Por Fora
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Foto: Cao Ferreira/Divulgação

2 de julho de 2016

Profissionais de centros urbanos investem no mercado de equinos

Mesmo em tempos de turbulência econômica no país, alguns setores se mantém aquecido para os investidores apesar da retração na maioria dos segmentos. Com o agronegócio em expansão e segurando os números na economia do Brasil, o setor vem sendo um dos mais atrativos para este público, que vem trocando ações e imóveis por investimentos no campo. A equinocultura surge como opção para quem não quer colocar os ovos na mesma cesta e promover uma variação.

Mas, para realizar este tipo de investimento, é preciso se cercar de informações e assessoria de quem tem experiência no ramo. Um exemplo é o empresário do setor de automóveis Marcelo Piccoli, de Porto Alegre (RS). Há 60 dias, ele decidiu entrar no ramo do cavalo Crioulo e comprou uma cota de um garanhão da raça chamado Maragato dos Alpes, que é detentor de títulos de exposições e pai de exemplares que vem comprovando nas pistas a genética campeã do animal.

Piccoli diz que entrou neste meio pela paixão pelos animais que carrega consigo desde pequeno. Mas a paixão também virou negócio e mesmo em pouco tempo já celebra o retorno pelo investimento na venda de uma cobertura (que significa a venda do sêmen do animal para acasalamento ou inseminação artificial). “Faz pouco tempo que entrei neste tipo de investimento e já tive este retorno. Pretendo continuar investindo”, salienta.

O empresário também já adquiriu a cota de 50% de um outro exemplar da raça Crioula. Além do negócio, o investidor também pretende entrar no mundo das competições equestres e vai se preparar para o Freio do Proprietário, modalidade promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). “Como eu gosto de competição, e já competi em moto velocidade por 12 anos ganhando títulos, tenho muita vontade de entrar no pódio do Freio do Proprietário”, ressalta.

Já Marcelo Sulzbach, que é piloto e comandante de aeronaves de uma grande empresa do setor aéreo há 17 anos, decidiu diversificar a carteira de investimentos que já contava com ações e imóveis. Foi aconselhado por um amigo a entrar neste meio no qual se interessou e começou a trabalhar com esta frente, mesmo não tendo ligação com o setor rural. “Eu não lido com o cavalo Crioulo no campo, sou só um investidor. Continuo na minha atividade e uso o cavalo Crioulo como um investimento, assim como a Bolsa de Valores, por exemplo”, destaca.

Sulzbach avalia que, colocando na ponta do lápis, a aquisição de cotas e coberturas vem sendo um excelente investimento pelo retorno em relação à outros setores. Garante que o retorno líquido que tem alcançado é de aproximadamente 6% ao mês, maior do que vem obtendo no mercado financeiro. Uma das estratégias do investidor é comprar na baixa temporada de vendas de equinos e vender na alta temporada. “A oscilação não é a do mercado financeiro, pois existe uma sazonalidade. A época de vendas é sempre a mesma”, afirma.

Um dos modelos mais comuns de investimento é a compra de cotas do equinos, onde o investidor adquire um percentual do animal e tem direito à venda de um número de coberturas anuais. Conforme o exemplar conquista títulos, ou seus descendentes obtém resultados em provas e exposições, o cavalo é valorizado. Um exemplo é o garanhão da raça Crioula JLS Hermoso, que foi comprado pelo proprietário pelo valor de R$ 30 mil e gerou campeões nas pistas da raça Crioula. Em 2014, a venda de cotas do animal garantiu uma valorização de mercado do exemplar em R$ 16 milhões.

Para Gonçalo Silva, diretor da Trajano Silva Remates, escritório de leilões rurais que intermedeia este tipo de negociação, ao contrário do que ocorre em muitos setores, o mercado do cavalo Crioulo vem se mantendo estável desde o ano passado. “Isto é uma prova de que é um bom investimento comparando com imóveis, por exemplo. No que se refere à preços, o setor vem se mantendo estável. Já no que se refere à comercialização e o número de novos entrantes, o setor vem crescendo. Ainda é um segmento que cresce apesar da crise”, observa.

Silva avalia que as tecnologias e novas regras sobre transferência de embriões autorizadas pela ABCCC, vem impulsionando o mercado. “A tecnologia no segmento dos equinos vem avançando a passos largos, principalmente após as novas normativas sobre congelamento de sêmen e transferência de embriões, possibilitando um maior crescimento e ganho a longo prazo. É uma forma de segurança para este investidor”, conclui.

Fonte: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective

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