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A equoterapia é aplicada por intermédio de programas individualizados e organizados de acordo com as necessidades e potencialidades de cada pessoa

4 de setembro de 2015

Equoterapia: quando o cavalo torna-se o melhor amigo das pessoas com deficiência

Hoje vou falar sobre quando o cavalo torna-se o protagonista no tratamento de transtornos fisicos e mentais. Conheci a Equoterapia algum tempo e descobri que esta atividade proporciona muito mais que a recuperação motora, mas também desenvolve o aspecto cognitivo, social e psicológico. Pense bem: tem “método” melhor que o laço afetivo entre o ser humano e o animal?… Boa leitura!

A gente adora ter um animal como melhor amigo. Eu, por exemplo, tenho a Lila há quase dez anos, uma Golden Retriever considerada a quinta integrante da família lá em casa. Amo a Lila por vários motivos, mas principalmente por ela fazer a alegria das minhas filhas e protegê-las.

E você deve estar se perguntando: Mas aonde o Fabrício quer chegar falando da sua cadela? Eu quero chegar ao “fator” animal e como eles inseridos em nossas vidas podem fazer a diferença. Entretanto, citei a Lila, para que aqueles que não têm bichinhos possam sentir o grau de amor e afinidade desenvolvidos quando eles nos norteiam. Nesse post, na verdade, vou falar sobre cavalos (isso mesmo: cavalos!), que inseridos no contexto da atividade física, proporcionam a Equoterapia.

Mas antes de falar o que significa essa terapia, peco que você largue qualquer preconceito ou medo deste mamífero, que pode espantar por seu tamanho e velocidade (a raça thoroughbred, puro-sangue inglês,alcança em média 17 m/s, ou 60 km/h). Sociável e dócil, esse animal tem sido o responsável pela evolução na reabilitação de pessoas com deficiência (PCDs) em geral, com paralisia cerebral, problemas neurológicos, ortopédicos, posturais; comprometimentos mentais, como a Síndrome de Down, comprometimentos sociais, tais como distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia, psicoses; comprometimentos emocionais, deficiência visual, deficiência auditiva, distúrbio de atenção, percepção, fala, linguagem e hiperatividade.
Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, a Equoterapia, que emprega uma abordagem interdisciplinar, apresenta resultados comprovados em ganhos físicos e motores.

E como a Equoterapia trabalha com essas classes? Resumidamente ela une as técnicas de equitação e atividades equestres com a finalidade de reabilitar e educar as pessoas. O programa esportivo, por exemplo, pode funcionar como um lazer. Em geral, os alunos têm mais autonomia. Sendo estimulados a conduzir seus cavalos para realizar as atividades propostas, como jogos que trabalham a psicomotricidade e os relacionamentos em grupo.

De acordo com o coordenador do programa “Viva as Diferenças”, Eldo Gomes Cabral, a equoterapia é aplicada por intermédio de programas individualizados e organizados de acordo com as necessidades e potencialidades de cada pessoa. “Cada aula apresentada tem uma finalidade e objetivos a serem alcançados, principalmente com intenções especificamente terapêuticas, e que foquem na reabilitação física e/ou mental. Por segundo, é visado os fins educacionais e/ou sociais, com a aplicação de técnicas pedagógicas aliadas às terapêuticas, gerando integração ou reintegração, inclusive sócio-familiar. Isso porque, pais, mães, irmãos e amigos começam a participar dos treinos também e a interação a surgir”, afirmou Eldo.

Dados comprovados

Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, a Equoterapia, que emprega uma abordagem interdisciplinar, apresenta resultados comprovados em ganhos físicos e motores, além de buscar o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências físicas. “Os excelentes resultados daequoterapia estão relacionados não somente ao movimento dos passos do cavalo, que produz diversos estímulos corporais positivos nos pacientes, mas também à vinculação afetiva dos pacientes com os animais”, afirma Elizabeth Melani, coordenadora e diretora da Associação de Equoterapia Texas Ranch.

Na equoterapia as pessoas são estimuladas a conduzir seus cavalos para realizar as atividades propostas.

De acordo com a diretora, entre os principais benefícios da equoterapia estão o auxílio no restabelecimento da coordenação motora; equilíbrio; ajuste postural; concentração; aumento de força e tônus muscular; estimulação da sensibilidade tátil, visual e auditiva; estimulação do funcionamento dos órgãos internos; estimulação da linguagem verbal e corporal; aumento da autoestima, da autoconfiança e do afeto; socialização e bem-estar.

Na última semana, Elizabeth participou da REATECH, maior Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, em São Paulo, e apresentou o caso de pequeno Renato Porsi, de apenas 4 anos, que faz o tratamento Equoterapia desde os dois anos. Ele foi diagnosticado com atraso no desenvolvimento neuropscicomotor (A.D.N.P.M.), com paralisia à esquerda, devido a um derrame cerebral.

No tratamento de Renato, durante a montaria, foi utilizada uma metodologia para auxiliar a criança a se sentir mais segura com o cavalo, chamada “maternagem”, que consiste em uma montaria dupla, onde o praticante fica abraçado frente a terapeuta responsável, com o objetivo de perder a insegurança.

Os excelentes resultados da equoterapia estão relacionados não somente ao movimento dos passos do cavalo, mas também à vinculação afetiva dos pacientes com os animais.

“Logo evoluímos para a montaria independente, acompanhada de fisioterapeuta e psicóloga nas laterais. Os materiais usados no cavalo também foram sendo adequados, introduzimos o uso de objetos, como bolas, visando o alongamento e equilíbrio postural; argolas com atividades lúdicas, para aprimorar a coordenação motora, o fortalecimento muscular e a dissociação de cintura; colete de retificação postural para uma postura mais adequada sobre o cavalo e demais objetos para trabalhar a preensão palmar”, explica a especialista, ao citar a evolução do garoto. “Após dois anos de tratamento Ecoterápicos e terapias associadas, o Renato já caminha sozinho, adquiriu a marcha independente com pouco auxilio e, atualmente, realiza apenas a equoterapia em busca de uma maior independência funcional”.

Sendo para nós, ou nossos filhos, acho importante frisar que o tratamento humanizado para curar ou reabilitar qualquer doença é o mais indicado. E a equoterapia proporciona o que há de melhor: o laço afetivo entre o ser humano e o animal. Qual amizade é mais bonita que essa? …

Pratique esporte. Todo dia é dia!

Dicas:

Escola de Equoterapia Manaus /Escola de Equitação Nissim Pazuello – Manaus- AM (92) 3622 3324 http://escoladeequitacao.blogspot.com.br/

Centro de Equoterapia Texas Ranch – Itapecerica da Serra – SP (11) 4667-9980 www.equoterapiatexasranch.com.br

Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil) – Brasília – DF  (61) 468-7092 www.equoterapia.org.br

Centro Integrado de Equoterapia (CIE) – São Paulo – SP  (11) 5506-0611 ramal 126/ (11) 6967-5133  www.ciequoterapia.com.br

Centro de Equoterapia da Escola de Equitação do Exército – RJ  (21) 2457-4791  www.eseqex.ensino.eb.br

Fonte: Blog Fabricio Lima

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