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29 de abril de 2018

Estudo genético esclarece o que separa o cavalo do burro

A relação que temos com o burro é confusa e bipolar. Se por um lado, o queremos proteger e nos enternece, por outro, este animal é muitas vezes usado para o escárnio e maldizer, já para não falar do fato de a sua definição, no dicionário, juntar “o mamífero da família dos equídeos, menos corpulento que o cavalo” ao sentido de um “indivíduo estúpido ou teimoso; imbecil”.

A verdade é que na ciência o burro não tem estado no centro das atenções, sobretudo quando a comparação é feita com o seu parente próximo, o cavalo. Agora, uma equipe internacional de cientistas apresentou, na revista Science Advances, uma nova e detalhada análise do seu genoma que podem ajudar a esclarecer alguns pormenores da sua origem e evolução ao longo da história.

Os cientistas da Dinamarca, Malásia, França e Reino Unido uniram-se para saber mais sobre o burro. Usando uma nova tecnologia de montagem do genoma, os investigadores conseguiram identificar estruturas subcromossômicas que, segundo adiantam, permitem uma leitura dos detalhes genéticos quatro vezes superior à conseguida por esforços feitos anteriormente.

Esta leitura genética melhorada tornou possível um “confronto” mais claro entre os genomas de cavalos e burros, que há quatro milhões de anos partilharam um antepassado comum. A análise examinou algumas zonas nos cromossomos com rearranjos que podem explicar a divergência da espécie nestes animais e, em última análise, a sua especiação.

“Embora uma montagem de genoma de alta qualidade a nível cromossomo esteja disponível para o cavalo, as montagens atuais disponíveis para o burro estão limitadas a estruturas de tamanho moderado. A ausência de uma montagem de melhor qualidade para o burro tem dificultado estudos envolvendo a caracterização de padrões de variação genética”, referem os autores do artigo publicado na Science Advances. Faltava, argumentam, uma caracterização mais exata das diferenças (genéticas) associadas à especiação e domesticação.

A nova “montagem” do genoma do burro doméstico fornece “estruturas de tamanho subcromossômico”. O objetivo era obter informações mais exatas das variações genéticas para espécies equinas diferentes do cavalo e detectar os “pedaços” que terão contribuído para a sobrevivência e evolução dos burros domésticos. Entre outras diferenças e rearranjos nos cromossomos, detectaram-se translocações e inversões que ajudam a explicar como os burros se separaram das outras espécies equinas. Este esforço pode ser útil para a conservação da espécie, ainda que de forma limitada, uma vez que esta espécie tem grande diversidade genética. No entanto, quanto mais soubermos sobre o burro mais fácil será preservá-lo.

“A família equina floresceu nos últimos 55 milhões de anos e conta com mais de uma dúzia de gêneros descritos no registro paleontológico. Hoje, no entanto, é composto apenas por um único gênero, Equus, que inclui três zebras e três espécies de asnos, além do cavalo. O antepassado comum mais recente do gênero viveu entre há quatro milhões e 4,5 milhões de anos”, começa por referir o artigo sobre o burro que lembra ainda impacto na história humana do sucesso dos processos de domesticação do burro e do cavalo. “Embora trabalhos genômicos extensos tenham sido realizados para estudar o processo de domesticação do cavalo, esse processo não é tão bem documentado nos burros”, acrescentam os cientistas.

Fonte: Público e equisport

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