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Eldorado da Boa Terra: avaliado em mais de R$ 2 milhões (Sidney Araújo/Divulgação)

21 de setembro de 2018

Galope milionário: Bahia tem cavalo avaliado em mais de R$ 2 milhões

Com R$ 2 milhões é possível comprar 50 carros populares ou mais de 6 mil cestas básicas. Ou, pra quem preferir, um cavalo. Sim, o equino mais caro que se tem notícias na Bahia hoje está avaliado em mais de R$ 2 milhões. Mas, no estado, a maioria está bem abaixo deste valor, variando de R$ 5 mil a 600 mil.

Nesse universo, Eldorado da Boa Terra é uma exceção. Trata-se de um mangalarga marchador premiadíssimo e, consequentemente, bem valioso. Este ano, venceu o concurso Campeão dos Campeões Nacional da Marcha, realizado em Belo Horizonte. Eleito o melhor equino da raça no estilo Marcha Batida, está avaliado em mais de R$ 2 milhões.

O animal foi preparado no Centro de Treinamento de Equinos Fundo de Quintal, na região de Alagoinhas, que pertence a Lucas Lira. Eldorado foi comprado por um baiano, que detém de 25% da posse do animal, e mais três criadores de Alagoas e do Distrito Federal. Eldorado está entre os 404.670 cavalos que existem na Bahia. O número, segundo dados do Censo Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca o estado como detentor do segundo maior rebanho de equinos do país. Ou seja, a Bahia concentra 8,1% do rebanho nacional.

Em todo o Brasil são mais de 5 milhões de equinos. O censo mostra ainda que, uma em cada cinco fazendas baianas tem cavalos. Eles estão presentes em 19,4% das propriedades. As maiores concentrações estão em Vitória da Conquista (5.806), Itambé (5.091), Itarantim (4.564), Itapetinga (4.421) e Itamaraju (4.400).

O que valoriza

E sabe o que torna um cavalo tão valorizado assim? Ao contrário do que muita gente pensa, a beleza é importante, mas não é fundamental. Segundo o árbitro André Quadros, especialista em julgamento de equinos, os requisitos envolvem desde a genética do animal à sua estrutura física.

“O que se explora são as proporções e as angulações que demonstrem a qualidade do movimento e o equilíbrio do cavalo, para garantir o conforto dele e de quem está montado. São detalhes desde o tamanho da cabeça ao alongamento das pernas que propiciam uma coordenação motora eficiente. Olhamos a descida da perna e a musculatura por exemplo. Tem cavalos com movimento mais curto, mais limitado”, explica Quadros, médico veterinário e árbitro há mais de 14 anos.
Valorização envolve desde a genética do animal à sua estrutura física
(Foto: Georgina Maynart)

Aliado a isso, o animal precisa ter uma genética boa e expressão racial, que é a capacidade de apresentar características marcantes da raça. “Comparo com o jogador de futebol. Se for duro, não consegue fazer o drible. Pode treinar, mas não vai conseguir o mesmo desempenho de quem já nasceu craque. No caso do Mangalarga Marchador, por exemplo, ele tem que ter o gene da marcha”, acrescenta o árbitro que já participou, só este ano, de mais de 12 eventos oficiais de julgamento da raça Mangalarga Marchador.

Sobre a estética, o árbitro é objetivo. “Os antepassados valem mais do que a beleza. A beleza indica saúde e sinaliza se o animal está recebendo os cuidados adequados. Ele fica mais bonito com uma crina sedosa, um pelo bem cuidado, mas isso é uma espécie de cereja do bolo para dar acabamento ao conjunto”, finaliza.

Fonte: Correio 24 horas

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