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TRANSPARÊNCIA Animais passam por inspeções diárias para que não haja maus tratos/ Heloísa Alves

1 de agosto de 2019

PEC dos esportes equestres ainda precisa de regulamentação para ter eficácia

Embora a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos esportes equestres tenha sido aprovada no Congresso Nacional em 2017, existem muitos questionamentos jurídicos a respeito de competições com cavalos e também outros animais, como as que se encerram neste domingo (28) em Araçatuba, pelo Campeonato Nacional da ABQM (Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha). Para o diretor de esportes da ABQM, Henrique Campana, o que falta para a lei ter mais eficácia é a regulamentação de alguns de seus itens.

Segundo Campana, a falta dessa regulamentação, prevista para ser realizada no projeto da PEC dos esportes equestres, faz com que, em alguns casos, a norma acabe não sendo reconhecida. Em Avaré (SP), por exemplo, a ABQM ficou proibida de realizar duas modalidades na cidade depois que o Ministério Público conseguiu uma liminar na Justiça proibindo a realização da prova do laço com a alegação de maus-tratos aos animais, o que fez com que a competição viesse para Araçatuba.

No ano passado, a Câmara de Araçatuba aprovou projeto do Executivo que regulamentou as práticas esportivas, recreativas e culturais envolvendo bovinos e equinos, com o objetivo de garantir o bem-estar dos animais. Na prática, a regra deu segurança para que as competições da ABQM fossem realizadas na cidade.

De acordo com Campana, a ABQM faz questão de chamar os órgãos públicos de fiscalização para conhecer o evento, como aconteceu na última quinta-feira (25) no recinto Clibas de Almeida Prado. “É tudo muito transparente, para não dar margem para questionamentos. Não temos nada a esconder. E se detectarem algo em que podemos melhorar, não há problema para nós”, afirmou o diretor de esportes da entidade.

Ele explicou que, muitas vezes, as pessoas criticam o evento porque não o conhecem de perto. “Não é possível haver maus-tratos. Precisamos dos animais em boas condições de saúde, caso contrário, não tem como realizar as provas”, afirmou Campana, que destacou que há no recinto, durante todos os dias do evento, veterinário responsável pelos bovinos; 24 horas de primeiro atendimento veterinário gratuito para equinos; além de avaliação dos animais antes de eles entrarem no parque.

Além disso, Campana disse que são realizados exames antidoping nos animais para coibir qualquer substância que faça o animal ter vantagem no rendimento, bem como para evitar que o cavalo participe de provas sob efeito de medicação que apenas “mascare” alguma dor provocada por lesão, o que pode piorar a saúde do equino após a competição.

CUIDADOS

O veterinário e juiz da ABQM, Daniel Martins Juncal Verdi, contou que cada animal que fez apresentação nas competições passa pela conferência de equipamentos que são permitidos pela entidade, como embocaduras e barbelas, ocasião em que também é verificado se eles apresentam alguma lesão. Os animais são verificados com equipamento que faz a leitura de microchip com seus dados. Além disso, não são permitidos maus tratos com animais na pista. Caso isso aconteça, o competidor é desclassificado, conforme Verdi.

Já o veterinário da ABQM, Orlando Filho, cuida da parte de gestão dos cuidados dos médicos veterinários, das equipes de manejo e caminhoneiros que transportam os animais. Ele contou que durante o embarque e desembarque dos animais a condução deles é verificada para evitar acidentes, bem como são fiscalizadas as condições dos caminhões onde eles serão transportados.

Orlando Filho esclareceu que o cavalo que não está em boas condições de saúde ao chegar ao recinto é levado para uma quarentena e não pode participar das provas. Em relação aos bovinos, o veterinário contou que é feito um trabalho com seus proprietários. Esporadicamente, a ABQM faz visitas às propriedades, para saber se há necessidade de manejo ou medicação. “Se o bovino não tiver condições de ir para a prova antes do evento, ele nem embarca”, assinalou o veterinário da ABQM.

Fonte: Folha da Região

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