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Giulia Scampini e Felipe Amaral; Foto: Luis Ruas|SHP

11 de outubro de 2016

Dois jovens vão em busca do salto perfeito no hipismo

Em uma modalidade que os atletas costumam competir até idade avançada, jovens promissores sonham em furar a fila nessa corrida para representar o Brasil no hipismo dos Jogos de Tóquio, em 2020. É o caso, por exemplo, do cavaleiro Felipe Amaral, que completa 26 anos neste domingo, e da amazona Giulia Scampini, de apenas 19. Ambos competem no Concurso de Salto Internacional e Nacional Longines Indoor, que termina neste domingo na Sociedade Hípica Paulista, em São Paulo.

“Eu vi a seriedade que os atletas se preparam e o projeto que eles fazem desde já. Os Jogos do Rio me motivaram de alguma forma, pois sei que tenho de começar agora para estar em Tóquio em 2020. Claro que é um esporte no qual a experiência conta e quem já tem uma bagagem acaba tendo mais confiança. Por isso, meu projeto tem de ser o de apresentar resultados para mostrar que minha experiência está atingindo um ótimo nível de competição”, diz Giulia.

Ela começou na modalidade por acaso. “Ninguém da minha família gostava ou tinha história no esporte. Comecei aos 6 anos, em passeios em hotéis, mas era uma coisa de carinho pelo animal. Aí descobri o hipismo, escolhi saltos e desde então nunca mais parei. Meus pais acabaram desenvolvendo uma paixão muito grande pela modalidade também”, conta.

Apesar de no hipismo homens e mulheres competirem juntos, existe ainda uma certa cultura machista que aos poucos está mudando. Antigamente, dizia-se que o cavaleiro tinha mais condições de corrigir o animal por ter mais força que a mulher. “Vem sendo provado que o que conta mesmo é a relação com o cavalo e a técnica, não a força física. Essa questão do gênero está sendo desconstruída no esporte”, diz Giulia.

Como a longevidade dos atletas no hipismo é longa, também existe um conflito de gerações, pois os competidores mais jovens introduzem ideias novas e quebram paradigmas. “A participação de grandes mulheres no esporte tem ajudado, como a Luciana Diniz, uma brasileira que se naturalizou portuguesa e conquistou um resultado excepcional na Olimpíada do Rio. Tem a francesa Penelope Leprevost e outras estrelas femininas.”

Esse ano, Giulia ingressou na categoria adulta e quer se estabilizar nela primeiramente para depois de um ou dois anos poder competir com chances de ganhar. Ela lembra que existe uma disparidade pequena em relação às competições na Europa, por isso pretende de vez em quando viajar para torneios fora do Brasil. “Quero saltar alguns concursos internacionais para sentir um pouco do nível dos outros competidores.”

Como qualquer outro jovem no esporte de alto rendimento, ela vai mantendo vidas paralelas enquanto pode. Faz faculdade de direito na GV, em período integral, namora, sai com os amigos, e também tem rotina pesada na hípica. “Para esse nível de competição, minha preparação está sendo revista. É muito importante ter o foco no esporte e a relação com o cavalo precisa ser sólida. É preciso treinamento, muito dedicação, e acho que isso vai exigir mais do meu tempo do que pessoas ocupadas podem ter. Eu tento conciliar, mas vou ter de abrir mão de alguma coisa na vida. Todo atleta tem de se doar de coração”, entende.

DNA

Outro talento nacional, Felipe vem de família que tem forte relação com os cavalos há muito tempo. “Desde o meu bisavô. Sou da quarta geração da família e comecei a praticar com 6 anos, no Rio”, disse o rapaz, que foi reserva da equipe brasileira de saltos nos Jogos do Rio. “Isso me motivou ainda mais e me deu força para continuar por mais quatro anos.”

Ele é radicado na Europa e compete para chegar longe na modalidade. Sempre que pode, acompanha os concursos no Brasil e espera que seu cavalo evolua para se dar bem na Olimpíada de Tóquio, daqui a quatro anos. Para Felipe e Giulia, a contagem regressiva para 2020 já começou.

Fonte: O Estado de S. Paulo/ Paulo Favero,

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