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Aos 24 anos, amazona chega ao Rio para disputar a terceira Olimpíada e quer usar a experiência para ir pela primeira vez à semifinal: "Seria como ganhar uma medalha" (Foto: Liz Gregg/FEI)

10 de agosto de 2016

Luiza Almeida vai para a terceira Olimpíada da carreira

As respostas são calmas, maduras e realistas. Na conversa, a impressão é de falar com uma mulher mais velha, calejada por muitos anos no esporte. Mas do outro lado da linha está Luiza Almeida, de 24 anos. Com essa idade, chama atenção a forma como a amazona do hipismo adestramento trata a disputa da Olimpíada do Rio de Janeiro. Demonstra animação, mas sem a euforia exagerada que costuma atingir um jovem. O currículo ajuda a explicar a maturidade.

Luiza Almeida disputará neste ano a terceira Olimpíada. Na primeira, em 2008, tinha apenas 16 anos e se tornou a atleta mais jovem do hipismo a disputar os Jogos Olímpicos. Na Rio 2016, é a integrante mais nova da delegação brasileira dentre os que tem duas Olimpíadas na bagagem (a judoca Mayra Aguiar tem a mesma idade e duas Olimpíadas, mas é um mês mais velha).

– Minha cabeça mudou muito (em comparação com a primeira Olimpíada que disputou). Aprendi a lidar melhor com a pressão. Será muito importante ter essa experiência de outras Olimpíadas. (…) O adestramento evoluiu muito no Brasil também. Conseguir estar na Olimpíada de Pequim já foi uma grande vitória. Nunca tínhamos levado um time. Em 2012, batalhei pela única vaga da América Latina. O adestramento melhorou bastante no Brasil. Isso é importante para o esporte – comentou a amazona, que treina na Alemanha.

Na Olimpíada do Rio de Janeiro, o Brasil terá a equipe mais nova de adestramento dentre os países que disputarão a modalidade: média de 21 anos. Os outros integrantes da equipe são João Victor Oliva, Giovanna Pass e o irmão de Luiza, Pedro Almeida. Esta é a primeira vez que o país terá um time completo no adestramento em Jogos Olímpicos.

Luiza é a mais velha do time e a única que já esteve em uma Olimpíada. Promete passar a experiência para os companheiros, assim como diz que também aprenderá com eles. Destaca o crescimento do hipismo adestramento no Brasil com esse fato da jovialidade da equipe e acredita que a geração tem condições de se firmar como representante do país nos próximos Jogos.

A largada do adestramento na Rio 2016 será hoje, 10 de agosto. Luiza tem na ponta da língua a meta que pretende atingir na competição.

– Quero bater meu próprio recorde lá dentro. Passar para a semifinal, para nós, seria como ganhar uma medalha de ouro. A ideia é ficar entre os 30 dos 60 que estão disputando. Estamos confiantes e animados. (…)  – disse a atleta, que monta no cavalo lusitano Vendaval.

– A ansiedade já começou a bater. Quero chegar, competir e representar bem o país. Mas lido muito bem com a pressão. Levo a pressão para o lado positivo. Vou procurar dar o meu melhor. Acho que será uma experiência muito boa. Poder representar o Brasil no próprio país é uma sensação muito boa – destacou.

As provas de hipismo na Olimpíada começam a ser disputadas em 6 de agosto, em Deodoro.

Quem viu Luiza Almeida chegar aos 16 anos à Olimpíada de 2008 pode ter se assustado com a precocidade do fato. Ainda mais em um esporte disputado principalmente por veteranos. Mais precoce ainda foi o início dela no hipismo. Neta de um criador de cavalos manga-larga, filha de uma amazona de salto e de um pai criador de cavalos, Luiza traz a paixão pelos cavalos na genética. Cresceu montando no animal.

A primeira modalidade a ser praticada por ela foi salto, mais conhecida e consagrada no Brasil. Mas as quedas fizeram Luiza começar a treinar adestramento. A princípio, a ideia era apenas melhorar a montaria no cavalo. Porém, de treinos em treinos, mudou os planos.

– Minha família toda é envolvida no hipismo. Minha mãe foi uma cavaleira de salto. Meu pai começou a criar a raça lusitano, que eu uso. Tinha cavalo para todo lado (risos). Desde pequena, monto nos animais. Aos 13 anos, fui para o adestramento. Era para ser temporário. Acabei gostando e não quis mais sair. O adestramento é a verdadeira equitação. Você usa em qualquer modalidade. Aprender a controlar o animal. Ele é a base mesmo – comentou.

Na família Almeida, aliás, os quatro filhos aprenderam a montar em cavalos na infância. Cresceram no esporte e chegaram à convocação para a Olimpíada do Rio de Janeiro com índice para representar o Brasil no adestramento. Luiza e Pedro foram convocados como titulares. Manuel ficou como reserva. E Thaisa, a mais velha dos quatro, não foi relacionada.

A possibilidade de poder ir para a Olimpíada com Pedro Almeida, e ver Manuel como reserva, é comemorada por Luiza.

– É maravilhoso. Eles vieram para a Europa em março. Na Alemanha, moro com o Manuel. O Pedro treina em outra cidade. Mas em São Paulo moramos na mesma casa. Sempre conversamos, treinamos juntos em São Paulo… Um ajuda o outro – afirmou.

Luiza Almeida é estudante de Direito e já chegou a fazer estágio em escritório de advocacia. Apesar de gostar da área, não tem a intenção de trocar o hipismo. Após a Olimpíada, pretende terminar a faculdade, porém vai seguir no Direito apenas se for possível conciliar com o adestramento.

A atleta também chama atenção pela beleza. Luiza trata a questão com naturalidade, mas evita buscar destaque com isso.

– Levo na brincadeira. Não é algo que eu me preocupo. Procuro pensar mais no hipismo mesmo – disse.

Fonte: Globo Esporte

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