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Palmitos muda rotina de ferrador de Salesópolis (Foto: Antenor Pontes/Arquivo Pessoal)

4 de junho de 2017

Rotina de ferrador de Salesópolis é alterada com Entrada dos Palmitos

Quando se fala na Entrada dos Palmitos, a memória do ferrador de Salesópolis Antenor Donizete Pontes, de 40 anos, se transporta para a sua infância. Ele diz que se lembra da época em que vinha com o avô em um carro de boi para participar do evento mais popular da Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, que foi realizado neste sábado (3).

De lá para cá, a ligação dele com o cortejo é intensa, especialmente na semana que antecede o evento. “Esse ano vou ferrar vários cavalos de Salesópolis que vão participar da festa. É correria a semana toda, porque o pessoal deixa para tratar do animal mais perto da Entrada dos Palmitos para o casco ficar mais limpo”, explica Pontes.

Embora em um primeiro momento não pareça, o trabalho do ferrador é complexo. Pontes exerce a profissão há 22 anos e desde então fez vários cursos para entender melhor da arte de ferrar cavalos, uma atividade que parece simples, mas é bastante complexa. “Eu comecei vendo os meus avós trabalharem, mas ele não tinham conhecimento e usavam facão e martelo. Eles faziam o serviço errado, hoje eu sei disso. Eu comecei a fazer o serviço sem conhecimento, mas com o tempo fui me aprimorando.”

E para isso, Pontes fez cursos com ferradores norte-americanos, espanhóis, portugueses e até um curso para conhecer melhor a anatomia dos cavalos. “Não é simplesmente colocar a ferradura no animal e pregar. A ferradura precisa ser adequada para o cavalo e dar conforto a ele e não só proteção. Uma ferradura inadequada prejudica a saúde dele, provocando problemas na articulação, ligamento e fazendo com que ele sinta dor.”

O ferrador explica que o primeiro passo é agradar o animal. “Sou contra quem bate no animal. Quando a gente agrada o bicho, ele se acostuma com a gente e podemos trabalhar direito.”

Pontes detalha que o cavalo precisa ter a ferradura trocada a cada 30 a 40 dias. “O casco dele cresce 1 centímero por mês e a ferradura em 30 dias fica pequena. O cavalo precisa ter o casco cortado, assim como nós precisamos cortar nossa unha com frequência.”

A diversidade das ferramentas usadas no trabalho de Pontes é outra curiosidade da profissão. Aliás, encontrar os instrumentos certos para o ofício foi um dos obstáculos que ele teve que vencer. Ele lembra que saía de bicicleta de Salesópolis para Santa Branca para comprar ferramentas. Também vinha atrás de um ferreiro que fazia ferraduras.

“Hoje eu tenho minhas ferramentas como bigorna, forja, truquesa entre outras para trabalhar corretamente. Preciso de um número grande porque além de ferrar eu também faço ferraduras ortopédicas para os cavalos que precisam. Elas são caras e não compensa comprar. Para isso eu fiz um curso.”

Enquanto no Brasil, os profissionais são formados mais na base da intuição, Ponte afirma que nos Estados Unidos para ser um ferrador é preciso muito estudo. “Lá é preciso fazer um estágio de três anos e depois passar mais dois anos, trabalhando com um ferrador para só depois poder ferrar sozinho os animais.”

Pontes defende o aprimoramento dos ferradores. “Tem que estudar o casco do cavalo, tendão, ligamento, articulação para saber onde bate o cravo e onde pode cortar o casco. Senão machuca o cavalo.”

Fonte: G1 = Por Gladys Peixoto, G1 Mogi das Cruzes e Suzano

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