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Bons momentos. O campeão olímpico Rodrigo Pessoa no Mundial de 2014, com a equipe brasileira de saltos Foto: Divulgação / Divulgação

9 de julho de 2017

Rodrigo Pessoa assume o comando da equipe irlandesa de hipismo

O cavaleiro Rodrigo Pessoa deu um tempo da seleção brasileira de hipismo. Assim pode ser definido o afastamento do campeão olímpico de 44 anos das competições com a equipe de saltos do Brasil.

E muito se deve a um irlandês velho conhecido do país. No verão europeu de 2016, Cian O’Connor, que perdera o ouro nos Jogos de Atenas-2004 para Pessoa após o seu cavalo ser pego no antidoping, sondou o atleta sobre a oportunidade de comandar o time irlandês. Em março deste ano, ele foi confirmado como o novo chefe de equipe.

— Meu primeiro contato foi através dele. Ele me perguntou se eu tinha interesse, pois sabia que a vaga estaria disponível no fim do ano, e me considerava um excelente nome. Meu nome foi colocado no chapéu com outros dois irlandeses e me escolheram — conta Pessoa, lisonjeado com a escolha.- Eles procuraram alguém ativo no esporte, e contou a minha experiência de ter levado o Brasil aos últimos Jogos, os bons resultados nos últimos mundiais. Me deu muita credibilidade, pois ganhei de dois irlandeses. É um reconhecimento muito grande.

O cavaleiro garante que a relação com o agora capitão da sua equipe – que ganhou um bronze no individual em Londres-2012 — nunca foi afetada pelo ocorrido anos atrás.

— Quando tudo aconteceu, em maio de 2005 (a federação internacional retirou o ouro de O’Connor por causa do doping), estávamos num concurso na Itália e trocamos algumas palavras lá mesmo. Nunca deixamos de nos falar e sempre tivemos bom relacionamento — afirma Pessoa.

A confiança depositada nele e o desafio de levar a equipe irlandesa aos Jogos de Tóqui-2020, após três Olimpíadas de ausência, foram determinantes para o brasileiro aceitar o convite. Nas próximas duas temporadas, a prioridade, ele afirma, será garantir a vaga irlandesa no Japão:

— É um projeto de dois anos, com o objetivo de classificar a Irlanda para Tóquio no Mundial do ano que vem nos EUA ou no Europeu. São três Olimpíadas fora, e isso estava ficando demais. É um país de tradição equestre, que ganha a Copa das Nações regularmente, e com excelentes conjuntos.

A decepção de ter ficado fora do time titular no Rio-2016, e, consequentemente, se recusar a ser o reserva, pesou na decisão de Pessoa, que disputou seis Olimpíadas pelo Brasil e participou das conquistas de medalhas nos saltos (dois bronzes por equipes, além do seu ouro). No ano passado, o então técnico George Morris preferiu deixá-lo na reserva, pois a montaria estava abaixo de outros cavaleiros. Pessoa reclamou publicamente e chegou a trocar farpas com Doda Miranda durante a competição.

— Além de o meu cavalo Jordan estar recomeçando só agora, eu precisava dar um tempo da seleção depois das “aventuras” do ano passado. Fiquei muito decepcionado com alguns membros da equipe e da direção técnica. O conjunto disso tudo me levou a assumir esse cargo — admite o cavaleiro, que continuará participando de algumas provas.

O futuro, no entanto, não está definido. Ao fim do contrato, em 2019, que pode ser prorrogado, Pessoa decidirá o caminho a seguir. Tanto pode ser continuar na equipe irlandesa como buscar uma vaga no time brasileiro nos Jogos de Tóquio:

— Pela lesão do cavalo, o Mundial do ano que vem seria prematuro. Mas não descarto nada para 2019/2020. Em 2019, se ele voltar bem, pretendo colocar tudo isso na balança.

Sem Rodrigo Pessoa e sem Doda Miranda, que está em busca de cavalos, a seleção se renova. O principal nome continua sendo Pedro Veniss, que esteve nos dois últimos Jogos, e tem os melhores resultados entre os brasileiros, com três vitórias em competições cinco estrelas. Num ano de menos competições e pouco dinheiro, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) tem dado chances a novos conjuntos.

— O Brasil está atravessando, como nação, um momento muito difícil. Estão (a confederação) instaurando uma nova forma de trabalho, de olho no futuro. Acredito que a equipe possa ir bem no Mundial e possa se classificar para Tóquio. Tem excelentes elementos para o futuro, com velha guarda e novos cavaleiros – disse Pessoa, que não se mantém distante do Brasil e treina um dos cavaleiros da nova geração, Pedro Muylaert.

Pedro Paulo Lacerda, diretor da equipe de saltos e que faz as vezes de técnico do time, lamenta o afastamento neste momento, mas conta com ele no futuro. E acrescenta que a confederação pretende fazer o processo seletivo o mais transparente possível, a fim de evitar rachas na equipe, como ocorreu no último ano.

— Rodrigo é um excelente conselheiro. Tem sido de grande ajuda, ele conhece todo mundo, tem as portas abertas em todo o mundo. Nós nos falamos com frequência. Espero que, se estiver com um grupo de cavalos bons, possa se juntar à equipe e nos ajudar em 2019 — acredita Lacerda, que admite as dificuldades financeiras da CBH, mas garante que o trabalho não será prejudicado.

Enquanto isso, eles vão se encontrar nas futuras competições, mas em lados opostos.

Fonte: Extra/globo

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