animal foi comprado pela cabanha catarinense naquele ano. Em 2003, voltou a Esteio, onde conquistou o título de cavalo menor. Em 2007, participou da final do Freio de Ouro, ficando em 18º lugar. Até então, o cavalo valia apenas um pouco acima da média da raça.

Foi quando seus filhos começaram a se destacar na morfologia e nas pistas do Freio de Ouro que o mercado percebeu algo inusitado na genética do garanhão.

– Em cinco anos, quatro filhos do JLS sagraram-se campeões – lembra Lauro Varela Martins, gerente-administrativo da Cabanha Maior.

Após o filho Cadejo da Maior ter conquistado o Freio de Ouro em 2013, o pai Hermoso atingiu, no ano seguinte, valorização recorde na raça. Na época, a venda de uma cota com seis coberturas a R$ 650 mil (R$ 108,33 mil cada) fez o animal alcançar avaliação de R$ 16,25 milhões. O cálculo é feito com base no número de coberturas possíveis por ano – 150 no caso dos cavalos com registro de mérito da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).

No ano seguinte, outro filho de JLS, o Destaque da Maior, desbancou o irmão Cadejo, e ficou com o título do Freio de 2014. Completam a lista de gerações premiadas o Buenaço da Maior e o Farrapo da Maior – ambos grandes campeões da Expointer.

– Essa diversidade do JLS Hermoso, que produziu campeões com éguas de linhagens diferentes, comprova que ele é um reprodutor universal – destaca o gerente-administrativo.

Na cabanha na serra catarinense, o garanhão de 16 anos vive ao lado de dois filhos vencedores, o Buenaço e o Farrapo. O Cadejo e o Destaque foram vendidos. Com potreiro e cocheira exclusivas, o animal é criado em ambiente mais próximo possível ao natural. Com coberturas vendidas por R$ 15 mil cada, o animal gera faturamento próximo de R$ 1 milhão ao ano – incluindo venda de sêmen e de descendentes.

Os cavalos que atingem valorização na casa dos milhões são exceção, são ícones, explica Onécio Prado Junior, vice-presidente de Comunicação e Marketing da ABCCC.

– São os chamados raçadores, bem menos de 1% do total – afirma Junior.

A valorização do cavalos aumenta também com o registro de mérito concedido pela ABCCC – com base na performance do cavalo e de seus descendentes. Entre os mais de 435 mil exemplares registrados no Brasil, apenas 710 têm o registro – 0,16% do total. Presidente da ABCCC, Eduardo Suñe destaca a importância de características como rusticidade, resistência, poder de recuperação, modos de andar, aptidão vaqueira e temperamento:

– E essa seleção deve muito às provas do Freio de Ouro, que avaliam os principais pilares da raça crioula, incluindo a morfologia.

Fonte: GauchaZH

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