Por Fora
das Pistas

Hall da Fama

Nelton Marcon e Dani Marcon

14 de abril de 2015

Nelton Marcon é o entrevistado do PFDP dessa semana. Confira!

PFDP: Quando começou a praticar o hipismo?
Comecei a praticar o hipismo em 1971, mas antes já dava alguns saltos nos braços do meu pai.

PFDP: Já fez dentro do esporte outras modalidades? Comente.
Gosto de tudo que seja relacionado ao cavalo. Já joguei pólo por diversão, participei em uma prova de CCE, competi em adestramento, mas minha especialidade sempre foi o salto.

Nelton montando a égua VDL Adessa; foto: reprodução

Nelton montando a égua VDL Adessa; foto: reprodução

PFDP: Participou das categorias de base? Alguma vitória inesquecível?
Na minha infância e juventude não existiam Mini-Mirim e nem as subdivisões de hoje como Pré-Mirim e Pré-Júnior. Participei nas categorias Mirim e Júnior. Como Mirim fui bi-campeão de Brasília e vice-campeão brasileiro. Como Júnior fui bi-campeão de Brasília, uma vez campeão brasileiro e duas vezes vice-campeão brasileiro. Integrei a equipe do Brasil nos meus quatro anos de Júnior nos campeonatos americanos, conquistando as medalhas de ouro, prata e bronze. Nesta época não havia provas específicas para Mirins e Júniores além dos campeonatos brasileiros. Tínhamos que esperar completar 16 anos para poder competir com os sêniores. No primeiro ano que pude competir junto aos seniores veio uma vitória marcante que foi o Concurso Atlântica Boavista no Rio de Janeiro. Era dos pouquíssimos concursos que davam carro de prêmio. Os quatro melhores da semana voltavam à pista para uma disputa especial por este prêmio. Classificaram-se Luis Felipe de Azevedo, Jorge Carneiro, Elizabeth Assaf (que era tri-campeã da prova) e eu. Detalhe três cariocas…imagina para onde estava a torcida??? Beth foi a primeira a entrar e cravou um zero rapidíssimo. Eu era o segundo e entrei para o tudo o nada…deu TUDO!!! Felipinho e Jorge Carneiro não conseguiram melhorar meu resultado. Realmente foi emocionante, pois era apenas a segunda vez que eu competia contra estas feras que integravam a equipe brasileira de sênior daquele ano juntamente com o Vitor Alves Teixeira.

No CSI de 1991

No CSI de 1991

PFDP: Acha que o esporte sofreu grandes alterações de dez anos para hoje? Comente se as mudanças foram positivas ou negativas.
O hipismo vem evoluindo sempre. Confesso que não vejo uma mudança técnica radical nestes últimos dez anos no salto.

PFDP: Qual foi seu melhor cavalo até hoje? Por quê? Comente filiação e conquistas.
O meu melhor cavalo sempre é o que estou montado no momento. Muitos foram importantíssimos: Xexeo o primeiro. Mithay, Suzy e Oh!Xente na categoria Mirim. Parthenon, Charbon e Encanto na categoria Júnior. E muitos que marcaram a minha carreira como Canyon, Proteu, Elmo, Passion, Frisson, Avalon SL Supremo…entre tantos. Nos anos em que morei na Colômbia muitos me deram várias alegrias mas Hogareño (PSI) com muitas classificações, Nibelungo (SRD) que me levou a vencer um GP seletivo para World Cup e principalmente Freedom (Capitol), com quem ganhei inúmeros GP’s  e potências, foram especiais. Recentemente Caroline Jmen (Calisco JMen) e QH Cosmos com quem obtive boas classificações em GP’s e Mini-Gp’s.

Hoje, aqui nos USA, a principal é VDL Adessa que estamos começando a fazer conjunto agora. Se for para falar de sangue de garanhões no Brasil sou um fã incondicional do Landritter. Montei e comercializei inúmeros produtos dele e todos funcionaram no que se propunham a fazer. Hoje tenho admiração pelo Calisco Jmen. Tenho expectativa e acredito que o Darco SH poderá colocar bons produtos no mercado pois tenho vistos lindos potros nascendo. Tenho um potro em parceria com o Shaady Cury, que é o proprietário do Darco SH, em que ponho boas esperanças. Logicamente o acesso aos melhores garanhões mundiais é muito mais fácil hoje em dia.

PFDP: Quando optou em seguir carreira no esporte? Teve algum grande ídolo ou um incentivador?
Profissionalizei-me aos quinze anos no Haras Pioneiro, mas como Mirim já fiz meus primeiros “negocinhos”.
O meu principal ídolo e incentivador foi, é e sempre será meu pai, Juarez Marcon, que é uma “instituição” do hipismo. Tenho muito a agradecer a grandes cavaleiros que além de serem meus ídolos me ajudaram com suas aulas, dicas e apoio. Gostaria de citar o Neco (Pelé do hipismo), o Alfinete (estilo incomparável), Luis Fernando Marcondes de Albuquerque (o mais rápido que já vi), Cel. Renyldo Ferreira (enciclopédia do hipismo), Luíz Felipe de Azevedo (um  gênio), Vitor Alves Teixera (eficiência total) e atualmente Rob Ehrens ( treinador da equipe da Holanda). Não posso deixar de citar os amigos Tiago Camargo e Djalma Ferreira Jr com suas dicas sempre construtivas. Muitos outros me ajudaram e peço desculpas aos que não citei.

O brasileiro Nelton M.

O brasileiro Nelton M.

PFDP: Qual a principal mudança que percebeu nos últimos tempos na elaboração dos percursos?
Os desenhadores de percurso estão cada dia mais técnicos em seus traçados. Hoje em dia o tempo do percurso está cada vez mais sendo um fator decisivo. Tenho sentido aqui nos USA uma diferença grande em relação ao Brasil no tocante ao pouco tempo de recuperação e respiro para os cavaleiros entre um salto e outro. Eles são colocados próximos e com mudanças de direções constantes. As linhas são colocadas sempre com opções de lance a mais ou a menos. Quem opta por fazer lances a mais e utilizando em excesso as mãos invariavelmente está no excesso de tempo.

PFDP: Se pudesse voltar no tempo, qual concurso você traria para a atualidade? Por quê?
O Pão de Açúcar (SP), o Atlântica Boavista (RJ) e a Copa CEPEL (MG), pois eram os mais movimentados. Também a Copa Imperial Diesel (PE) que me traz excelentes recordações, pois foram realizados dois GP’s e venci ambos.

PFDP: Onde monta atualmente?
Atualmente monto em Wellington-USA, mas também tenho uma base em Ribeirão Preto – São Paulo.

PFDP: Qual é a sua rotina de treinos?
Montar…e montar…e montar…”every day, seven days a week”!!!!

Trabalho muito os cavalos no plano e com varas sobre o chão. Salto pouco os cavalos pois considero que eles devem ser preservados em seu desgaste muscular e articular. Se não há nenhuma competição na semana faço uma ginástica de salto para cada cavalo com o objetivo de melhorar alguma necessidade específica em seu desempenho.

PFDP: Qual a é sua programação para o ano em curso?
Acabo de fazer a temporada completa da WEF em Wellington que foram três meses de prova. Dediquei-me mais aos alunos que vieram para montar em minha casa que a mim mesmo.

Recebi cavaleiros do Brasil, Chile, Colômbia, Bolívia, Panamá e USA durante toda a temporada. Os resultados foram tão bons que não fiquei chateado por não ter tempo para eu saltar como gostaria. Para o segundo semestre, como estamos recém chegados nos USA, deveremos fazer alguns concursos em Tryon na Carolina do Norte e New York.  As demais competições farei aqui em Wellington pois são realizados pelo menos dois concursos por mês.

PFDP: Qual é a principal meta a ser cumprida?
Neste momento é estar completamente organizado e com um forte time de cavalos para a WEF do ano que vem. Parece muito tempo, mas  ele passa rápido. Estou pouco a pouco montando uma nova equipe de profissionais e cavalos.  Preparando novas instalações para receber melhor ainda os clientes que querem competir aqui nos USA. Aproveito para me colocar a disposição e convidar a cavaleiros e proprietários para desfrutar conosco desta cidade que respira cavalo todos os dias do ano.

PFDP: Conta com quais cavalos para as provas fortes da temporada?
Neste momento estou sem justamente pela resposta acima. Estamos começando uma nova etapa.

PFDP: Se pudesse montar qualquer cavalo do mundo, qual seria? Comente!
Sem dúvida hoje seria o Cortes C da Beezie Madden pela sua capacidade e simplicidade. No passado recente o Hickstead pelo seu caráter e em um passado mais longínquo o Gem Twist.

PFDP: Para encerra, conte-nos alguma vitória/prova que foi inesquecível!
Várias foram inesquecíveis como a do Atlância Boavista que citei acima. O título Brasileiro que eu já havia “dado na trave” algumas vezes. Vencer a seletiva para a World Cup do cone norte da América do Sul, porém a minha primeira prova internacional em Rabat no Marrocos foi emocionante. Era a minha primeira participação em um concurso FEI e venci logo na estréia. Escutar o hino Nacional e ver a bandeira do Brasil ser hasteada em minha primeira participação me levou a muitas lágrimas…

Gostaria de agradecer ao PFDP, que é um meio importantíssimo no nosso meio hípico, por esta oportunidade de contar um pouco da minha história.

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