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Patricia Opik abandonou a carreira de atriz e hoje é especialista em cavalos no Canal Rural - Reprodução/Facebook

14 de julho de 2018

Ex-atriz supera depressão e vira especialista em cavalos

Patricia Opik se surpreendeu quando seus colegas de trabalho começaram a reconhecê-la na TV. Ela voltou ao ar no dia 30, quando o SBT passou a reprisar A Escolinha do Golias (1990-1997) aos sábados. Intérprete da bonitona inteligente do programa, Patricia não dava as caras na TV havia 21 anos. Teve depressão quando saiu da TV de Silvio Santos e só superou a doença por amor aos cavalos. Hoje trabalha no Canal Rural, atrás das câmeras, como especialista do núcleo equestre.

Musa de Ronald Golias (1929-2005), a ex-atriz de 48 anos trabalhou na Escolinha no papel da estudante Alemanha. Quando o humorístico chegou ao fim, estava saturada das cobranças para ser bonita e famosa e não queria continuar na TV. Sem saber o que fazer da vida, procurou uma psicóloga para tentar sair de uma fase depressiva.

“Não queria mais trabalhar na TV, dentro de mim era uma coisa que já tinha passado. Mas me enxerguei num mundo em que eu não sabia fazer nada, fiquei muito mal, fui numa terapeuta. Ela perguntou o que eu gostaria de fazer, mas tinha medo. Falei que adoraria aprender a montar a cavalo, mas só de chegar perto eu transpirava. Corri atrás, fui parar em Jundiaí, num centro de treinamento. Comecei a treinar, competir.”

Como não tinha dinheiro para investir na equitação, Patricia começou a pensar em formas de ter uma renda na área. Fez um projeto de patrocínio para um competidor e foi contratada para trabalhar num haras, que considera ter sido sua faculdade. Depois disso, estudou todas as raças de cavalo, criação de gado, foi a exposições, provas, leilões e se tornou uma das principais especialistas no animal no Brasil.

Em 2009, Patricia recebeu uma proposta para ser a representante brasileira na maior feira de cavalos do mundo, e todo ano vai para a Alemanha para apresentar cavalos e profissionais brasileiros. Desde setembro do ano passado, é coordenadora do núcleo equestre do Canal Rural, responsável por propaganda, atendimento ao cliente e novos projetos relacionados a cavalos.

“Em nenhuma emissora tinha alguém que entendesse de cavalo, que tivesse relacionamento com todo mundo do meio, pra cuidar disso. Fui a pioneira. Hoje, o mercado de cavalo no Brasil é muito grande, gera muito negócio. Eu fui indo, fui indo e fiz meu nome. Por conta de uma depressão”, lembra.

Nos corredores do Canal Rural, hoje Patricia é reconhecida pelos colegas _e até se assusta quando algum funcionário mais novo diz ser seu fã. Ela mesma não conseguiu ver a reprise do humorístico até agora. Diz ficar emocionada demais ao se lembrar dos amigos Ronald Golias e Nair Bello (1931-2007).

“Eu tenho ótimas lembranças deles. O carinho que eles tinham por mim eu nunca vou esquecer. Nunca me trataram como alguém que não fizesse parte do nível deles. Foram pessoas que me ensinaram muito. Além de trabalharem comigo, eram meus amigos”, conta.

Nos últimos 21 anos, Patricia não recebeu nenhuma proposta para voltar à TV, e diz que também não procurou. Ela se deu conta de que era muito difícil sobreviver no “mundo de fantasia” e não vê com bons olhos o ambiente artístico.

“Muitas pessoas sofrem. A Leila Lopes [1959-2009] é um exemplo. Era minha amiga. Ela tinha uma necessidade de aparecer, precisava estar sendo chamada [para produções] sempre. A pessoa fica dependente de ser linda, maravilhosa, magra, cheia de botox. Eu não, tô muito resolvida com isso, não fiz muita questão de ir atrás. Não queria mais, o ciclo acabou”, afirma.

Hoje, a profissional diz que é muito mais famosa em seu meio do que jamais teria sido na TV, e até já deu palestras no Canal Rural em que contou sua trajetória de vida e sua relação com os animais. Com negócios equestres no Brasil e no exterior, ela quer manter os tempos de atriz só na memória.

“No mundo equestre tem família unida, todos estão juntos. No mundo que eu vivo hoje, existe união. E isso eu não largo por nada. Sou muito feliz por Deus ter me preparado tudo isso. O mundo artístico foi uma grande experiência, mas eu não voltaria. Encontrei meu caminho no agronegócio”, conclui.

Fonte: Uol

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