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21 de maio de 2017

História – Cavalos brancos atraem menos moscas

Os citas não faziam questão de uma cor específica. Foram encontrados genes de cavalos pretos, marrons e beges – essa variedade toda na funilaria e pintura é comum em espécies domesticadas, e vem acompanhada, em geral, de orelhas caídas, cérebros menores e uma redução no número de hormônios responsáveis por comportamento arisco e violento.

Eles também não ligavam para o conforto. Nos cavalos, a presença ou ausência de um gene específico associado à coordenação motora dá a eles a habilidade de trotar – um meio termo entre uma corrida e uma simples caminhada que torna o balanço menos desgastante. As montarias citas, porém, não continham esse “botão mágico”.

Na média, o povo asiático foi mais consciente na hora da domesticação que os criadores de cavalos contemporâneos. Os citas mantinham grupos de cavalos muito heterogêneos, com saúde forte e adaptados para diferentes finalidades na vida civil e militar. Hoje, só um pequeno número de machos com características desejáveis é usado para fecundar todas as fêmeas – o que gera descendentes bons para uma finalidade específica, no caso, as corridas, mas com pouquíssima variabilidade genética e maior propensão a várias doenças.

Segundo o jornal norte-americano Washington Post, esse não é um problema contemporâneo. É provável que a rápida expansão do Império Romano – e com ele, a disseminação de “famílias” muito específicas de cavalos por todo o mundo ocidental – tenha sido o gatilho desse processo de seleção artificial. Para os pesquisadores, foi essencial encontrar esqueletos que têm em média 2,5 mil anos. Eles estão bem no centro da relação de 5 mil anos entre humanos e cavalos, e permitem estabelecer até que ponto o processo de domesticação havia caminhado naquele período.

Ser ou não capaz de domesticar animais foi uma habilidade decisiva na história da civilização. No livro Armas, Germes e Aço, o biólogo e geógrafo Jared Diamond constrói uma teoria que explica o ritmo do desenvolvimento tecnológico de povos de diversas partes do planeta com base nas oportunidades que cada uma teve de domesticar animais e plantas úteis ainda na pré-história.

As vacas, por exemplo, são descendentes de animais chamados auroques, extintos em 1627. Eles eram grandes, chifrudos e nada dispostos a colaborar conosco – milhares de anos de seleção artificial os transformaram nas vacas atuais, gordinhas e simpáticas. A disponibilidade de animais como elas, os camelos e os cavalos na Eurásia e não nas Américas, segundo Diamond, teria dado aos povos do Velho Mundo uma dianteira razoável – a disponibilidade de comida permite que uma população se dedique a outras atividades além da caça e da coleta.

No caso dos cavalos, essa vantagem vai além – pois permitiu vitórias militares que, se não tivessem ocorrido, teriam mudado a história da humanidade. É muita responsabilidade para uma crina só.

Fonte: Super Interessante

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