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A psicóloga Caroline Schneider Xavier, 36 anos, é uma das profissinais que apostam na interação entre humanos e cavalos Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

11 de dezembro de 2016

Relação entre humanos e cavalos traz benefícios para a saúde mental

A relação entre o homem e o cavalo tem raízes profundas na história. A mitologia, por exemplo, representa essa parceria na figura do centauro, um ser metade humano, metade equino. Nas artes em geral e nas pinturas rupestres da pré-história, também foram encontrados registros desta união, que segue trazendo benefícios e ganhando aceitação nas áreas da saúde, da educação e do lazer. A psicóloga Caroline Schneider Xavier, 36 anos, acredita muito nos benefícios dessa convivência.

– Em cima do cavalo, a gente se torna um só. É uma relação de troca, de respeito e de carinho. A relação do homem com os cavalos pode ser tão intensa quanto é com um cachorro ou gato – explica a psicóloga que, além de apaixonada por esses animais desde criança, também desenvolve um trabalho em parceria com uma fisioterapeuta e um instrutor de equitação no Centro de Equoterapia e Hipismo Andaluz, em Santa Maria.

Há poucos dias, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Sussex (Reino Unido) apontou que cavalos podem discernir expressões faciais humanas. Para os cientistas, isso acontece porque a domesticação pode ter habilitado os bichos a interpretar o comportamento humano.

De acordo com Caroline, pesquisas semelhantes já haviam comprovado a extrema sensibilidade do animal:

– O contato com o cavalo desperta no homem diversos sentimentos, por exemplo, a sensação de potência de dominar um animal de cerca de meia tonelada. O cavalo dá ao homem uma impressão de companhia, de amizade e também o faz compreender limites, pois o animal só faz o que ele quer. Mas o afeto é um ingrediente necessário em qualquer etapa, e os animais correspondem imediatamente ao que eles recebem e sem qualquer tipo de preconceito.

Apoio físico e emocional

Ainda de acordo com a psicóloga, os objetivos terapêuticos da equoterapia vão da mellhora das dificuldades motoras ao tratamento emocional, já que as duas áreas são trabalhadas em conjunto. O método utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação  e equitação. A intenção é alcançar o desenvolvimento biopsicossocial do paciente. A interação com o cavalo, desde o início, como escovar, encilhar, além do ato em si de montar e manejo final, desenvolvem novas formas de socialização, autoestima e fortalecem o vínculo homem-animal.

Há quatro anos, a dona de casa Teresinha Fátima Kramer, 52 anos, leva a filha todas as semanas para a equoterapia. Kelly Kramer, 17 anos, tem paralisia cerebral, o que a impede de caminhar e falar. Contudo, desde que começou a frequentar as sessões e a conviver com os cavalos, a adolescente tem apresentado melhoras significativas.

No que diz respeito às habilidades motoras, a mãe relata que Kelly já aumentou o ângulo na abertura das pernas, diminuindo a rigidez muscular. Também melhorou a postura e está mais firme, quando permanece sentada. Mas o que deixa a mãe mais contente é o sorriso da filha quando está com os cavalos:

– Ela muda totalmente. A gente sabe porque ela tem um jeito particular de expressar as emoções. Até quando está em casa e pronunciamos a palavra cavalo ela já começa a se movimentar e sorrir. E isso não tem preço. Diz-se que quando estão sobre o lombo do animal, é como se fossem bebês e estivessem no útero. Eu acredito, pois ela se sente protegida. A Kelly também está reagindo melhor aos estímulos, está mais sociável e muito mais calma. É uma bênção que eu recomendaria a todos os pais que têm filhos especiais.

FONTE: DIÁRIO DE SANTA MARIA

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