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Forma de torcer, se comportar e até de se vestir muda de uma competição para outra no Rio; Foto: O Tempo

19 de agosto de 2016

Rio 2016 – Plateia elegante no hipismo

São 11h. O sol forte de Deodoro faz dona Maria Eneida, 59, se esconder em um dos túneis que dão acesso às tribunas de imprensa da arena que é a casa do hipismo na Rio 2016. “Acabei de tomar um remédio. Estava passando mal lá em cima com tanto sol, e a voluntária acabou me deixando por aqui”, diz a aposentada, que interrompe a entrevista para ver a passagem do cavaleiro brasileiro Eduardo Menezes na grande final do salto por equipe.

Não tem jeito. Uma das provas mais nobres das Olimpíadas se rende ao escaldante calor carioca. Saem os trajes nobres e entram blusas leves, protetor solar, óculos de sol, chapéus e também guarda-sol. Uma espécie de glamour à la Brasil que contrasta com o trotar galante dos cavalos e os trajes quase impecáveis dos ginetes.

“O calor prejudica bastante”, diz o esbaforido ginete Sheikh Ali Al Thani, do Catar. Nem em seu próprio país ele viu algo igual. “A gente até se acostuma com a roupa, mas aqui está muito úmido. Está sendo difícil, mas nada que ninguém seja incapaz de aguentar”, complementa o cavaleiro, com sua indumentária praticamente tomada pelo suor.

Para suportar condições climáticas tão adversas, somente gente que é fã de hipismo para estar lá. Por isso, o silêncio impera. Nada comparado aos demais esportes vistos até então nos Jogos Olímpicos do Rio “Acompanho há 15 anos”, diz dona Maria. “As pessoas que estão aqui não compram ingressos à revelia. É preciso entender do esporte, compreender o quanto o silêncio é necessário”, completa a aposentada.

Tristeza

Os cavalos não possuem muitas alternativas e acabam sofrendo com a mudança climática. A amazona japonesa Reiko Takeda, que acabou vendo seu cavalo Bardolino derrubar dois obstáculos de uma só vez e refugar em outro pulo, ficou emocionada e foi às lágrimas. “Queria preservar meu animal. Sei que foi uma longa jornada e que poderíamos ter dado mais de nós. Estou muito desapontada porque eu sei que o Bardolino poderia ter ido mais longe, assim como eu, mas essas coisas podem acontecer”, falou.

Fonte: O Tempo

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