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Ossos do cavalo fazem parte do acervo do museu desde 1960 | Foto: Museu do Exército / Divulgação / CP

10 de janeiro de 2017

Esqueleto do cavalo de Napoleão será reexibido no Museu Nacional do Exército, em Londres

Quem visitar o Museu Nacional do Exército, em Londres, a partir de março do próximo ano vai poder ter uma ideia mais exata sobre o protagonista da piada “qual é a cor do cavalo branco de Napoleão”. Isso por que o esqueleto do equino que levou o líder político e militar a vitórias e ao derradeiro embate em Waterloo, em 1815, é parte de um projeto desenvolvido por Derek Bell, especialista em construção e conservação, e Arianna Bernucci, uma conservadora sênior que foi recrutada do Museu de História Natural para ajudar na iniciativa. Em um estúdio de antigos edifícios agrícolas na cidade de Essex, a dupla está desmantelando, conservando e reconstruindo o garanhão Árabe chamado Marengo.

O esqueleto do animal já fazia parte do acervo da instituição e, de acordo com uma pequena placa de prata, foi originalmente montado em sua armação de ferro no Hospital de Londres por alguém chamado Willmott. Willmott era presumivelmente um dos artesãos mais utilizados na preparação de espécimes médicos humanos para o museu do hospital de ensino. Entretanto, a disposição dos ossos não era das melhores.

“Uma das razões para remontar o esqueleto é fazer o pobre Marengo parecer mais um cavalo. A cabeça baixa e a posição rígida peculiar das pernas o faziam parecer mais como uma mula “, comentou Sophie Stathie, curadora do museu. “Ele era um dos objetos mais amados no museu antigo, mas sempre que entrava na galeria eu sempre achei que havia algo de triste por ele.”

Muitas imagens contemporâneas mostram Napoleão em seu cavalo, o braço do mestre levantado brandindo um sabre, o cavalo bufando em excitação ante a perspectiva de uma batalha. Ele tinha aproximadamente sete anos quando Napoleão o adquiriu, em 1799, e o nomeou em homenagem a sua famosa vitória sobre os austríacos na batalha de Marengo. O líder montou-o em Austerlitz, na “Batalha dos Três Imperadores”, considerada obra-prima de tática militar, pois ele derrotou as forças combinadas muito maiores da Áustria e da Rússia.

O cavalo foi deixado para trás em Waterloo quando Napoleon fugiu. O imperador francês conseguiu voltar para Paris, formalmente abdicou, rendeu-se aos britânicos, e foi enviado para o exílio na remota ilha de Santa Helena, onde morreu em 1821. Marengo viveu por muito tempo. Ele foi capturado pelos Guardas Grenadier – tropas de infantaria de elite do Exército britânico – e levado para a Inglaterra, onde foi comprado por John Julius Angerstein. O equino passou uma velhice tranquila depois de uma tentativa mal sucedida de reprodução a partir dele. Ele morreu em 1831, alegadamente ao 38 anos.

Angerstein doou o esqueleto para o museu do Royal United Services Institute, em 1865, e, lá, e foi listado em um guia de vistação como uma de suas principais atrações. Na década de 1960, Marengo foi entregue com outros materiais históricos de Waterloo ao então novo Museu do Exército Nacional. Durante todo esse tempo, Marengo estava erquido sobre apenas duas patas. Substituições serão feitas para os cascos desaparecidos. Nas novas exibições, o animal será mostrado junto a outras relíquias de última Batalha de Napoleão, incluindo armas e uniformes. “Ele era um animal notável, e ele merece que façamos melhor por ele”, comentou a curadora do museu.

Fonte: Correio do Povo

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