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Projeto existe há 12 anos e tem capacidade de atender 100 pacientes, mas hoje número não passa de 30 (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

1 de dezembro de 2016

Familiares de pacientes temem pelo fim da terapia com cavalos em Angra

A equoterapia, tratamento com a ajuda de cavalos que auxilia na recuperação de pessoas com necessidades especiais, pode acabar em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. O problema é a falta de verbas para o projeto continuar.

“Quando eu comecei aqui, eu segurava ela pra passar na roleta. Agora não. Agora, nesses 12 anos que passaram ela evoluiu em tudo. Praticamente foi uma melhora de 100%”, disse Luciene Batista Pereira Alves, mãe de uma das pacientes. A filha dela, Jéssica, tem paralisia cerebral e faz o tratamento desde que ele foi criado, há 12 anos. Quando chegou, segundo a mãe, mal conseguia se movimentar. Hoje, ela consegue andar e acaba de concluir o Ensino Médio.

O projeto funciona em um haras, com capacidade para receber até 100 pacientes, que são encaminhados pelo Sistema Único de Saúde. Mas, nos últimos meses, restaram pouco mais de 30. Isso porque desde maio o número de funcionários foi reduzido, com a falta do repasse por parte da prefeitura. Dos sete só restaram três, que estão trabalhado de forma voluntária.

“Infelizmente, se a gente para de atender de vez, eles [pacientes] têm um atraso no desenvolvimento que fica difícil de recuperar depois. Por isso que a gente continua a atendê-los. Estamos sem receber, fazendo trabalho voluntário”, comentou a fisioterapeuta, Priscila Tavares.

A equoterapia era oferecida em uma parceria do haras com o governo municipal. Mas o repasse da prefeitura não é feito desde fevereiro. O contrato já venceu e os funcionários continuaram trabalhando sem receber o pagamento dos salários. Na segunda-feira (21/11), eles anunciaram que não vão mais poder continuar oferecendo o tratamento.

“O contrato venceu no dia 22 de maio, e desde fevereiro a gente já não recebia o valor referente ao contrato. As notas fiscais ficaram paradas de fevereiro até dia 22 de maio. E desde então, a gente ficou sem receber e agora em novembro teve que parar”, explicou a coordenadora do projeto, Sandra Gonçalves.

“Não só meu filho, como os outros vão regredir, né? Porque, quando eles fazem um tratamento que estaciona, que para, eles [pacientes] vão regredindo, não vão desenvolvendo mais. A minha preocupação é essa. Ainda mais meu filho, que está quase andando, já pensou se para?”, lamentou Solange Matheus Silva, mãe do paciente José Vinicius.

A produção da TV Rio Sul tentou entrar em contato com a prefeitura de Angra dos Reis, mas ninguém atendeu as ligações.

Fonte: Globo – Do G1 Sul do Rio e Costa Verde

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