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28 de abril de 2015

Rio inicia contagem regressiva de 500 dias para os Jogos Paralímpicos 2016

A Cidade Maravilhosa iniciou no último domingo (26) a contagem regressiva de 500 dias para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Pela primeira vez na América do Sul, a competição será realizada de 7 a 18 de setembro e contará com a participação de 4.350 atletas de 178 países. Em 12 dias de evento, serão disputadas 528 provas (226 femininas, 264 masculinas e 38 mistas) em 23 modalidades, como rugby em cadeira de rodas, judô, natação, hipismo, atletismo, paratriatlo e tiro com arco. Representado pelo mascote Tom, os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro devem atrair um público de 1,8 milhão de pessoas.

Os ingressos podem ser adquiridos através do Programa de Ingressos, lançado pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 em janeiro deste ano. O valor mínimo dos ingressos é de R$ 20 (com meia entrada para modalidades como futebol e levantamento de peso). Os oferecidos no Brasil só podem ser comprados por quem for maior de 18 anos, tiver CPF e endereço fixo no país.

Serão 20 locais de competição, espalhados em quatro regiões da cidade: Barra da Tijuca (Arenas Cariocas 1, 2 e 3, Arena Olímpica do Rio, Arena do Futuro, Centro Olímpico de Tênis, Centro Aquático Olímpico, Velódromo Olímpico e Riocentro – Pavilhões 2, 3 e 6); Deodoro (Arena da Juventude, Centro Olímpico de Hipismo, Centro Olímpico de Tiro e Estádio de Deodoro); Copacabana (Estádio da Lagoa, Forte de Copacabana e Marina da Glória), e Maracanã (Estádio Olímpico e Sambódromo).

A Barra da Tijuca receberá as provas de Futebol de 5, Bocha, Paraciclismo de pista, Paraciclismo de estrada, Rugby, Tênis de mesa, Judô, Basquete em cadeira de rodas, Goalball, Natação, Halterofilismo e Voleibol sentado. Deodoro ficará com as provas de Hipismo, Futebol de 7, Tiro esportivo e Esgrima em cadeira de rodas. Já a regiã

o do Maracanã vai sediar o Atletismo e Tiro com arco. E, finalmente, Copacabana receberá as provas de Vela, Remo, Paratriatlo e Paracanoagem. A duas últimas são a grande novidade desta competição.

No que diz respeito aos Jogos Paralímpicos, a melhoria da acessibilidade na cidade é o legado mais importante.  E os avanços já podem ser vistos nos veículos e estações dos BRTs Transoeste e Transcarioca; na ampliação da acessibilidade do Sambódromo e dos novos hotéis da cidade; no avanço das obras do Parque Olímpico e do Complexo Esportivo de Deodoro; nas ruas das zonas Norte e Oeste por onde passa o projeto Bairro Maravilha; no número crescente de jovens com deficiência e professores especializados nas Vilas Olímpicas da prefeitura; e nos entornos das instalações olímpicas.

Coração das olimpíadas do Rio, o Parque Olimpico – que receberá competições de nove modalidades paralímpicas -, por exemplo, teve como um dos principais requisitos no edital para escolha do projeto a questão da acessibilidade, de maneira que o local pudesse atender a todo o público.

O projeto das áreas comuns e das instalações esportivas do Parque Olímpico inclui rotas acessíveis, com distâncias, rampas e inclinações ideais, elevadores, guias de balizamento, guarda-corpos e corrimãos, adequados aos requerimentos voltados às pessoas com deficiência, além de banheiros adaptados, comunicação e sinalização tátil e assentos destinados a pessoas em cadeira de rodas, obesos, cegos e com mobilidade reduzida. Esses assentos têm boa visibilidade e estão distribuídos de maneira a garantir conforto, segurança e autonomia.

– O projeto vencedor, assinado pelo escritório inglês Aecom, visa a atender de forma igualitária todos os espectadores, com ou sem deficiência, para que tenham a mesma experiência dos Jogos – afirma Joaquim Monteiro, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A Via Olímpica, que funcionará como principal acesso dos espectadores, também se destaca por sua acessibilidade. A via foi projetada com inclinação de até 4%, consideravelmente abaixo da exigência legal de 8,33%. E da inclinação de 5% sugerida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) para garantir acesso com conforto para grande fluxo de pessoas, principalmente pessoas com deficiência. Mas a acessibilidade não se restringe ao público do Parque Olímpico: também se estende às áreas de serviços, as chamadas Back of Houses. Essas áreas contam com travessias, rotas acessíveis, vagas para deficientes, além de áreas de embarque e desembarque posicionadas em locais para favorecer a acessibilidade.

– Hoje o Rio é uma cidade mais inclusiva, que pensa na pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida em seus projetos. Muitas iniciativas estão sendo tomadas para que a vida da pessoa com deficiência – e de uma maneira geral de todo o cidadão – melhore. Essas ações só foram possíveis de forma tão clara e rápida porque iremos receber as Paralímpiadas daqui a 500 dias. A expectativa é que o legado se intensifique ainda mais depois dos Jogos – disse a secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Georgette Vidor.

De agosto deste ano a maio de 2016 serão realizados 12 eventos teste para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. O calendário foi divulgado há pouco mais de um mês pelo Comitê Organizador Rio 2016.

– Estamos vivendo o Rio 2016 desde outubro de 2009, quando a cidade foi escolhida para ser a sede dos Jogos. O Comitê nunca teve tanta condição de propiciar uma preparação de altíssimo nível para os atletas brasileiros quanto nesse ciclo do Rio-2016, graças ao maior investimento por partes de diversos níveis de governo. Toda marca cria uma ansiedade para que os Jogos cheguem logo. Os 500 dias marcam um momento importante, carregado de muito simbolismo, como realmente o início desta reta final – disse Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD), e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) renovaram em março deste ano o convênio de patrocínio do Time Rio Paralímpico. A iniciativa dá condições de treinamento de alto nível e infraestrutura a um grupo de 20 atletas e quatro guias.

O Time Rio Paralímpico é formado por atletas com deficiência visual e motora, que competem em quatro modalidades: atletismo, canoagem, natação e judô. Entre os selecionados estão medalhistas paralímpicos como a judoca Karla Cardoso (prata em Atenas 2004 e Pequim 2008); e Lucas Prado, do atletismo (três ouros em Pequim 2008 e duas pratas em Londres 2012).

A atleta pernambucana paralímpica Roseane Ferreira dos Santos, a Rosinha, que compete no atletismo nas provas de arremesso de peso e lançamento de disco, afirma que participar de Jogos no Brasil será a sua experiência mais marcante:

– A minha expectativa é enorme. É um misto de felicidade e ansiedade que me deixa com o coração batendo a mil. Poder competir em casa é algo muito especial, pois sentir a vibração do povo brasileiro faz toda a diferença. Também estou muito orgulhosa em ver todo o empenho e preparação do Rio para receber as delegações paralímpicas e as transformações que estão acontecendo para tornar a cidade mais acessível para todos. Tenho certeza de que serão jogos inesquecíveis.

Esta é a segunda fase do projeto. Em 2012, 16 dos 20 atletas da primeira edição do Time Rio Paralímpico disputaram os Jogos de Londres, garantindo sete medalhas: um ouro, três pratas e três bronzes.

A velocista paraense Jhulia Karol dos Santos, que perdeu a visão aos 9 anos por conta de uma meningite e começou a correr aos 15, é do Time Rio e uma das apostas do atletismo brasileiro para os Jogos do Rio de Janeiro 2016. Ela garante que o projeto é fundamental para os atletas:

– O Time Rio é muito importante para nós atletas, pois nos dá suporte financeiro e ajuda com materiais, uniformes e treinamento de alto nível. Isso tudo nos dá tranquilidade necessária para continuar treinando e competindo. Se não tivesse o Time Rio seria muito mais difícil e até, talvez, já tivesse deixado de competir. Estou muito feliz em fazer parte dessa equipe e, principalmente, em poder competir “em casa”. Tenho certeza de que vamos fazer bonito e daremos muito orgulho ao povo brasileiro.

Fonte: Jornal do Brasil

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