Por Fora
das Pistas

Notícias

30 de dezembro de 2015

Entrevista com Ricardo Felizzola, presidente do Jockey Club do RS

Como e quando o senhor começou no turfe?

Aos cinco anos de idade me lembro de observar meu avô na tela de uma TV P&B segurando um cavalo. Era o Bento de 1960, coberto na época pela pioneira TV Piratini, vencido pelo Zago que era de propriedade do meu avô. Em seguida me lembro aos 11 anos de visitar com meu avô o Haras Santa Margarida em Santana do Livramento e ali ver o Zago, então como reprodutor. Meu avô me levava ao Cristal, me ensinou a jogar e amar os cavalos. Meu pai sempre frequentou o Jockey Club, mas nunca teve cavalos. Eu comprei o meu primeiro animal em um leilão, com 32 anos, era uma égua chamada Garqueen que venceu somente aos quatro anos de idade no Cristal. Meu primeiro treinador foi o Nilton Pires. O Stud Duplo Ouro foi fundado junto a um parceiro criador e o primeiro animal a correr com a farda foi o Fantasma da Ópera, um filho de HangTen.

Qual foi o seu momento mais marcante no turfe?

Lembro-me de grandes momentos. Mas creio que a vitória da La Garufa no G.P. Turfe Gaúcho de 2002 foi algo inédito, uma história linda e com um animal de exceção. La Garufa mudou a vida de várias pessoas, como égua, atleta e como uma verdadeira chefe de raça, com exemplares que correm principalmente no Uruguai. Ela foi o primeiro exemplar de Spring Halo a competir oficialmente e saiu invicta do Cristal para vencer a Polla de potrancas no Uruguai. Ela realmente marcou muito e ainda me dá alegrias até hoje.

Qual o melhor cavalo que você já teve?

Sem duvida o Mi Centinela, que vai correr o Ramirez com muita chance de vencer. A Rubia de New York, uma filha de Public Purse na La Garufa também era um animal de exceção.

Qual o melhor treinador e o melhor cavalo que já viu correr?

Melhor treinador na minha opinião é o Ivo Valter Pereira, claro que o convívio pode abrir suspeitas sobre a minha opinião, mas o Ivo sabe muito. Quanto ao melhor exemplar que vi correr foi a Treve que quase ganhou três vezes o Arco do Triunfo.
 
Quais as suas expectativas em relação ao GP Turfe Gaúcho em Pelotas?

Esta prova é um evento tradicional no RS e é promovida pelo Jockey Club do Rio Grande do Sul. Nosso clube apoia e sempre vai apoiar a reta. No entanto nossas novas pistas não comportam este tipo de competição principalmente no que tange a se ter trilhos separando os animais em todo o percurso. Reta sem trilho não é reta. Assim nosso plano de longo prazo é a construção de uma cancha reta no Parque de Exposições de Esteio. Ali vai ser nossa cancha reta. Enquanto isto não acontece decidimos promover o turfe na Tablada e obtivemos a parceria do Jockey Club de Pelotas. Será em 600 metros, com trilhos nos dias 27 e 28 de fevereiro. Creio que vai ser um sucesso.
 
Qual a meta para 2016?

No Jockey Club do RS queremos subir apostas e numero de páreos em 20%. Queremos realizar no mínimo mais 4 reuniões em fim de semana além do Bento. Queremos inaugurar a pista externa em Março. Queremos iniciar a construção de 1000 cocheiras novas para inaugurar a nova Vila Hípica em 2017. Queremos repetir o Ladies Day e o Tour de Estrelas com mais público ainda. Queremos iniciar as transmissões de corridas em rádio em Porto Alegre. Queremos implantar a Pedra Cristal em todas as agencias de turfe brasileiras para totalizar em pedra única nossas corridas. Queremos um Bento repleto de animais com rating superior a 110 e internacionais. Queremos implantar o site SUAPOSTA com sucesso e popularizar as apostas em cavalos por ali. Queremos a união definitiva do turfe brasileiro para modernizar o marco legal do turfe no Brasil de forma a gerar mais receita para toda a cadeia produtiva. Queremos um turfe onde os cavalos e os profissionais sejam mais valorizados do que as “personalidades”.

Você é a favor do fenil para animais de idade superior a 5 anos?

O Jockey Club do Rio Grande do Sul permite o Fenil aos 3 anos e meio ( a partir de Janeiro). Portanto sou favorável a isto para um clube como o nosso. Nosso clube hoje em dia não é mais rico ou mais pobre do que nenhum outro do Brasil. Se observarmos as condições de pista dos JC vamos ver que o Cristal hoje proporciona aos animais um excelente ambiente de treino e competição. A vida útil de um PSI, que vai pagar o investimento do proprietário, não pode ser apenas até o momento da primeira dor. Não estamos mais nos anos cinquenta e não somos ricos para estar defendendo purismos que os americanos já desprezaram ha horas criando um turfe economicamente viável. Portanto alongar a vida útil de um animal de competição com medicamentos devidamente controlados e regulamentados faz parte de um maior retorno da cadeia produtiva. Sou favorável.
 
Quanta importância tem o marketing para o turfe nacional?

Pouca gente no Brasil encara o turfe como uma Indústria. Outro dia conversando no Uruguai com o Sr. Javier Cha, Diretor Geral dos Casinos do Estado, organismo que comanda o turfe naquele país, ouvi dele uma explicação completa sobre cadeia produtiva do turfe e das apostas em cavalos e casinos. O modelo Uruguaio é um dos mais modernos do mundo. Ao nosso lado, para ser copiado. No Brasil vivemos em 1950. Elegemos Presidentes de clubes amadores. Assim quebrou Hong Kong, Uruguai e vamos quebrar também… Hong Kong e Uruguai mudaram. Tenho certeza que vamos mudar um dia. Enquanto isto vem a conversa: falta marketing… Para mim falta tudo: gestão, competitividade, noção de cadeia produtiva, educação para o manejo de toda a atividade e responsabilidade econômica. Somos amadores no turfe e ele não é atividade para amadores. Exemplo agora no Tour das Estrelas, o que aprendemos com os jóqueis que vieram, que atuam no mundo profissional do turfe, seus depoimentos, etc… o Brasil precisa mudar nesta área, e não é só uma questão de marketing.

O senhor gostaria de deixar algum recado aos internautas e turfistas de todo Brasil?

Sim, gostaria muito de agradecer a todos pelo crescimento do turfe gaúcho, porque sem turfistas e sem pessoas que amam o turfe, nada disso poderia estar acontecendo, aqui no Sul temos uma expectativa muito grande no crescimento no turfe.  Gostaria de desejar um feliz natal e um feliz ano novo a todos. E agradecer ao site Raia Leve pelo espaço que é dado ao turfe gaúcho. Obrigado a todos!

Fonte: N1, Raia Leve/Leandro Mancuso

  • Compartilhe
  • <