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Steve Guerdat e Nino des Buissonnets no Greenwich Park; Foto: Brian Snyder/zirgam.lv

29 de março de 2016

No galope de Nino, Steve Guerdat volta ao Rio em busca do bi

Gotemburgo, Suécia O nome de um cavaleiro jamais aparece sozinho. À mera citação deste, virá o de sua montaria logo ao lado. Não à toa, no hipismo, fala-se em conjuntos. Ali, os atletas são dois: o ser humano e o animal, na mesma proporção de importância. Quem os monta garante que eles são bem mais relevantes. O suíço Steve Guerdat é um: pelas palavras do atual campeão olímpico de saltos, Nino des Buissonnets é a grande estrela. A outra parte não pode negar, e nem mesmo retribuir os elogios. Só lhe resta pular, e pular alto, para garantir a medalha do seu companheiro e uma coroa em seu pescoço.

É o que espera o cavaleiro de 32 anos, que tentará o bicampeonato olímpico, em agosto, no Rio. Enquanto usa a diplomacia suíça ao comentar os problemas da cidade que sediará os Jogos, é categórico ao falar de Nino: “É o melhor cavalo do mundo”. Admiração e cuidados que levaram Guerdat a escolher outro cavalo para a Copa do Mundo de Saltos, que termina hoje, em Gotemburgo, na Suécia. Ele, que chegou à final após zerar os percursos nos dois primeiros dias, compete com Corbinian.

— Preferi que Nino descansasse após vencer o Grand Prix de Genebra (em dezembro, na Suíça). Agora, ele está sendo preparado para os Jogos Olímpicos, sua próxima competição — disse Guedart, que tem mais de 10 cavalos de competição, a maioria de propriedade do milionário Urs Schwarzenbach, que comprou Nino para o cavaleiro há seis anos.

Apesar de garantir que todos os seus cavalos recebem o mesmo tipo de cuidado, Guerdat não esconde a preferência por Nino, com quem conquistou 10 títulos, incluindo o ouro olímpico, em Londres — o cavaleiro participou da disputa por equipes, conseguindo o quarto lugar. Da raça sela francês, perfeita para saltos, e pelagem marrom, Nino, na opinião do suíço, ficará na História, como Baloubet du Rouet com o brasileiro Rodrigo Pessoa.

— É um cavalo muito especial, tem uma personalidade única, ele merece tudo. É muito impressionante quando ele salta, a forma como passa pelas cercas. Será uma lenda, tem muito ainda para mostrar — acredita o cavaleiro, que se iniciou no esporte aos nove anos.

Para virar uma lenda, Nino, enquanto pertencer ao estábulo onde o suíço treina, terá de ser muitas vezes campeão com Guedart. Uma segunda medalha dourada ajudaria a elevá-lo ao Olimpo de forma definitiva. O cavaleiro, no entanto, não aprecia o status de favorito.

— Eu não acho que eu seja favorito. Há tanta gente que pode ganhar, podemos ver que a cada semana há um campeão. Quase todos os campeonatos têm vencedores diferentes. A dificuldade é muito grande. Claro que eu vou tentar muito, eu tenho uma grande chance pelo meu cavalo. Eu sei que se eu fizer o meu melhor e o Nino estiver num bom dia, tenho grandes chances. Mas há muitos outros com chance — argumentou ele, que destaca os brasileiros entre os grandes cavaleiros. — Eles são muito instintivos, e eu gosto disso.

Dois títulos no Brasil

O Brasil não será novidade para ele, nem para Nino. Aqui, no Rio, o suíço conquistou as edições de 2011 e 2012 do Torneio Athina Onassis. As duas foram na Sociedade Hípica Brasileira, bem longe do Complexo de Deodoro, que ainda não está pronto. Ele não se preocupa com isso. Tem certeza de que tudo funcionará bem.

Problemas como o zika vírus também não entram no rol de preocupações do suíço, que só espera poder fazer o percurso o mais rápido possível e sem faltas. Guedart ressalta que cada país tem suas questões, como o terrorismo que a Europa vem enfrentando. Por isso, ele se afasta das notícias que não dizem respeito ao hipismo, como o momento político do país.

— Se me perguntar sobre o Brasil, eu vejo um país muito alegre, com pessoas felizes. Claro que tem seus problemas. Eu realmente gosto do Brasil, sou fã do futebol, gosto da personalidade dos brasileiros. É um povo muito receptivo. Eu não sou do tipo que gosta muito de política, não estou tão interessado tanto assim — afirma.

Fonte: extra.globo – Tatiana Furtado – O Globo

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