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Foto: ilustração

25 de agosto de 2017

Embrapa conserva material genético de cavalos pantaneiros

No campo experimental da fazenda Nhumirim, mantido pela Embrapa no Pantanal da Nhecolândia (MS), três pesquisadores realizaram a coleta de material genético de garanhões de cavalos pantaneiros, uma das mais importantes raças localmente adaptadas do Brasil.

O objetivo é conservar, no Banco Genético da instituição, a linhagem de diferentes criações para assegurar a manutenção da diversidade da raça, conhecida pela rusticidade de seus animais. Alguns exemplos dessas características são a tolerância a trabalhos longos e intensos no campo sob altas temperaturas e a adaptação dos cascos para o pastejo em áreas alagadas.

De acordo com comunicado da Embrapa, a iniciativa levou três dias e foi realizada pelos pesquisadores Sandra Santos, da Embrapa Pantanal, Alexandre Floriani, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Breno Sampaio, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Floriani coordena o projeto de conservação ec situ – ou seja, por meio de sêmen e embriões – de recursos genéticos animais. No projeto, Santos foi a responsável pela coleta. “Nós fizemos as coletas dos reprodutores do núcleo de conservação do cavalo pantaneiro da Embrapa Pantanal e congelamos”, afirma a pesquisadora.

Preservação do material genético
De acordo com Floriani, foram criopreservadas cerca de 200 palhetas de sêmen de três animais. O número de doses inseminantes obtidas a partir desse material irá variar de acordo com a técnica a ser utilizada no processo, podendo inseminar de 25 até 100 fêmeas.

“Os garanhões têm o sêmen coletado com auxílio de uma fêmea em estro e uma vagina artificial. Após a coleta, o sêmen é analisado e, caso seja aprovado, é diluído em um meio específico, resfriado a 5ºC e congelado em vapor de nitrogênio líquido. Concluído esse processo, as palhetas são mergulhadas em nitrogênio líquido, onde ficam armazenadas até sua utilização”.

O pesquisador descreve, ainda, a interação com a equipe da fazenda durante o trabalho de coleta e criopreservação do sêmen.

“Realizamos um treinamento em coleta de sêmen equino com os funcionários do campo experimental. Essa capacitação permitirá que os animais sejam treinados e condicionados ao procedimento de coleta previamente aos trabalhos de criopreservação. Isso fará com que o sêmen esteja com melhor qualidade para o congelamento e aumentará o rendimento de doses congeladas, uma vez que os garanhões estarão adaptados”.

Por que conservar a genética?

A importância da conservação desse material foi destacada pelo professor Sampaio.

“O cavalo pantaneiro é um animal adaptado a um ambiente inóspito e é essencial para a economia do Mato Grosso do Sul, auxiliando na lida do gado na região do Pantanal. Dessa forma, é muito importante mantermos um banco genético visando a preservação dessas características desenvolvidas pela seleção natural e que permitem a sobrevivência desses equinos nessa região”. O Banco Genético da Embrapa possui, hoje, cerca de 85 mil amostras de sêmen de diferentes espécies, 450 embriões e 12 mil amostras de DNA e tecidos criopreservados a uma temperatura de -196ºC em sua seção de Recursos Genéticos Animais.

A pesquisadora Santos afirma que a conservação é fundamental para estudos futuros envolvendo a seleção de características genéticas desejáveis nos animais da raça, por exemplo.

“Temos que começar a trabalhar com inseminação artificial para a manutenção desse núcleo. Às vezes, há dificuldade em trocar reprodutores para manter a diversidade. Com isso, podemos manter sêmen de diversos criatórios, com materiais genéticos diferentes”.

Os próximos passos do trabalho envolvem a coleta de material genético de 11 linhagens da raça e a discussão com produtores rurais sobre o estabelecimento de uma central com reprodutores representativos de diferentes grupos.

Fonte; SF Agro

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