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foto: Tom Szczerbowski-USA TODAY Sports

24 de julho de 2015

No hipismo não basta ser atleta, é preciso milhões por um bom cavalo

Um negócio que movimenta milhões e no qual a única finalidade é o lucro. É assim que Luiz Roberto Giugni, presidente da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) define o mercado de cavalos para competições.

A afirmação do cartola é uma mostra de que na modalidade não basta ser um bom atleta. É preciso ter bastante dinheiro para adquirir um animal que tenha condições de fazer você brigar por uma medalha, seja em Jogos Pan-Americanos, Mundiais ou Olimpíadas.

Não existem preço fixo pelas montarias. São diversos os fatores envolvidos, como idade, local de criação e feitos na carreira. Mas para um cavaleiro brigar no topo, dificilmente conseguirá isso se não desembolsar uma verdadeira fortuna. Um cavalo top de linha seja para provas de salto, equitação ou adestramento tem seu valor estimado entre 1 e 3 milhões de euros (entre R$ 3,6 e 10,8 milhões).

“O cavalo vale o que ele faz. Um cavalo de Grande Prêmio que faz provas fortes, tem valor astronômico. Vai na casa dos três milhões de euros. Os de salto, às vezes, tem valor maior no mercado. É outro tipo de cavalo”, diz Marcelo Vasconcellos, chefe da equipe de adestramento.

“Das três modalidades, o CCE é o que tem valores menos astronômicos. Mas como este é um ano pré-Olimpíada, em outros países os cavaleiros estão fazendo ofertas bem maiores para levarmos animais aos Jogos Olímpicos. Por isso que é bom ter dois cavalos aptos para disputar a Olimpíada, pois ofertas estão sempre surgindo”, disse Ruy Fonseca, integrante da equipe do Concurso Completo de Equitação.

No hipismo saltos, onde o Brasil tem tradição e chances reais de medalha na Olimpíada, nem todos os competidores contam com cavalos próprios. O campeão olímpico Rodrgio Pessoa, Álvaro de Miranda Neto, o Doda, são donos das próprias montarias. O mesmo acontece com Pedro Veniss e Felipe Amaral, que ficaram com a quarta posição por equipes em Toronto.

Dois integrantes dos time, entretanto, dependem da parceria da Confederação com empresários europeus e de outros investidores, caso de Eduardo de Menezes e de Marlon Zanotelli.

“Hoje, nossa equipe conta com cavalos de alto nível. Mas muitas vezes ficamos dependentes dos donos deles, do negócio que querem fazer e nisso pode acontecer de o cavaleiro ficar sem seu cavalo. É como uma escuderia de Fórmula 1”, disse Luiz Roberto Giugni.

Um exemplo de cavaleiro que já disputou Olimpíadas e segue competindo em nível nacional, mas não consegue encontrar um bom cavalo para integrar o time brasileiro é Vitor Alves Teixeira, que no Pan trabalhou como técnico da Argentina e já pensou até em se naturalizar paraguaio. Hoje com 57 anos, ele participou dos Jogos de 1984, 1988 e 1992.

“Não desisti do sonho. Um pessoal do Haras Império Egípcio (localizado em Cotia-SP) está me ajudando a viabilizar a compra. Vamos ver o que conseguimos”, disse Teixeira.

Mas ele não é o único que encara problemas. Bernardo Alves perdeu o último Mundial por não ter um cavalo de nível. E não competiu em Toronto.

Fonte: Daniel Brito e Fábio Aleixo / Do UOL, em Toronto (CAN)

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