Por Fora
das Pistas

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22 de abril de 2015

O apoio dos pais é fundamental para a prática do esporte

Pouca gente sabe, mas pratiquei hipismo clássico durante 12 anos. Competi profissionalmente, levava o esporte a sério. Quando estava na pista lembrava de tudo que tinha treinado e tentava colocar em prática mas, antes de me concentrar, procurava meu pai na arquibancada. Nem sempre ele estava lá e, quando não estava, meu desempenho caía. Precisava daquele olhar de apoio, queria comemorar uma vitória com ele ou chorar a derrota nos seus braços. Talvez ele não soubesse o quanto era importante, por isso não dava muita bola e muitas vezes estava ausente. E isso é mais comum do que se imagina.

Muitos pais de atletas simplesmente não sabem como se comportar: tem medo de sua presença significar pressão, intimidar. Ao contrário. Prova disso foi um depoimento do querido ex-tenista Fernando Meligeni, outro dia. Na Dica do Fino (programa que ele tem no Youtube), Fininho falou sobre o papel dos pais no esporte, exatamente na semana em que o pai dele deixava a UTI.

Segundo o ídolo, é impossível que um tenista não jogue melhor quando a figura paterna está presente, apoiando. Meligeni reconhece que ser pai de atleta não é tarefa fácil mas garante que tudo fica menos complicado quando o técnico exerce o papel de técnico e o pai o papel de pai. Para ele o mais importante é o pai aceitar a individualidade do filho: cobrando empenho, cobrando resultado sim, mas entendendo que cada um tem seu tempo.

“O companheirismo do pai é fundamental. Muitos dizem que o filho se sente pressionado com sua presença mas, mesmo assim, eu digo pra eles irem. Hoje ele se sente pressionado com você fora da quadra mas amanhã ele vai ter que aprender a lidar com a pressão de patrocinador, imprensa, fã, torcedor chato”, explica. Tudo faz parte do aprendizado.

Mais do que isso. Para Meligeni, que foi N° 25 do ranking da ATP e conquistou a medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2003, o pai tem que estar presente nas competições que o filho participa para abraçar, apoiar e, se necessário, mostrar caminhos, saídas para enfrentar um problema que ele enfrente na quadra. Puxar a orelha quando necessário é importante. Mas dar um abraço de apoio é ainda mais essencial.

O depoimento do Fininho me chamou a atenção porque sei o quanto o pai dele foi presente, tive a honra de acompanhar a carreira desse grande ídolo do esporte e amigo querido de perto quando era repórter esportiva, e porque vem de encontro com o que eu penso. Espero que ele inspire outros pais que têm filhos no esporte. Um beijo pra vocês e pro pai do Fininho que, tenho certeza, vai se recuperar logo!

Fonte: Patrícia Maldonado | Mãe de Salto Alto ; Foto: ThinkStock

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