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Mais de 200 cavalos já foram socorridos pela entidade desde 2008; foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

5 de novembro de 2018

ONG atua há 10 anos resgatando animais vítimas de maus-tratos

O trote manso dos 26 cavalos que compartilham o espaço dentro do Santuário da ONG Chicote Nunca Mais, na Região Metropolitana de Porto Alegre, reafirmam a continuidade da luta pelos direitos dos animais.

Violentados, com cascos, rabos e visão deterioradas pela exploração comercial dos bichos, o espaço proposto pela entidade é de recuperação e de luta por um futuro mais digno para esses animais.

Afastados do meio urbano por abusos e maus-tratos dos seus antigos donos, os animais recebem carinho e tratamento necessário para conviver em harmonia e longe da violência urbana que os levou até o abrigo.

Há 10 anos na luta em defesa da vida dos animais, a organização se apresenta como uma célula de continuidade nesse combate – presente há mais de 100 anos na capital gaúcha.

Em 1910, Affonso Hebert e Alfredo Osório fundaram a Sociedade Protetora dos Animais e deram o primeiro passo pela valorização dos cuidados para além dos humanos.

Seguindo esses ideais, Palmira Gobbi – mais conhecida como a combativa Dona Palmira – também tornou-se um importante nome na construção dessa luta em defesa da vida e dos direitos dos animais. Devido ao seu carinho com os bichos, e o seu estilo combativo contra seus agressores, Palmira até hoje é lembrada por aqueles que lutam pela preservação dos direitos dos animais.

A história de Palmira tem relação com a luta de Fair Soares, fundadora e presidente da entidade Chicote Nunca Mais. Para Fair, o legado de Palmira é base para a defesa dos direitos dos animais: “Palmira é o alicerce de toda a proteção animal, porque ela era uma protetora completa”.

A ligação com Dona Palmira se estende para além da admiração: uma das netas de Palmira auxilia financeiramente a manutenção da ONG. Sem utilização de verbas e recursos governamentais, a organização mantém-se com o apoio de seus doadores, parceiros e tutores para continuar a prover um ambiente saudável para os animais.

Desde 2008 atuando com esse objetivo, mais de 200 cavalos já foram socorridos pela entidade, que apresenta um custo médio mensal de R$ 15 mil por mês, no qual concentra despesas com ração e alfafa, veterinários, medicamentos, transporte dos animais, contador, visitas aos candidatos à tutela e reparos estruturais para garantir a maior qualidade de vida para os “hóspedes” do Santuário.

A construção de um novo galpão, com 30 baias para melhor acomodar os animais resgatados, exemplifica os ideais de Fair: “não adianta pegar um animal da rua, se não pode cuidar integralmente”, alerta. Nesse sentido, Fair também alerta aos tutores que apoiam a organização.

Para conceder a tutela a quem se interessar, a ONG aponta itens necessários ao tutor para aprovação. Para ser um tutor, é preciso ter uma propriedade capaz de atender às exigências do animal, não podendo ser em hotelaria ou local cedido, com uma baia para o pernoite.

A alimentação também é regrada: cada cavalo deve receber 4 kg de ração em cocho por dia, mais pasto ou feno em épocas de escassez, além de água fresca em grandes quantidades. Ainda, os cavalos não podem ser utilizados para tração ou esportes, bem como longas cavalgadas, e as fêmeas não podem ser utilizadas para reprodução.

Outro ponto previsto pela entidade é o acompanhamento: o tutor é responsável pelo envio de fotos e vídeos à Chicote Nunca Mais, todos os meses, dos cavalos que estão sob sua tutela. Além disso, a ONG tem o direito de realizar visitas, sem agendamento prévio, quando considerar necessário.

Segundo Fair, essas visitas servem para analisar a situação do cavalo e, em caso de descumprimento das normas, o cavalo retorna para o Santuário à espera de um novo tutor. A presidente da ONG alerta que já houve dois casos nos quais os cavalos não estavam de acordo com o combinado e voltaram para os cuidados da equipe. Na chegada de novos cavalos, o processo se divide na parte legal e nos cuidados com a saúde do animal. Atuando com a advogada da organização, todos os cavalos que a organização recebe, o pedido legal de posse é concedido, tornando a ONG o responsável oficial pelos seus cuidados – mesmo nos casos em que o animal é tutelado, a propriedade legal permanece sendo da ONG.

Nas questões referentes à saúde do animal, a Chicote Nunca Mais trabalha com uma política consolidada: “Quando o cavalo chega aqui, colocamos ele em quarentena, e nesse período, já o castramos”, explica Fair. O período de quarentena, bem como a castração dos machos, faz-se necessário para entender como está as condições físicas do cavalo, visando não espalhar possíveis doenças para os que já estão sob os cuidados da organização.

Esse processo, também influencia na alimentação dos equinos, os com saúde dentária mais prejudicada, recebem alfafa peletizada, para facilitar o consumo. Auxiliando nesse processo, a Ufrgs é uma das parceiras da entidade: “A universidade é nossa parceira frequente e já atenderam mais de 20 cavalos com dificuldades”, aponta.

Outra parceria presente no dia a dia da ONG é a empresa Chemitec Agro-Veterinária, que disponibiliza medicamentos para os cuidados com os cavalos. As parcerias constituídas pela entidade na luta pelos direitos dos animais reafirmam o seu nome: Chicote Nunca Mais.

Fonte: Jornal do Comércio

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