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Cavalos do CCE (Concurso Completo de Equitação) chegam A Deodoro para os Jogos - Gabriel Nascimento / Rio2016

2 de agosto de 2016

Hipismo: égua Lissy Mac Wayer se destaca por temperamento difícil

Às vésperas das grandes competições, a alemã Lissy Mac Wayer costuma perder o apetite. Temperamental, não aceita qualquer comida e faz cara feia até provar algo que lhe agrade. O comportamento requer cuidados redobrados do seu staff, com o objetivo de manter o condicionamento necessário para uma atleta do ironman do hipismo.

Para isso, a parceira de Márcio Jorge Carvalho no CCE (Concurso Completo de Equitação) recebe cerca de oito quilos de ração especial por dia, trazida da Europa, que ajudam na manutenção do seu peso: algo em torno dos 500 quilos.

— Ela é uma égua complicada de comer. É um pouco estressada, e temos que dar rações mais volumosas para que coma aos poucos. Tentamos revezar o tipo de ração ao longo do dia para que ela coma alguma. Quando chega perto da competição é pior. Não quer comer nada, e temos que ficar em cima o tempo todo — conta o veterinário da equipe de CCE do Brasil, Eduardo Pacheco, que chegou ao Rio na madrugada de sexta-feira no voo que trouxe os primeiros 34 cavalos, incluindo os cinco do time nacional.

O tratamento dispensado a Lissy, de 13 anos, que custa mais de € 3,5 milhões, não é exclusivo. Todos os animais recebem cuidados especiais, de acordo com suas especificidades. Cada um terá sua baia no Centro de Hipismo, em Deodoro, com mais de nove metros quadrados. Todos têm seu próprio tratador, um veterinário por país, além da equipe da competição.

— Há medição de temperatura duas vezes por dia, e são alimentados em três grandes porções de ração. Além disso, têm à disposição feno e alfafa (no caso do Brasil, foi trazido um tipo especial dos Estados Unidos), que varia de quatro a cinco quilos — explica o veterinário, detalhando os tipos de comida dos cavalos. — O gasto calórico dos animais do CCE é muito alto. Precisam de proteína na ração para manter a musculatura e suplementos que melhoram a parte articular. Hoje em dia, há rações que liberam energia aos poucos, para cavalos mais raivosos, outras que liberam menos, para os estressados, e ainda algumas que ajudam a digestão dos mais velhos.

Lissy e os demais cavalos da equipe brasileira do CCE já estão alojados em Deodoro. Após quase um dia de viagem, eles tiraram o sábado de descanso, com apenas uma caminhada para soltar a musculatura. O treino pesado só começa a partir de terça, três dias antes da primeira inspeção oficial.

— O treinamento deles é extenuante (saltos, adestramento e cross country). Começamos o ciclo com 25 cavalos, e sobraram seis. Muitos se machucaram no meio do caminho e, para estar aqui, têm de estar no topo do condicionamento. Por isso, recebem tantos cuidados — encerra Eduardo Pacheco.

Fonte: O Globo – por Tatiana Furtado

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