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Evento aconteceu de 14 a 17/01 em Porto Feliz/SP; Foto: Matriz da Comunicação

24 de janeiro de 2016

Global Equus International 2016 consagra a credibilidade equestre do Brasil no cenário mundial

Quatro dias, vinte palestrantes de 5 países, 100 cavalos, 9 raças equinas diferentes, público de 800 pessoas. Estes foram os números oficiais do maior evento internacional do mundo equestre realizado no Brasil, que aconteceu dos dias 14 a 17 de janeiro de 2016 no Haras Raphaela em Porto Feliz/SP e foi promovido por Fernando Rolim e Maria Dalva Rolim.

O tema principal que norteou as vinte apresentações profissionais foi como potencializar o trabalho com os cavalos através dos exercícios específicos de cada palestrante. Mas, o evento não se resumiu a isso: a imersão em palestras de conteúdo variado e o momento exclusivo para estar em contato com profissionais expoentes no cenário equestre mundial proporcionou aos participantes e, também, às equipes que trabalharam no evento, um intercâmbio singular de informações e técnicas equestres, enriquecendo profissionalmente os participantes.

“Muitos palestrantes internacionais estavam no Brasil pela primeira vez e se mostraram encantados com a qualidade dos animais apresentados pelos criatórios brasileiros, se impressionaram com o nível profissional que nosso país dispõe e se surpreenderam com a estrutura do Global Equus International”, comenta Fernando Rolim, médico veterinário que também palestrou no evento o tema “Iniciação de Potros”.

Fernando, que foi o primeiro brasileiro a se apresentar em português na Equitana, na Alemanha, recepcionou os palestrantes juntamente com Maria Dalva Rolim, sócia-proprietária da Global Equus que, durante o evento, palestrou sobre o tema “Vida com Cavalos”. “A palavra que resume este evento é credibilidade. Conseguimos realizar uma proposta audaciosa com sucesso e, com isso, acreditamos ter contribuído para estimular a realização de eventos equestres com nível internacional no Brasil”, avalia Maria Dalva.

Raças em exposição

As nove raças que abrilhantaram o Global Equus International 2016 foram o Árabe, Crioulo, Gipsy Horse, Lusitano, Mangalarga Marchador, Mangalarga Paulista, Mini Horse, Muares e Jumentos e Quarto de Milha. Para o criador Ricardo Bacellar, do Haras das 8 Virtudes de Amparo/SP, que representou a raça Mangalarga Marchador no evento – maior raça brasileira em número de animais – a oportunidade proporcionada pelos organizadores foi excepcional para o cenário equestre.

“Foi um momento riquíssimo em conteúdo e conhecimento, com profissionais considerados ‘estrelas’ no cenário equestre mundial se apresentando com grande humildade e ressaltando que aprenderam muito com seus colegas de profissão, dando créditos aos ensinamentos dos demais”.

Pedro Amaral, do Haras El Madan de Iperó/SP, representou a raça Crioula e também reforça a satisfação com o evento. “O propósito do Global Equus International foi extraordinário e os organizadores foram impecáveis: segurança, limpeza, administração e harmonia da equipe, tudo perfeito. Além de podermos observar uma grande interatividade entre as raças e um contato facilitado com profissionais internacionais para troca de experiências que considero incrível”, ele ressaltou.

Beatriz Biagi da Beabisa de Ribeirão Preto/SP, representou a raça Mangalarga Paulista, e comentou que obteve um feedback importante da equipe de trabalho do haras, que considerou o evento foi magnífico. “Um evento muito caprichado que proporcionou a abertura da mente para novos conhecimentos. Nossos funcionários adoraram e puderam observar, através dos treinamentos que assistiram, que estamos trilhando o caminho certo”, ela frisou.

Treinadores foram as estrelas

O GLOBAL EQUUS INTERNACIONAL 2016 privilegiou um público amante de cavalos, seja para trabalho, esporte ou lazer e proporcionou um momento ímpar de relacionamento entre os mais diversos profissionais expoentes no cenário mundial de equideocultura. As vinte palestras, conduzidas pelos profissionais Aluísio Marins, Décio Talon, Eduardo Borba, Fernando Rolim, Francisco Carlos Taboga, Jango Salgado, Maria Dalva Rolim, Ndzinji Pontes, Zeca Macedo (Brasil),  David Lichman, Jenifer Zeligs, Juan Vendrel, Rudy Lara, Rudy Lara Jr., Richard Winters, Steve Edwards (EUA), Alfonso Aguilar, Adrian Heinen (Suíça), Oscar e Cristobal Scarpati (Argentina), provaram esta afirmação. E a mensagem principal deixada por todos os treinadores foi, principalmente, a importância da sensibilidade do homem com seu cavalo. Grande parte dos treinadore s demonstraram que o olhar humano para o cavalo não pode ser algo mecânico.

Eduardo Borba, do Projeto Doma de Capivari/SP, um dos palestrantes mais experientes do Brasil, ressaltou que quando foi convidado para o evento, inicialmente, não senti empolgação, porém, se surpreendeu com as experiências que vivenciou. “Aprendi muito com os profissionais e levo uma bagagem de conhecimentos renovada. O mais importante é isso, estar sempre aberto a novos conhecimentos e assimilar o que o outro pode nos ensinar”, comentou Borba.

“Não me considero treinador de cavalos mas, sim, treinador de homens. Se o homem não mudar seu comportamento com o animal, não há como chegar a um bom resultado”, ele ressalta. “Os pequenos passos errados com os cavalos podem parecer pequenos para nós, humanos, mas são enormes na perspectiva dos cavalos”, comentou Juan Vendrel, que dá aulas no Texas e na Europa em seu treinamento “Solução de Problemas”.

Em outro treinamento, “Horsemanship para Marchadores”, David Lichman da Califórnia/EUA, ressaltou que “em 80% dos casos, o andamento ‘marchado’ surge naturalmente, se deixarmos os cavalos à vontade e relaxados”, reforçando a importância da abordagem natural com os animais.

Steve Edwards, do Texas/EUA, falou sobre “Como Comunicar-se com Muares” e explicou que a mula é um animal muito inteligente que, naturalmente sabe se cuidar. O brasileiro Décio Talon reforçou que o que diferencia um treinador normal de um treinador excepcional é o grau de sensibilidade que o treinador consegue desenvolver com seus cavalos. Richard Winters, Nevada/EUA, destacou a importância de fazer com que as idéias do treinador sejam adotadas como ideias do animal, com o objetivo de transformar o cavalo no melhor que ele possa se tornar.

Jenifer Zeligs, Califórnia/EUA cientista e especialista em mente animal, frisou que a relação com o cavalo é muito mais fácil se o animal quiser cooperar com o treinador. “importante lembrar que o cavalo é um ser vivo como você e é fundamental pensar no que é bom, também, para eles e compreender o que eles possam estar sentindo ou pensando durante o treinamento”, disse Zeligs. E Alfonso Aguilar ressaltou o quanto ficou impressionado com a estrutura do evento.

“As apresentações em powerpoint apresentadas pelos brasileiros me impressionaram, nunca vi isto em outros países aonde eu treino, assim como as filmagens que estavam sendo apresentadas em um telão incrível, que frisavam sempre o momento certo e importante do treinamento, demonstrando o profissionalismo de toda equipe técnica do evento”, ressaltou Aguilar.

Diariamente, ocorreram também oito shows equestres que foram apresentados pelas raças participantes do evento logo após o almoço. Cada show teve a duração de oito minutos e cada raça usou sua criatividade para demonstrar o potencial dos animais. Uma das apresentações mais emocionantes foi de Fernando Rolim, que montando um cavalo Lusitano, realizou uma demonstração de dressage, sendo muito aplaudida. Outro show diferenciado foi apresentado pelos Haras Mangabaia e Beabisa, que representando a raça Mangalarga Paulista, levaram para o Global Equus International 2016 demonstrações de um projeto social de equoterapia que atende crianças e adolescentes com diversas patologias, utilizando cavalos Mangalarga Paulista para as atividades devido às qualidades e diferenciais desta raça.

Fonte: Jornal Dia Dia

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