Gabriel Marques: campeão brasileiro sênior 2007

Com muita dedicação, o cavaleiro mineiro Gabriel Marques Rodrigues, 41, recém conquistou seu primeiro título nacional, levantando o troféu de campeão brasileiro sênior 2007, em Deodoro (RJ), local das provas hípicas no Pan RIO 2007.

O cavaleiro, que não disputou as categorias de base por falta de recursos, formou-se em veterinária, mas optou pela carreira de cavaleiro profissional.  Para tanto, Gabriel, natural de Belo Horizonte e hoje morando em São Paulo, sempre contou com o apoio e o incentivo de amigos e profissionais que o ajudaram a crescer no esporte.

No dia-dia, o cavalo com o qual foi campeão brasileiro, o BH Yuri, de propriedade dos titulares do Haras Climber - o casal Mário Sérgio e Dora Carlos e o filho Victor Hugo Carlos - treina no Clube Hípico de Santo Amaro (SP). "O Yuri acabou de fazer oito anos. Ele já saltou muito bem no GP do The Best Jump em que fez apenas uma falta e também na 1ª Seletiva do Pan. Como ele é muito novo, agora e até o final da temporada devemos fazer as provas mais adequadas para idade dele, a 1.40 e 1.45m, e só eventualmente um GP, a 1.50m", revelou Gabriel, logo após a conquista do título brasileiro. 
"Vencer o Brasileiro de Seniores foi um prêmio grande por tantos anos de trabalho, determinação e idealismo que tive", destacou o ginete, nosso entrevistado na seção Hall da Fama 2007.


Gabriel Marques - CB Sênior 2007

PFPD - Quando, onde e com quem você começou a montar?

Gabriel Rodrigues Marques - Comecei a montar aos 13 anos. Um grande amigo do meu pai o convidou para que levasse seus filhos para conhecer a Sociedade Hípica de Belo Horizonte. Passei a montar junto com os filhos desse amigo até que meu pai comprou meu primeiro cavalo, uma égua em final de carreira.

Depois, na época da inauguração do Cepel, eu tinha uns 15 anos e o meu pai era amigo do Dr. Marcos Mendes que nos convidou para montar lá. A Andréa e Juliana Mendes me emprestavam seus cavalos e eu também montava alguns potros que vinham do Haras Santa Juliana. Sou muito grato a Andréa e ao seu pai por quem eu tinha muito respeito e admiração. Ele era um segundo pai para mim.

Começamos a montar com o Pelé (conhecido instrutor da casa) e pouco tempo depois a Andréa começou a namorar o Vitor e eu passei a montar com ele também.

PFDP - Você participava de concursos nessa época?

Gabriel - Eu participava de competições internas. Como não tive cavalos para saltar as categorias de base, meu pai já não me incentivava muito... queria que eu estudasse mais e passei a ir menos ao clube.

Quando entrei na faculdade montava só aos finais de semana. Fiz quatro anos de veterinária e em 1988 tive oportunidade passar um ano nos EUA estagiando.

PFDP - Você chegou a montar lá?

Gabriel - No primeiro semestre passava as manhãs trabalhando como tratador e à tarde fazia o estágio como assistente de veterinária.

Já no segundo semestre, consegui um emprego para montar de manhã e continuar com o estágio à tarde. Como só podia trancar a faculdade por um ano, voltei para terminá-la. Mas naquele momento eu já sabia que preferia montar a ser veterinário.

PFDP – Quando você decidiu se profissionalizar no hipismo?

Gabriel - No 4º período de faculdade eu já exercia a profissão de veterinário junto o Dr. Marcos Rabelo, até hoje um grande amigo que admiro muito. Naquela época ele estava começando com uma clinica dentro do Cepel e montava um pouco também. Considero o Marcos um dos melhores veterinários do Brasil.

Foi quando recebi um convite do Daniel Andrade para dar aulas na sua hípica em Salvador. Fiquei três anos e meio lá no Espaço Verde. Ressalvo e agradeço a oportunidade de ter uma hípica sob minha responsabilidade. Depois apareceu outro convite para tocar uma hípica em desenvolvimento em Aracaju. Fiquei por quase dois anos e voltei para BH.

Também tive a oportunidade de montar ao lado do Bernardo Alves que era o meu grande inspirador. Ele me incentivava muito e só ter que correr atrás dele nas provas internas já era um grande aprendizado.

PFDP - Quem foram seus principais instrutores ao longo de sua carreira?

Gabriel – Sem muito incentivo do meu pai, eu não tinha como pagar um instrutor. Mas eu sempre tive ajuda de amigos profissionais, muitas vezes, em troca de serviço ajudando a montar os cavalos.

O Marcos Fernandes era um amigo desse, que sempre me ajudava e eu estava sempre ao lado dele acompanhando o que ensinava aos alunos. Também aprendi muito com Vítor Alves. Depois tive o apoio do César Almeida com quem trabalhei. E, mais recentemente, procuro sempre me aconselhar com o André Miranda por admirar sua equitação e, acima de tudo, sua forma de trabalhar.

PFDP - O que o levou a se mudar para São Paulo?

Gabriel – Eu sabia que um futuro mais promissor estava em São Paulo onde se pratica o melhor hipismo do Brasil. Primeiro fui para o Interior de São Paulo. Outro grande amigo nessa longa caminhada foi o Sergio Stock que me indicou ao Sr. José Mendonça para quem trabalhei no Haras Agromen. Foram quatro anos por lá.

Conversando com o Vitor sobre a minha vontade de montar em São Paulo Capital para fazer mais concursos, ele me indicou para o César Almeida que naquela oportunidade procurava alguém para fazer uma parceria, pois ficava muito ausente por causa dos concursos e precisava de ajuda para dar assistência aos seus alunos e no funcionamento do manège.


Gabriel e Yuri - entrosamento perfeito e confiança mútua

PFDP – Recentemente você conquistou o titulo de campeão brasileiro sênior 2007 em Deodoro (RJ). O que significou essa vitória para você?

Gabriel - Um prêmio grande por tantos anos de trabalho, determinação e idealismo que tive.

PFDP – Até então quais foram seus principais títulos?

Gabriel – O vice-campeonato sênior 2004, os títulos de campeão do mini-GP Indoor e mini-GP do RJ em 2003.

PFDP – Seu grande companheiro na conquista do título brasileiro foi o Yuri que você montou ainda potro e agora está em suas mãos novamente. A seu ver, quais os pontos mais importantes para formação de um bom cavalo?

Gabriel - Sou muito grato ao Mário por ter colocado o Yuri aos meus cuidados novamente. Cuido dele como se fosse meu.

Acredito que o trabalho de plano vem em primeiro lugar. Em segundo, as ginásticas de salto, e, em terceiro, o ensino das atitudes certas de percurso, além da escolha das provas certas para o cavalo em cada estágio de seu desenvolvimento esportivo.

PFDP - Como é o trabalho do Yuri no dia-a-dia?

Gabriel - Quando estamos nos intervalos de competições procuro direcionar 90% do tempo ao trabalho de plano e 10 % às ginásticas.  Como já temos um bom conjunto, também aproveitamos as competições como treinamento de percursos.

O Yuri é muito especial, já é um cavalo pronto. Sinceramente não sei aonde esse cavalo pode chegar, acho que pode ter uma coisa ainda mais especial dentro dele. Sempre que possível o levamos ao Haras para ele se divertir um pouco.

PFDP - Recentemente foram realizadas seletivas para formação da equipe brasileira de salto no Pan RIO 2007. Como você avaliou a possibilidade de disputar uma vaga na equipe no Brasil?

Gabriel - Fizemos a primeira seletiva, com base em uma decisão arrojada com o Mário e o Victor Hugo, proprietários do Yuri, pois sabíamos o quanto ele é especial. Tivemos um resultado muito bom.

Mostrei que tenho potencial para realizar grandes e difíceis percursos sempre que tiver cavalos do nível do Yuri, mas ainda não é a minha hora de integrar uma equipe para o Pan. Tenho muita vontade de integrar uma equipe brasileira e de preferência com o meu companheiro Yuri, que mostrou para mim que estamos no caminho certo e me deu essa oportunidade de participar dessas seletivas.


Gabriel / Yuri mostraram potencial, garra, força e determinação na 1ª seletiva para o Pan RIO 2007 realizada na SHP (SP)

PFDP - A seu ver, o que falta para um maior desenvolvimento do esporte no Brasil?

Gabriel - Disciplina no trabalho e treinamento. Além de um número maior de cavalos de qualidade o que, aos poucos, já vem surgindo no mercado nacional.

Precisamos também de mais incentivo por parte dos nossos dirigentes, formando novas equipes internacionais como foi feito para o Odesur 2006 na Argentina, dando oportunidade a novos talentos para defender o Brasil.

PFDP - Quais as suas próximas metas?

Gabriel - Continuar trabalhando muito para montar melhor do que no dia anterior. Ter grandes alunos, grandes cavalos e grandes vitórias nas melhores competições.

PFDP – Você tem alunos e se realiza como professor?

Gabriel - Tenho. Com a maioria deles consigo que pratiquem à risca a técnica e disciplina que acredito.  Sim, me realizo dando aula.

PFDP – Como instrutor você já emplacou um vice-campeonato sul-americano de juniores e campeonato paulista de jovens cavaleiros. O que um professor precisa para ter bons resultados com os seus alunos?

Gabriel – Ver que um aluno consegue aprender, colocar os ensinamentos em prática nas competições e ainda ganhar provas e títulos é muito gratificante. E, com certeza, só da vontade de ensinar cada dia mais com todo amor e dedicação que tenho a esse esporte.

O bom professor precisa ser paciente, saber conhecer cada um dos alunos, as suas dificuldades e como agir com cada um deles. Não esperar deles mais do que aquilo que eles possam dar, mas sempre incentivá-los a dar o máximo de si. Acreditar que com ensinamentos que fazem sentidos e tendo bom senso, os alunos passam a montar bem..

PFDP - Você conta com algum patrocinador / sponsor?

Gabriel – Conto com o Haras Climber, do casal Mário Sérgio e Dora Carlos e do filho Victor Hugo, o apoio da Socil/Royal Horse através do Dr. Marcelo Souza e também da loja de material eqüestre Hipos.


Haras Climber e Gabriel: A parceria que deu certo

PFDP – Você faz algum tipo de preparação física para montar?

Gabriel - Faço fortalecimento da musculatura lombar e abdominal, além de só comer coisas saudáveis.

PFDP - Você sempre dedica as suas vitórias importantes ao seu pai como fez no mini-GP no Indoor, poucos dias após o falecimento dele. Fale um pouco da importância de seu pai.

Gabriel - Acredito que fazemos e realizamos coisas em função do que somos. Devo o que sou à educação recebi do meu pai e da minha mãe. Meu pai era sério, disciplinado, justo, realmente especial e será sempre responsável pelas minhas conquistas.

PFDP - Gostaria de agradecer alguém pela sua mais recente conquista?

Gabriel - Quero agradecer aos proprietários do Yuri, Mário e Victor, que apostaram em mim.


Equipe Climber - união e confiança fora das pista para garantir sucesso dentro dela

PFDP - Gostaria de mencionar mais alguma coisa?

Também queria agradecer ao Marcelo Souza e ao Antonio Celso Fortino pelo apoio, amizade e parceria no meu dia-dia e ao Por Fora das Pistas por essa oportunidade.

Rédea curta

Um prato favorito?
Frutos do mar e pão de queijo

Uma música predileta?
Muitas

Uma mulher?
Minha mãe Ieda

Um filme?
Excalibur

Um hobby fora cavalos?
Sair com os amigos

Um sonho?
Grandes conquistas nacionais e mundiais

Melhor cidade para morar?
São Paulo

Um cavalo que marcou na sua carreira?
Yuri

Um ídolo no esporte?
Ludger Beerbaum

Caso o gênio da lâmpada surgisse para você e lhe desse o direito a escolher um cavalo de qualquer parte do mundo para saltar uma prova, qual você escolheria?
Shutterfly

Fotos: PFDP e cedidas pelo entrevistado







 
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