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Evento teste de Hipismo no parque olímpico de Deodoro. Foto: Ricardo Borges/Folhapress.

7 de março de 2016

Medo de doença prejudica hipismo do Brasil às vésperas da Olimpíada

O receio em relação ao mormo, doença equina letal, afeta a programação de todos os países para as provas de hipismo dos Jogos do Rio-2016. Mas prejudica o Brasil especialmente.

A doença, transmitida por uma bactéria, levou o governo federal a interditar diversos haras pelo Brasil e, por segurança, provocou o isolamento do local de competição, no complexo de Deodoro. As delegações só poderão chegar ao local na véspera dos Jogos Olímpicos.

Essa decisão tirou da seleção nacional a vantagem preliminar de ter uma competição dentro de casa.

No caso da equipe de saltos, que tem como destaques os medalhistas olímpicos Rodrigo Pessoa e Álvaro de Miranda Neto, o Doda, foi preciso rever a preparação e até recorrer ao improviso.

Segundo o diretor do time, Caio de Carvalho, o plano era que os ginetes e seus cavalos, que têm a Europa como base, “chegassem ao menos um mês antes [dos Jogos do Rio] para treinarem no Brasil”.

Com a mudança, a delegação deve desembarcar no Rio só em 8 de agosto, três dias após o início do megaevento.

Segundo o dirigente, a aclimatação no país seria um diferencial em relação à concorrência. Quinto colocado nos Jogos Equestres Mundiais em 2014, o grupo é cotado a medalha –foi bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000.

A solução encontrada foi fazer o ajuste final no exterior. A base será o centro de treinamento de Doda em Valkenswaard, na Holanda
.
“A seleção até poderia vir ao Brasil antes dos Jogos treinar, mas os cavalos não poderiam voltar para a Europa, por causa das leis e porque todos são baseados lá”, afirmou Carvalho, ginete olímpico em Los Angeles-1984.

Um dos representantes do Brasil na equipe de adestramento no Pan de 2015 e no Mundial de 2014, o cavaleiro Pedro Almeida, 22, precisou adaptar sua preparação na busca de uma vaga nos Jogos.

“A Europa proibiu a entrada de cavalos vindos do Brasil, portanto temos que fazer uma quarentena antes de ir para Alemanha”, explica Pedro, que está na Argentina com o irmão gêmeo Manuel, à espera do embarque para as competições europeias.

“Se algum cavalo for pego com sintomas, não pode participar dos Jogos, por isso, os times de CCE [concurso completo de equitação], salto e adestramento já estão fora do Brasil e ficarão até os Jogos.”

Como os cavalos de Pedro e do irmão são de criação própria, no Brasil, eles tiveram que fazer a parada na Argentina. A irmã mais velha, Thaisa Almeida, 26, preferiu cumprir a quarentena nos EUA. Já Luiza, 24, irmã que competiu nas duas últimas Olimpíadas, já treina na Alemanha.

“Deodoro está com um problema sério de mormo, por isso nenhum cavalo ou cavaleiro quer treinar lá”, diz Pedro.

O local que vai sediar as provas do hipismo na Rio-2016 recebeu em agosto do ano passado um evento-teste, mas sem estrangeiros.

Na ocasião, dois cavalos oriundos de um haras de São Paulo interditado por suspeita de mormo participaram depois que o dono dos animais apresentou testes negativos válidos por 60 dias.

OUTRO LADO

Segundo a FEI (Federação Equestre Internacional), o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) informou que não foi observado sinal de mormo nos cavalos em Deodoro antes da preparação do local para os Jogos Olímpicos.

“Como precaução adicional, todos os cavalos do Exército em Deodoro foram submetidos a mais testes. E fomos informados de que estas amostras foram todas devolvidas com resultados negativos”, diz a FEI à Folha.

Um corredor sanitário vai ser montado entre o aeroporto internacional do Rio e as instalações em Deodoro para garantir a segurança dos cavalos que chegarão da Europa. Como parte das medidas de biossegurança, as áreas olímpicas estão fechadas desde 29 de janeiro. Os cavalos chegarão ao Rio a partir de 29 de julho, segundo a FEI.

A CBH (Confederação Brasileira de Hipismo), confirma que os locais estão isolados. “A segurança sanitária é garantida pelo vazio sanitário. Não há cavalos em Deodoro há mais de oito meses, portanto, o lugar é livre de doenças”, disse Luiz Roberto Giugni, presidente da CBH.

“A CBH, em parceria com COB [Comitê Olímpico do Brasil] e Ministério do Esporte, enviou a grande maioria de seus cavalos para treinar no exterior. Os animais para ficarem no Brasil seguem com sua preparação inalterada. Estão baseados em clubes e maneges [locais de treinos de equitação] controlados e livres de doença”, disse.

ENTENDA O CASO: O QUE É MORMO?

O que é?
Trata-se de uma doença equina letal transmitida por uma bactéria

Como ele é transmitido?
Por meio de fluídos como saliva, fezes e sangue

Como está a situação no complexo de Deodoro?
O Ministério da Agricultura interditou diversos haras pelo Brasil por suspeita de mormo. O complexo equestre de Deodoro, palco das disputas na Rio-2016, virou alvo de polêmica quando, em fevereiro de 2015, foi fechado para a realização de evento-teste em agosto daquele ano. O isolamento foi feito para criar o vazio sanitário e ficará assim até as vésperas dos Jogos

O que é vazio sanitário?
É uma norma internacional que contempla várias medidas sanitárias, como a retirada de qualquer animal de determinada área por um período para evitar transmissão de doenças

Fonte: Folha SP/Ricardo Borges/Folhapress

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