Radicado em São Paulo, desde os seus 17 anos, Matheus, o Xuxu, hoje em atividade no Clube Hípico de Santo Amaro (SP), vem colhendo os frutos de seus empenho e dedicação.
Conhecido pela seu impecável estilo de montar, na temporada 2012, destaque para a conquista do 2º posto no GP da 1ª Etapa do Oi Brasil Horse Show, em 14/4, na Sociedade Hípica Brasileira, montando Skadron, animal de propriedade de sua aluna Stephanie Castueira.
 Matheus Ferreira Ferreira Gomes, o Xuxu, mostrou toda a sua categoria levando Skadron ao vice-campeonato no GP Oi na 1ª Etapa do Oi Brasil Horse Show; foto: Beatriz Cunha |
A receita do sucesso? Para Matheus,"no hipismo não existe milagre. Mas muito trabalho, dedicação, empenho e obstinação." O Brasil Hipismo entrevistou Matheus e apresenta um pouco de trajetória desse talentoso ginete.
Brasil Hipismo. Como e com quem você começou a montar?
Matheus Ferreira Gomes Correa. Comecei a montar cavalo aos 4 anos de idade, com certeza por influência do meu pai Luis Ferreira, que é profissional do esporte e sempre me incentivou. Até a minha vinda para São Paulo, aos 17 anos, ele dividia suas responsabilidades diárias entre ser pai e professor!
 Luis Ferreira Gomes, cavaleiro e instrutor de diversas gerações de jovens talentos em Brasília, inclusive, de seu filho Matheus, o Xuxu | Brasil Hipismo. Você se lembra da sua primeira grande conquista?
Matheus. Não me lembro como foi a minha primeira prova. Mas com 8 anos, em 1996, saltei o meu primeiro Campeonato Brasileiro na categoria Mini mirim em Curitiba. Fomos campeões por equipe e, no ano seguinte, em 1997, consegui o título de campeão brasileiro mini mirim no Rio de Janeiro. Foi muito emocionante o desempate, tinha muitos competidores e tive a sorte de cravar o tempo.
Brasil Hipismo. Quais os seus principais títulos na categorias de base?
Matheus. Fui tricampeão brasiliense de mirins. Em campeonatos brasileiros da categoria Junior consegui um 3º e 4º lugar. Em 2008 fui campeão brasileiro de young riders em Deodoro no Rio de Janeiro.
 Com Soy Homero Z, Matheus salta para a vitória no Brasileiro de Young Riders 2009 no Rio de Janeiro; foto arquivo FPH / Tupa Vídeo |
Brasil Hipismo. Você tem um estilo de montar muito apurado tecnicamente e bonito (parece que nasceu na Europa… rs.. ). A que ou a quem você atribui isso?
Matheus. Desde garoto, eu assitia bastante os concursos europeus, sempre achei bonito a forma que montavam, conduziam os seus cavalos e me inspirava nesse estilo de montar. Acredito que uma boa postura e um bom equilíbrio facilitam as coisas para o cavalo na hora do salto.
A meu ver, esta questão de postura vem de cada pessoa, da dedicação, mais do que uma pessoa estar debaixo todo dia cobrando. A auto critica é o melhor professor para isto!
Brasil Hipismo. A seu ver qual o percentual de talento e de trabalho para ter bons resultados?
Matheus. Nunca vi resultado sem dedicação nem dedicação sem resultado! O hipismo é um esporte que necessita de muito esforco, empenho, tempo, mesmo assim chegar à vitoria é muito dificil. É uma soma de tudo que se trabalha com uma dose de sorte, de dia, de momento!
Brasil Hipismo. Desde quando você mora em São Paulo? Conte um pouco a sua trajetória desde a sua chegada e quais são as suas principais atividades hoje.
Matheus. Vim para São Paulo aos 17 anos para trabalhar no Haras SL, passei quase um ano lá. Tive uma passagem breve pelo Haras Salamandra como segundo cavaleiro e logo depois fui montar na Quality Horse, onde passei três anos.
Depois tive a oportunidade começar a andar com minhas proprias pernas foi quando virei cavaleiro do Haras Salamandra. Comecei a montar em Santo Amaro, onde estou até hoje, trabalhando com proprietários, alunos, fazendo um pouco de tudo!
 Matheus, também conhecido por Xuxu, no Clube Hípico de Santo Amaro, entidade que representa há três anos |
Brasil Hipismo. Quais as suas principais conquistas já na categoria Senior e atuais montarias?
Matheus. Na categoria Senior, fui vice campeão brasileiro 2009, classifiquei em alguns GPs, como Juiz de fora, Polana, Indoor na Hípica Paulista, Rio de Janeiro, entre outros.
 Matheus com Salamandra Alve Z em pista no Indoor de 2011; foto: Anna Paula Carvalho |
Hoje estou com um cavalo do Haras Salamandra que fica em Santo Amaro, que se chama Climax que está subindo para a serie forte agora.
Entre os potros têm um de 6 anos que promete muito que se chama Baloubest, criação do Haras Salamandra. Também salto o Skadron nos concursos mais importantes quando a proprietária dele Stephanie não está competindo.
 Matheus e Salamandra Alve Z rumo ao vice-campeonato brasileiro senior 2009, em casa na Sociedade Hípica Brasiliense | Brasil Hipismo. Foi com Skadron que você conquistou um importante 2º lugar no GP da 1ª Etapa do Oi Brasil Horse Show no Rio de Janeiro. Fale um pouco sobre ele.
Matheus. O Skadron é um ótimo cavalo, que recém completou oito anos. Trabalho com ele há dois anos. Nos adaptamos muito bem um com o outro.
Desde o momento que comecei a montá-lo fui fazendo a carreira dele em parceria com a minha aluna Stephanie Castueira.
Então montá-lo se torna simples, pois diariamente trabalhamos as suas dificuldades e conheço as suas virtudes. Saltar a serie forte acaba sendo apenas o complemento do dia dia e o passo a passo que vem dando resultado!
 Matheus e Skadron em ação no Oi Brasil Horse Show; foto: Beatriz Cunha | Brasil Hipismo. Você pensa em passar uma temporada ou morar no Exterior?
Matheus. Nunca fui à Europa. Já tive algumas oportunidades, mas não consegui concretizar. Como todos os cavaleiros radicados aqui no Brasil, sempre tem o sonho de competir em concursos europeus, espero um dia conseguir realizar!
Brasil Hipismo. A seu ver, o que mais falta para um melhor desenvolvimento do esporte no Brasil?
Matheus. O hipismo brasileiro já vem se desenvolvendo bastante nos últimos anos. A criação melhora ano a ano, os concursos estão cada vez melhores e as premiações também. Com certeza isso vai trazendo novos proprietários de cavalos, investidores e o hipismo se torna um esporte mais viável para todos.
Penso que tínhamos que ter cavaleiros mais especializados no trabalho de base dos cavalos novos. É preciso investir em uma boa formação para que no futuro tenhamos cada vez mais cavalos nacionais representando o Brasil em grandes competições.
Brasil Hipismo. O Kitaro Baldaia também brasiliense, a seu exemplo representa a nata da nova geração do hipismo. Brasília pode ser considerado um celeiro de campeões. A que se deve isso?
Matheus. Com certeza Brasilia trás ao esporte nacional excelentes cavaleiros, muito focados e que sempre pensam na vitória. Um bom exemplo é mesmo o Kitaro Baldaia, que em poucos meses radicado em São Paulo, já mostra enorme potencial. Pelo fato de meu pai morar em Brasilia, conheço estes meninos desde bem novos. A Escola de Equitação da Sociedade Hípica de Brasília é fundamental para a formação!
 Kitaro, de camisa branca, foi um destaques no Derby Clube Hípico de Santo Amaro. Na foto ao lado do amigo Adir Dias Junior, o paulista Juninho, também entre os novos talentos do hipismo brasileiro; foto: Brasil Hipismo |
Brasil Hipismo. Você agora monta no Clube Hípico Hípico de Santo Amaro, o mais completo centro de hipismo no país. Você já se considera um pouco santamarense?
Matheus. Represento o Clube Hípico de Santo Amaro há uns 3 anos. Me sinto muito bem lá, sou muito bem tratado. Me sinto em casa e um santamarense!
Brasil Hipismo. Além do hipismo, você pratica algum outro esporte? Tem algum hobby?
Matheus. Faço apenas hipismo e jogo futebol nas quartas e sextas feiras. Não jogo muito bem, mas aproveito para correr um pouco e me manter em forma.
Brasil Hipismo. Qual a sua principal meta na temporada 2012?
Matheus. Como falamos, tive uma boa classificação no Oi Brasil Horse Show que vale como observatória para o Oi Athina Onassis Horse Show. Seria um grande sonho participar deste concurso. Este é o meu objetivo, conseguir me apresentar bem e quem sabe ser convocado para competir no Athina!
Brasil Hipismo. Deixe uma mensagem para quem como você batalhou muito para chegar onde está no esporte. Qual a receita?
Matheus. No hipismo não existe milagre. Mas muito trabalho, dedicação, empenho e obstinação. Acredito que essa seja a base e a receita de um cavaleiro vitorioso.
Brasil Hipismmo. Você gostaria de mencionar algo em especial?
Matheus. Hoje em dia só tenho a agradecer aos proprietários, alunos que confiam e acreditam no meu trabalho!
Rédea curta
Um filme? Antes de partir Um livro? Transformando suor em ouro Uma música? Todas sertanejas Comida predileta? Arroz, batata frita e bife Um amor? Minha família Time do coração? Não tenho time, gosto de grandes jogos! Um sonho? Participar de concursos importantes.
Fonte: Brasil Hipismo – Carola May e Priscila Caruso; fotos: Beatriz Cunha, Anna Paula Carvalho e FPH / arquivo – Tupa Vídeo e Brasil Hipismo
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