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Cavalo mangalarga é espécie que é foco de criadores de Amparo (Foto: Andreia Pereira/Divulgação)

8 de julho de 2018

Referência na criação de cavalos mangalarga, Amparo tem alta de 73% em haras e fazendas do setor

Em meio ao cenário de cavalgadas em estradas de terra e trilhas que margeiam propriedades centenárias de Amparo (SP) e arredores, o número de haras e fazendas que investem no mercado de cavalos da cidade cresceu 73,3% nos últimos dois anos. O município é um dos principais polos de criadores do animal, especialmente o da raça mangalarga paulista, no estado de São Paulo.

De acordo com o relatório da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM), que reconhece a cidade como referência, o número de criadores saltou de 15 para 26 no período.

O presidente do associação, Luís Opice, confirma que a criação de mangalargas no Brasil está em ascensão e justifica os percentuais positivos.

“Entre 2017 e 2018, o número de exposições cresceu em 21,5% e isso aumenta o número de pessoas envolvidas, de inscrições e de associados”, comenta.

Uma estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o mercado de cavalos cresce 12% ao ano no país.

Economia

Exposições, feiras e leilões são os carros-chefes do negócio. Movimentam milhões em venda de animais, geram empregos e fazem girar a economia das cidades por onde passam. No ano passado, criadores de Amparo investiram R$ 700 mil na égua Graziela do Corumbau, campeã nacional em São João da Boa Vista (SP). O preço é o de um animal excepcional.

“Desde a criação do Núcleo Amparo, cresceu o número de criadores e de pessoas que começaram a se interessar por cavalos. Passamos a sediar eventos importantes, como a ExpoAmparo, em março, e a Copa de Marcha, que acontece agora em agosto. São encontros que envolvem os principais criadores e animais da região e do estado”, avalia o médico-veterinário, criador e presidente do Sindicato Rural de Amparo, Marcelo Leite Vasco de Toledo.

Toledo afirma, ainda, que há toda uma estrutura econômica que movimenta o mercado equino no Circuito das Águas Paulista.

De atletas que praticam esportes equestres em competições importantes no Brasil e no mundo, passando pela fatia que envolve serviços profissionais de médicos-veterinários, funcionários altamente especializados no manejo e treinamento dos animais, revendedores de produtos ligados ao universo, vestuário rural, até chegar na pessoa que dispõe de recursos para ter um cavalo apenas como um hobby, um desejo pessoal.

“É a engrenagem de uma grande máquina. É muita gente mesmo envolvida, que não dá para quantificar. Se você quiser um cavalo, não dá para deixar na sala da casa. Começa por aí”, diz.

Raças em destaque

Números atualizados do IBGE mostram que Amparo tem atualmente 3.100 cavalos regularizados, com predominância da raça mangalarga paulista, puros ou cruzados. Mas, também se encontram o mangalarga marchador, que tem o Sul de Minas Gerais como grande produtor; raça crioula; cavalo brasileiro de hipismo (BH); árabe; bretão; quarto de milha e lusitana.

A preferência pelo mangalarga paulista é explicada pelo fato de o animal reunir todas as qualidades desejadas em um cavalo de sela. É considerado dócil, versátil, resistente e de boa morfologia, além de trazer como diferencial a marcha trotada. É apto para a prática de esportes hípicos, cavalgadas e para o trabalho.

Além da criação, a região do Circuito das Águas Paulista também se tornou referência em reprodução assistida, uso de inseminação artificial e embriões. Com a chegada de grandes investidores e o avanço de pesquisas e técnicas, se trabalha muito na busca de resultados para se obter cavalos campeões geneticamente.

“Está cada vez mais comum os grandes haras investirem na inseminação para se ter um cavalo excepcional. Há casos de que podem custar até R$ 50 mil”, conta o Marcelo Toledo.

Centro Hípico

Uma antiga fazenda, a 700 metros da área urbana de Amparo, é hoje uma das referências da cidade quando o assunto é criação e treinamento cavalos. O Centro Hípico Hipocampo dispõe de uma considerável infraestrutura e trabalha com 180 animais, além de ser frequentemente escolhido para receber as principais exposições e competições na cidade.

As baias cheias e o vaivém de equinos para os mais variados tipos de atividades comprovam que se trata de um mercado em alta.

“Boa parte dos cavalos é de pessoas que alugam as baias e os deixam na hípica, onde cuidamos. Tem muita gente que vem a Amparo, compra o cavalo e só retorna de vez em quando para cavalgar, passear”, comenta Caico Cintra, sócio-gerente da hípica.

Só com o aluguel de baias e alimentação, o investimento pode chegar a até R$ 820 mensais por animal. Outros serviços como treinamento, visitas de veterinários, ferragens são cobrados à parte.

O Hipocampo ainda prepara cavalos para competições e mantém uma escola de equitação. Um projeto filantrópico, criado em 1998, oferece equoterapia com a proposta de melhorar a qualidade de vida e integração social de pessoas portadoras de deficiência.

Movimento de solidariedade

Se o mercado está em alta, a solidariedade também se faz presente entre fazendeiros e criadores de cavalos da região de Amparo. A Festa do Marp (Movimento de Ação Rural do bairro Pantaleão), por exemplo, promove uma cavalgada anual para arrecadar fundos para a continuidade do projeto, que tem 300 famílias cadastradas.

Os recursos colaboram para manter atividades a 118 crianças em contraturno escolar. O evento acontece em 7 e 8 de julho e custa R$ 90 por participante, com direito a almoço. A adesão avulsa para o almoço sai por R$ 50.

O Marp é uma organização social civil criada há 49 anos que promove atividades para a família como centro irradiador de transformações, tanto sociais como de inclusão.

O movimento atende a moradores bairros de Alferes Rodrigues, Brumado, Santa Cruz a Bela Vista e Pantaleão. Possui sede própria que abriga salão social, sala para cursos, cozinha e quadra poliesportiva.

Fonte: G1 Campinas

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