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Jovens do Serviço de Acolhimento Institucional da Semas participam de oficina com cavalos

25 de março de 2017

Interação com cavalos promove lições de confiança para jovens

Meninos e meninas do Serviço de Acolhimento Institucional da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) participaram de oficina com cavalos. O encontro contou com a participação de dez jovens, que vivenciaram o método desenvolvido pelo adestrador de cavalos norte-americano Monty Roberts, chamado de Join-Up.

O método consiste no adestramento de cavalos sem uso de violência contra o animal. Para isso, são realizadas atividades que estimulam o desenvolvimento da confiança, da comunicação da não-violência e da liderança entre os seres humanos e o cavalo.

Para a secretária de Assistência Social de Maceió, Celiany Rocha, propiciar esse tipo de vivência aos adolescentes acolhidos no Serviço Institucional de Acolhimento da Semas é primordial para aprimorar o desenvolvimento socioafetivo dos jovens.

Este foi o terceiro contato dos garotos do Acolher com os cavalos. Já para as meninas da Casa de Passagem Feminina Luzinete Soares de Almeida, foi a segunda vez que elas participaram da oficina.

“Nunca tive medo de cavalo porque quando morava em Teresina com a minha família, meu pai era da vaquejada e sempre tive contato com esses animais. Até tinha uma égua chamada Gabriela. Participar das oficinas me fez aprender coisas que eu não sabia, tipo, que cavalo faz as unhas”, diz a adolescente de 14 anos, cujo nome será preservado, a exemplo dos outros jovens ouvidos pela reportagem.

Já o jovem de 17 anos que também participou das três vivências diz que aprendeu a não maltratar os animais e que ao conquistar a confiança do cavalo, pode também controlar determinadas situações do dia a dia, usando a conversa para resolver conflitos.

Para a adolescente de 15 anos, cavalgar pela primeira vez ocasionou a ela a sensação de liberdade. “Foi maravilhosa a sensação! Não tive medo! Quando fechei os olhos, senti como se estivesse voando!”, descreve, emocionada, a menina.

O instrutor da oficina, Miguel Lupiano, explica que a vivência é realizada para a superação do medo por parte dos meninos e meninas. “Ao superar o medo, eles adquirem confiança. Embora o medo seja importante para nos manter vivos, não significa que a gente possibilite que o medo tome conta de nossas vidas”, esclarece Miguel.

Comunicação com o cavalo

A intenção das oficinas é promover a cultura da paz e da não-violência, ao construir as vivências com os jovens do Serviço de Acolhimento Institucional da Semas.

“O método utilizado é Join-Up, que consiste no desenvolvimento de uma abordagem de adestramento não violento de Monty Roberts, processo que o adestrador norte-americano chamou de Equus”, ensina Miguel.

No Brasil, esse trabalho é desenvolvido pelo Galope da Esperança, em Alagoas, Brasília e no Rio Grande do Sul. “Equus” é o nome dado à descoberta de Monty Roberts ao observar os cavalos. Ele percebeu que os animais têm comunicação própria ao lidar com o ser humano e cabe ao adestrador descobrir esses sinais para se comunicar com o animal.

“O que nós fazemos, então, nada mais é do que a construção de um processo de comunicação, por meio do comportamento animal e humano, uma forma de interpretar os sinais produzidos pelos corpos do cavalo e do homem, com a intenção de estabelecer uma relação de confiança, explica Miguel.

Parcerias

A realização da terceira edição da oficina com os jovens do Serviço de Acolhimento Institucional da Semas só foi possível graças às parcerias entre a Semas, a Organização Não-Governamental Galope da Esperança e o Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Alagoas.

“Graças à parceria entre a Semas e a PM, foi possível compartilharmos três edições da oficina com os jovens alagoanos e a partir de agora, vamos programar os próximos encontros que deve ocorrer a cada três meses, já que agora fazemos parte de uma organização internacional chamada Lead-up, que é responsável pela formação de líderes que promovem em todo o mundo a cultura da paz”, diz a veterinária Sônia Lages, responsável pelos trabalhos do Galope da Esperança em Alagoas.

Em Bebedouro, a manhã nublada não atrapalhou os trabalhos dos instrutores e jovens. Pelo contrário, transformou-se no cenário perfeito para a vida dos adolescentes, que embora afastados de suas famílias, esperando um lar para serem adotados, encontraram nos cavalos mais um amigo, mais uma companhia para dividir a vida com mais carinho.

Fonte: Tribuna Hoje

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