Por Fora
das Pistas

Notícias

8 de julho de 2016

Fora do Eixo: Hipismo – Três provas compõem o mais democrático dos esportes

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro serão os primeiros da história disputados na América do Sul. A edição carioca terá 42 modalidades, entre elas o rugby e o golfe, que estão de volta à maior competição esportiva do mundo depois de muitos anos. Até a data da cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 5 de agosto de 2016, o ESPN.com.br trará, sempre na primeira semana de cada mês, o quadro “Fora do Eixo”, com o objetivo de contar um pouco mais sobre dez esportes que não são tão conhecidos – alguns, nem um pouco tradicionais – do grande público brasileiro: como são disputados, desde quando fazem parte do programa olímpico, qual sua origem, quais os atletas do Brasil que podem brigar por boas colocações, entre outras informações para você ficar por dentro.

COMO É?

O hipismo é o esporte mais democrático dos Jogos Olímpicos: é o único em que homens e mulheres competem juntos na disputa por medalhas, nas provas mistas. Os cavaleiros devem conduzir o cavalo em três modalidades: adestramento, salto e CCE (Concurso Completo de Equitação), com o menor número de faltas possível. Sete juízes avaliam a precisão dos movimentos, com notas de 0 a 10. Os erros são informados por meio de sinos. Após três erros, o competidor é eliminado.

Em uma área de competição plana, o objetivo é que o cavalo e o atleta atinjam a perfeita harmonia enquanto executam um percurso alternando movimentos livres e mandatórios, como caminhada, trote, galope e parada. As disputas individuais e por equipes, com três cavaleiros, acontecem simultaneamente e são divididas em três fases:

O circuito tem de 8 a 12 obstáculos, como barras paralelas, fossos e pequenos muros. Derrubar balizas, colocar as patas na água, refugar ou desviar do obstáculo são faltas. As faltas somam pontos e vence quem contabilizar o menor número de infrações. Algumas são eliminatórias.

Individual: após três eliminatórias, os 20 melhores competem por medalhas em duas rodadas finais, chamadas de A e B. O cavaleiro com o melhor desempenho nestas duas fases vence.

Equipes: cada uma tem até quatro cavaleiros e o pior resultado é descartado. As oito melhores da primeira fase avançam à final. A classificação final é baseada nas notas dos dois turnos. Em caso de empate, um circuito chamado de jump-off define o vencedor.
ESPN.com.br

São três dias competições, com uma prova por dia. Os cavaleiros competem sempre com o mesmo cavalo, e as pontuações valem tanto para as disputas individuais quanto por equipes, que são formadas por três ou quatro cavaleiros. O vencedor é o cavaleiro ou a equipe que acumular menos faltas ao fim das três etapas.

Adestramento: prevê movimentos obrigatórios, como passos, trotes e galopes, em área de competição plana.

Cross country: o trajeto ao ar livre tem entre 30 e 40 saltos com obstáculos como pequenos lagos e barreiras de pedra e deve ser atravessado no tempo máximo estabelecido, com o menor número de faltas.

Saltos: prevê 9 a 12 obstáculos mais simples que os do cross country. Os 25 melhores cavaleiros disputam uma segunda rodada de saltos.

história

A ligação entre homem e cavalo é milenar, e os primeiros registros sobre o adestramento de cavalos para fins militares remonta a 1.360 a.C., em uma região que hoje abriga parte das terras de Turquia, Síria e Iraque. Os cavalos, então, ganharam posição de destaque na Olimpíada da Grécia Antiga. A famosa corrida de bigas, com quatro cavalos, teria sido incluída na edição de 648 a.C..

Já a prova de saltos foi criada no século XVIII, quando a Grã-Bretanha determinou o cercamento de áreas no campo e os caçadores passaram a pular as cercas com seus cavalos. Em 1868, a Real Sociedade de Dublin, em Bell´s Bridge, promoveu uma competição de salto em altura e outra de salto em distância, com o objetivo de testar a capacidade dos cavalos de caça.

#TUDOPELORIO2016

Os canais ESPN transmitirão os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro

Alguns anos depois, em 1881, a mesma Real Sociedade de Dublin voltou a inovar e desenvolveu o que serviria de molde para os torneios atuais. Foi criada uma pista em que os conjuntos (nome dado ao par formado por cavalo e cavaleiro ou amazona) tinham que superar quatro obstáculos. Dois deles eram fixos, um se apresentava como uma parede de pedra e o outro consistia em uma espécie de tanque d’água escavado no solo.

O primeiro registro de uma competição de hipismo no Brasil é de abril de 1641, e teria sido organizada por Maurício de Nassau, em Recife (PE), com a presença de cavaleiros holandeses, franceses e brasileiros.

Mas, somente, em 1911, os primeiros clubes hípicos foram fundados no país: a Hípica Paulista (SP) e o Clube Esportivo de Equitação do Rio de Janeiro.A CBH (Confederação Brasileira de Hipismo) foi oficialmente fundada em 19 de dezembro de 1941.

Curiosidade

Vôvôs

O hipismo registra dois dos atletas mais velhos de todos os tempos na disputa dos Jogos Olímpicos. Em Berlim-1936, o austríaco Arthur Von Pongracz tinha 72 anos e 59 dias quando participou das provas. Ele perde apenas para o atirador sueco Oscar Swahn, que tinha 72 anos e 281 dias em Antuérpia-1920. Entre as mulheres, a amazona britânica Lorna Johnstone detém o recorde: tinha 70 anos e seis dias quando competiu em Munique-1972.

Duas sedes

A modalidade provou um fato inédito e que nunca mais se repetiu. Em Melbourne-1956, o governo australiano, temendo a contaminação de seus rebanhos, impôs que todos os cavalos e éguas que competissem na Olimpíada fossem submetidos a uma quarentena longe de seus tratadores. O COI (Comitê Olímpico Internacional), então, decidiu que as provas de hipismo não seriam disputadas na cidade e as transferiu para Estocolmo, na Suécia.

Fique de olho

Os três países países mais fortes no hipismo são Grã-Bretanha, Holanda e Alemanha. “A Charlotte Dujardin, da Grã-Bretanha, é a grande favorita ao ouro no adestramento no Rio de Janeiro. Ela vem obtendo ótimos resultados e tem o melhor cavalo (Valegro).” – Rogério Clementino, cavaleiro brasileiro.

E o Brasil?

O país-sede dos Jogos Olímpicos tem 12 vagas garantidas, quatro no adestramento, quatro em saltos e quatro em CCE. No entanto, os nomes ainda não foram definidos pela CBH (Confederação Brasileira de Hipismo). As delegações precisam ser inscritas no máximo até o dia 18 de julho.

“No salto, por estarmos em casa e por todos os integrantes da seleção estarem competindo fora do Brasil, em alto nível, acredito que teremos o melhor resultado da história. Mas quanto à medalha, ainda não é possível.” – Rogério Clementino, cavaleiro brasileiro.

Fonte: Bianca Daga, do ESPN.com.br

  • Compartilhe
  • <