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VICTOR Paratleta sonha em conseguir patrocínio da Organnact/Arquivo Pessoal

17 de agosto de 2019

Paratletas brasileiros vão da equoterapia para a modalidade dos Três Tambores

Mais do que uma modalidade, a categoria paratleta para os amantes dos cavalos conta histórias de superação. Eliane Cristina Baatsch, 40 anos, da cidade de Carapicuiba, São Paulo, é psicopedagoga com especialização em deficiência. Trabalhando com equoterapia desde 1998, ela iniciou nos esportes adaptados no ano de 2004.

Para ela, a evolução dos deficientes que encaram o desafio de aprender a equitação e, sobretudo, uma modalidade competitiva, é gratificante. “É um período de muito aprendizado, treinamento e técnica”, explica ela que diz que a escolha e o treinamento do cavalo que será utilizado por esses atletas é muito importante “até mesmo porque, nos 3 Tambores, o animal precisa compreender o paratleta em seus comandos adaptados, que são diferentes do seu treinamento tradicional”.

Eliane explica que a evolução do conjunto é contínua. “Quando o paratleta evolui em seu contexto técnico na categoria, necessita de adaptação de outro animal e começa os treinamentos novamente. É um trabalho bem específico, minucioso e técnico”. Em seu CT (Centro de Treinamento) os paratletas Gustavo Diniz, de Carapicuíba, e Murilo Carleto, de Osasco, ambos com TEA (Transtorno do Espectro Autista), participam da modalidade de 3 Tambores do Campeonato Paraequestre da NBHA (National Barrel Horse Association) Brazil, que promove competições da modalidade em diversas categorias.

Murilo Carleto participa, ainda, pelo Paratleta da ABQM (Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha), cujas competições pelo Campeonato Nacional ocorreram em Araçatuba entre os dias 20 e 28 de julho último. Pela ABQM, Araçatuba sediará, ainda, o Potro do Futuro, Derby e Copa dos Campeões, que ocorre em outubro próximo. Carleto compete no handicap 4 pela associação. A categoria paratleta nos 3 Tambores foi lançada pela ABQM em 2016. Como cada paratleta tem sua necessidade especial, a Associação criou quatro categorias com níveis diferentes. A categoria, na ABQM, teve início com uma carta da paratleta Veridiana Tranjan Real, onde ela relata ter colocado todos os seus sentimentos pelos animais e pelo esporte.

“Trabalhar com estes atletas especiais é prazeroso e surpreendente, são autoconfiantes, aceitam os desafios e superam os seus limites em cada competição, porque para eles o mais importante é estar lá, não importando a classificação final. É uma comemoração sempre! Vitórias são consequências e a segurança sempre está em primeiro lugar”, revela Eliane. Segundo ela, os paratletas têm esta condição pelas mais variadas sequelas. “Cada paratleta tem sua patologia e suas limitações dentro das características de seu diagnóstico, sendo sequelas pós-acidente ou patologias adquiridas peri, pré ou pós nascimento”. A maior motivação? “É a superação e a garra dos paratletas e das famílias e imprescindívelmente o treinamento do cavalo em sua percepção e atuação na competição, nosso grande parceiro”

14 ANOS
Murilo dos Santos Carleto, 14 anos, é da cidade de Osasco. Competidor na categoria C do Paraequestre da NBHA Brazil e no handicap 4 do paratleta da ABQM, Carleto participa das competições de 3 Tambores há 4 anos. Ele ingressou nas competições a convite de Abelardo Peixoto, na Super Semana do Tambor que aconteceu no Haras Raphaela, em Tietê, São Paulo, um dos berços das competições de 3 Tambores atualmente.

Portador de TEA (Transtorno do Espectro Autista), Carleto também tem deficiência intelectual, segundo Eliane, sua treinadora. Seus maiores incentivadores são a avó, Maria Duda e a própria Hípica Santa Terezinha, onde Eliane atende. Para ela, ver o desempenho de seu atleta em cada uma das competições é um grande motivador. “Infelizmente, ele não pode competir em Araçatuba, pois não conseguimos levar o cavalo, por causa da distância. Portanto, não conseguimos um animal adaptado ao nível dele na região”, finaliza.

Victor Sajous Eduardi, 23 anos, da cidade de Santana do Parnaíba, São Paulo, compete na categoria paratleta da ABQM há um ano. “Eu curto bastante os 3 Tambores. Eu acredito fazer o meu melhor na competição”, explica que tem até patrocinador, sonha conseguir um patrocínio da Organnact, empresa do ramo de suplementação animal que patrocina diversos atletas profissionais em várias modalidades.

EQUOTERAPIA
Método terapêutico que utiliza o cavalo, as técnicas de equitação e as práticas equestres, além de uma abordagem interdisciplinar das áreas de equitação, saúde e educação, a equoterapia busca o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências físicas, intelectuais e social. Regulamentada pela Ande-Brasil (Associação Nacional de Equoterapia), a técnica é regulamentada e reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) que filia os Centros Equestres dentro das normas possíveis para que tenham o benefício de utilização do termo “equoterapia” demonstrando, assim, a aprovação para iniciação dos serviços.

Segundo dados da entidade, os animais devem ser devidamente treinados para a montaria e a aceitação de materiais equestres adaptados, pedagógicos e fisioterapêuticos, além de equipamentos para a equitação e equoterapia.

Para aqueles que avançam para os 3 Tambores, é preciso indicação do médico e treinamento com fundamentação técnica com instrutor capacitado e animal treinado para a modalidade, uma vez que os 3 Tambores é um esporte de agilidade e que exige habilidade do atleta paraesportivo.

Fonte: em Especial, Folha Rural

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