Confira as entrevistas dos dois candidatos à presidência da FPH. São eles, Eduardo Caldeira e Arthur Caruso Jr.
Fonte: FPH

São dois os candidatos à presidência da Federação Paulista de Hipismo para o biênio 2009/2010: o economista Eduardo Pires do Rio Caldeira, 52, e o advogado Arthur Caruso Junior, 66, ambos sócios da Sociedade Hípica Paulista.

A escolha do sucessor de Francisco José Mari, o Kiko, atual presidente da FPH, ex-presidente e sócio Clube Hípico de Santo Amaro, está agendada para 13 de janeiro, processo em que a votação cabe aos presidentes de entidades filiadas à FPH.

Visando apresentar um breve perfil dos candidatos, suas idéias e metas à comunidade hípica, o site da FPH elaborou um mesmo questionário para ambos.

Eduardo Pires do Rio Caldeira, candidato à presidência da FPH, com a palavra


Eduardo Pires do Rio Caldeira: economista, cavaleiro amador e uma vida dedicada a esporte equestre

FPH: Como e há quanto tempo começou seu envolvimento no hipismo?

Eduardo Pires do Rio Caldeira: Meu envolvimento com cavalos dura ... 52 anos.  Minhas primeiras memórias são de, na fazenda de meu avo materno, estar sempre querendo ficar junto aos cavalos.  Fazia qualquer coisa para poder montar, mesmo morando em São Paulo. Meu pai, que é também um amante dos cavalos, mesmo não tendo praticado hipismo levava a mim e a meus irmãos ao Jockey Club, a exposições de animais na Água Branca (onde com cerca de cinco anos me perdi da família quando fui por minha conta olhar os cavalos) e também às provas na Hípica Paulista  e no Clube Hípico de Santo Amaro.

Em uma destas provas, em 1969, encontramos um primo de meu pai, o Dr. Paulo de Almeida Salles, o Paulito, que praticava adestramento e que levou a mim e a minha irmã Marina para a Escolinha da Hípica Paulista. Assim começou meu envolvimento com o esporte.

Na escolinha, com o Alexandre e o Miranda,  algum tempo com o grande Orlando Facada e depois no salto com o mestre Francisco Moreno Sanchez, querido Chiquinho, que de cavalos tudo sabia e de quem tão bem me recordo.  Recordo também dos meses de dezembro e janeiro daqueles dias, quando o Alfinete, que na época morava na França, vinha ao Brasil e causava um certo alvoroço entre as crianças de então;  ele nos hipnotizava com sua maestria.


Caldeira com Guapuruvu em ação em uma prova de potência no tradicional Torneio Banco Safra no Clube Hípico de Santo Amaro

Tive sorte de ter possuído um grande cavalo, o Guapuruvu. Fui campeão paulista de seniores novos, a categoria de 1,20/1,30 da época, em 1978. Com esse excepcional cavalo, por cinco anos saltei tudo o que podia, além mesmo do que minha habilidade como cavaleiro recomendaria, incluindo alguns grandes prêmios.

Esse animal era mesmo fantástico, o Renatinho Junqueira, então com sete ou oito anos, entrou em provas com ele. O  Ricardo Araújo (Pardal) saltou a categoria mirim e a Maísa Borges foi vice campeã Paulista de amazonas em seu dorso.

FPH: Hoje qual a sua ligação com o esporte?

Caldeira: Fora os anos em que morei no exterior (82/88), em que me tornei um expectador apenas, nunca me afastei do esporte. Sou conselheiro da Hípica Paulista, diretor secretário da FPH e assessor da presidência da CBH. Frequento o clube diariamente, assisto provas. Eu sei que para alguns isto é um problema, no fundo para mim também, não tenho montado há algum tempo. Minha última participação no brasileiro de Masters de 2008 não foi das melhores. Em 2005 terminei em quarto lugar o mesmo campeonato.

FPH: O que o levou a se candidatar à presidência da FPH?

Caldeira: Estou há 4 anos na diretoria da FPH. Minha candidatura é o resultado de meu envolvimento crescente com o trabalho da Federação, mas principalmente, fruto do apoio de entidades e amigos.

Tenho o envolvimento de uma vida com o esporte, meus amigos são amantes do cavalo e do esporte, tenho vontade e alguma experiência, conheço os problemas  as virtudes e as contradições  existentes no meio hípico, tenho a disposição de usar meu tempo para o esporte. Por que não concorrer?

FPH: A FPH é maior entidade hípica do país em número de filiados, modalidades e concursos realizados no Estado. A seu ver, quais os pontos fracos e positivos da entidade?

Caldeira: Não vejo pontos fracos, a FPH hoje tem uma situação financeira equilibrada, mérito total da capacidade do Kiko Mari que, aliás, era meu candidato. Temos algumas deficiências na informática que estão sendo já atendidas pela atual diretoria, mas essencialmente  o que a FPH tem são muitos pontos fortes.

Os clubes associados possuem uma estrutura invejável quaisquer sejam os parâmetros considerados, em qualquer  centro equestre no globo, cavaleiros e amazonas do mais alto nível diversidade de modalidades e muito espaço para crescer, ou seja, uma total possibilidade de superar  as deficiências.

FPH: Quais as suas metas para a gestão frente à FPH?

Caldeira: Minha principal meta é a mais difícil de ser atingida nas circunstâncias de hoje: buscar novos financiamentos. Acredito que possamos obter patrocínios menores, para eventos específicos, e usar esse financiamento – governamental ou da iniciativa privada - especificamente para cobrir custos que hoje são cobertos pelas inscrições, ou seja, pelos cavaleiros.

Pretendo apoiar muito a Equitação Fundamental, expandir com a maior rapidez  os cursos do FEI Coach nas escolas. Este é um programa fantástico que pretende ensinar a ensinar. O Brasil já tem o Marcello Artiaga que pode ministrar este curso, acho que podemos formar um grande número de turmas em São Paulo.

O  presidente da CBH,  o Betão (Luis Roberto Giugni), discutiu na Assembléia da FEI no mês passado a possibilidade de adaptar este programa às necessidades específicas do Brasil e obteve apoio. A FPH e a CBH juntas podem e devem ser as principais incentivadoras da base do esporte.

Pretendo também fazer com que o interior do estado com sua grande atividade equestre e potencial maior ainda possam efetivamente  sentir  a presença da FPH. Temos hoje Campinas como um centro eqüestre, liderados pela Sociedade Hípica de Campinas  e pude acompanhar  o grande impulso que este clube, do qual sou sócio, e com seu departamento hípico liderado pelo Plínio teve nos últimos anos. Ribeirão Preto e sua hípica capitaneada pela dupla Luciano/Shaady teve uma recuperação incrível, está se firmando como um centro de Concurso Completo de Equitação e temos visto novos valores locais  se destacarem.

São bons resultados, mas acho que podemos fazer muito mais se pudermos ter o eixo de atuação da FPH deslocado para o interior.

Metas, no entanto, não podem ser individuais na Federação. A função do dirigente é de ouvir, debater e identificar problemas, propor e executar ações em busca de soluções. Para tanto, precisamos estar abertos a sugestões, tolerantes a críticas e dispostos a atuar.

FPH. Como pretende atuar na captação de patrocínios e recursos para o desenvolvimento do esporte no Estado?

Caldeira: No menor espaço de tempo possível precisamos criar uma apresentação do hipismo como meio de divulgação de marcas produtos e serviços, devemos ser a mídia ideal para cada cliente específico. A hora e a conjuntura são favoráveis para o esporte. O hipismo tem uma plasticidade, uma elegância e uma presença inigualável por qualquer outro esporte que é a do cavalo.

Se pudermos apresentar de maneira profissional a oportunidade de investimento no hipismo e seu retorno, teremos sucesso. Tenho acompanhado esforços sendo feitos ainda sem resultado, mas quando observo os resultados obtidos pela Associação Brasileira de Criadores do Puro Sangue Lusitano e pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo de Hipismo, fico certo que muito pode ser feito.

FPH: Gostaria de comentar algum ponto em especial?

Caldeira: Gostaria de ressaltar que o Dr. Arthur Caruso é um companheiro de clube, tanto como eu, um amante do esporte e dos cavalos e que em muito concordamos, portanto tenho a certeza que o resultado desta eleição será de dois anos de sucesso para a FPH.

FPH: Por favor deixe uma mensagem para a comunidade hípica.

Caldeira: Para aqueles que como eu têm no cavalo e no hipismo uma fonte inesgotável de alegria, vamos juntos garantir que esse esporte cresça e continue sempre como parte de nossa vida.



Arthur Caruso Junior, candidato à presidência da FPH, com a palavra 
 
 


Arthur Caruso Junior, advogado, cavaleiro amador e titular do Haras Buona Fortuna

FPH: Como e há quanto tempo começou seu envolvimento no hipismo?

Arthur Caruso Junior: Sempre gostei de cavalo, desde criança. Quem me incentivou muito foi meu pai. Ele gostava de levar a gente para aquelas estações de águas e lá a gente montava. E o cavalo sempre foi muito importante e presente em toda a minha infância.

Montei bastante nessa época. Um pouco mais tarde, na juventude, passei a montar na Sociedade Hípica Paulista, mais ou menos dos 16 até os 26, 27 anos. Depois os compromissos profissionais me impediram de conciliar e me concentrar no esporte como deveria fazê-lo, já que o hipismo exige essa dedicação para quem é apaixonado. Nesse período, por cerca de 15 anos, acabei me afastando um pouco, mas o cavalo sempre esteve presente.

Mais tarde, lá pelos anos 80, eu voltei para a equitação. Desde 94, participo ativamente de todos os concursos hípicos. Criei alguns cavalos interessantes e como proprietário tive a felicidade de ter dois animais importantes: a Etna Naná e a Princess Brenda, que sempre me deram muito estímulo.

Nesse último campeonato de cavalos novos (6 anos) assisti a Princess Emily do Buona Fortuna, na sela de sua proprietária Gabriela Placco Dal`AVa, exibir a excelente performance de nosso criatório. 

Grandes cavaleiros como Alfinete, Neco, Coronel Renyldo, Gianni Samaya, Roberto Joppert, Lucia Faria, Alegria Simões e tantos outros, que foram as grandes expressões do hipismo brasileiro na minha juventude, indiscutivelmente tiveram grande influência nessa minha paixão.

FPH: Hoje qual a sua ligação com o esporte?

Caruso Junior: Eu construí e administro o Haras Buona Fortuna. Tenho muito orgulho dessa obra. Estou muito envolvido no desenvolvimento de uma escola de equitação no Haras. Algo com conteúdo programático, como as grandes escolas de equitação européias. Tenho criado alguns cavalos.

É verdade que em proporção muito pequena. Estou me esforçando para obter produtos de alta qualidade. Nas competições já se vê a marca Buona Fortuna. A Princess Emilye (Emillion com Princess Brenda) é exemplo disso. Sou proprietário da Princess Brenda, que na sela do Bartolomeu Bueno de Miranda é uma das grandes expressões do hipismo nacional e já me deu muitas alegrias ganhando diversos derbys.

FPH: O que o levou a candidatar à presidência da FPH?

Caruso Junior: As coisas têm o momento certo para acontecer e acho que, neste caso, é agora. Estou com muita vontade. O hipismo me deu muita coisa, muitos amigos, muita experiência. Quero devolver pelo menos um pouco do que ele já me proporcionou.

Sempre fui um apaixonado pelos cavalos. E só o cavaleiro sabe o significado dessa parceria homem-cavalo, a maneira que você se integra com o animal. Quando você fala em conjunto, significa que você sente todas as reações do cavalo. O seu organismo percebe tudo o que está acontecendo.


Arthur Caruso Junior em ação com Buona Fortuna Saron no Campeonato Paulista de Masters 2008

Às vezes, um cavaleiro super experiente sobe no seu cavalo e não consegue identificar um probleminha que ele tem, enquanto você, que está acostumado com ele, que o entende, acaba percebendo. Então o hipismo me deu toda essa sensibilidade. Agora acho que estou em um momento da vida que tenho muita vontade de retribuir tudo isso e passar a esse esporte, através da Federação, toda essa experiência que eu adquiri.

FPH: A FPH é maior entidade hípica do país em número de filiados, modalidades e concursos realizados no Estado. A seu ver, quais os pontos fracos e positivos da entidade?

Caruso Junior: São muitos os pontos positivos da FPH. Nesta última gestão houve um grande e silencioso trabalho de reestruturação. O Kiko Mari fez um excelente trabalho. Recuperou o caixa da federação. Foram realizados inúmeros concursos e nossos cavaleiros representaram as cores da federação em competições nacionais e internacionais, sempre se destacando. Existe um trabalho para o desenvolvimento da equitação fundamental e um incentivo às categorias de base.

Tudo isso é muito importante para o futuro do hipismo. O site da federação é uma realidade que funciona bem. Não vejo pontos fracos. É tudo um trabalho muito difícil. A diretoria é composta por voluntários que se dedicam com muito empenho. É claro que esse trabalho pode ser incrementado e perseguir metas mais ambiciosas. É uma questão de estilo.

Vejo o poder na federação muito concentrado. O estado de São Paulo é muito grande. No interior existem infinitos centros hípicos, que estão alheios à federação. Vamos tentar descentralizar. Quero dividir o comando com o interior. O vice-presidente Plínio Soares Junior comandará essa descentralização e vamos tentar regionalizar o hipismo, levando a federação para centros mais distantes. Outro ponto importante é desenvolver um planejamento, com metas a serem alcançadas. Vou lançar um programa e quero ser cobrado pela realização desses objetivos.

FPH: Quais as suas metas para a gestão frente à FPH?

Caruso Junior: Minhas principais metas serão a descentralização e o desenvolvimento de uma equitação fundamental, com escolas bem preparadas, com conteúdo programático e professores treinados. Pretendo dar grande apoio aos instrutores, habilitando, num primeiro momento, todos os profissionais que se inscreverem, para, numa segunda etapa, apenas habilitar os que freqüentarem os cursos de formação que criaremos na federação. Entendo que a FPH tem por meta principal agir como órgão normatizador e fiscalizador. No entanto, não é apenas isso que pretendo.

Com a ajuda de profissionais especializados vou interagir com toda a comunidade equestre paulista. Enfim, quero buscar a profissionalização e modernização da FPH.

Pretendo privilegiar aspectos relevantes como incrementar o processo de conquistas nacionais e o reconhecimento de todas as modalidades; fomentar a interiorização do hipismo, apoiando a formação de escritórios regionais da FPH; organizar um circuito estadual; investir na base do esporte em todas as suas modalidades; levar o hipismo para o grande público despertando o interesse da mídia e de patrocinadores; intensificar o relacionamento com a CBH e as outras federações; consolidar os esportes equestres como plataforma para realização de ações de responsabilidade social e de geração de novos negócios. Enfim são tantas as metas a serem alcançadas que vamos precisar da colaboração de toda a comunidade hípica. Estarei sempre aberto às críticas e sugestões.

FPH: Como pretende atuar na captação de patrocínios e recursos para o desenvolvimento do esporte no Estado?

Caruso Junior: Ora, levando avante esse programa, estaremos invertendo a ordem atual. Vamos dar primeiro, para receber depois. Os patrocinadores virão com certeza. O hipismo paulista é uma realidade. É preciso levá-lo para o grande público. Vamos investir para criar ídolos esportivos. Já vi o público leigo em hipismo delirar num desempate no Parque da Água Branca. Isso deve acontecer com mais frequência. Quero criar um circuito paulista, realizando provas concomitantes de diversas categorias, até chegarmos a uma grande final. Assim teremos fidelidade de patrocínio e identificação com as marcas. Tudo deverá ser feito de forma profissional.

FPH: Gostaria de comentar algum ponto em especial?

Caruso Junior: O ponto que, para mim é questão de honra é buscar grande harmonia entre participantes e dirigentes. Colocando os últimos sempre em função e á serviço dos primeiros. Quero aproveitar a Lei de Incentivos fiscais para valorizar os cavaleiros. Não vou prestigiar projetos que favoreçam apenas as entidades. Pretendo ver o dinheiro aplicado na formação de cavaleiros e amazonas, com distribuição de bolsas que ajudem os participantes a melhor se dedicarem ao hipismo. Vou, desde o primeiro dia, estabelecer um fórum para ouvir cavaleiros, amazonas, criadores, tratadores, veterinários, enfim toda a comunidade estará representada na FPH.

FPH: Por favor deixe uma mensagem para a comunidade hípica.

Caruso Junior: Amo esse esporte. Amo os cavalos e amo vocês. Preciso do apoio de todos: cavaleiros, familiares, instrutores, tratadores e de todos os envolvidos no hipismo.







 
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