Por Fora
das Pistas

Notícias

Doda de Miranda, do Brasil com seu cavalo, Cornetto - TONY GENTILE / REUTERS

16 de fevereiro de 2017

Doda briga na justiça com Athina Onassis para recuperar cavalos

Um divórcio litigioso tem impedido um dos mais experientes e vitoriosos cavaleiros do Brasil, Doda Miranda, de voltar às grandes competições de salto e iniciar mais um ciclo olímpico. Desde o fim dos Jogos do Rio-2016, no qual a equipe brasileira terminou em quinto lugar, ele não tem mais acesso aos seus cavalos. A ex-mulher Athina Onassis, única herdeira do bilionário grego Aristóteles Onassis, tirou os animais do cavaleiro. Incluindo Cornetto K, com o qual ele competiu em Deodoro e ficou em nono no individual.

Ao todo, Doda era proprietário de oito cavalos pertencentes à empresa AD Sport Horse, da Holanda, da qual é diretor geral. Athina também tem uma parte na sociedade de forma indireta. Porém, logo após os Jogos Olímpicos, ao voltar à Europa, depois do período de quarentena, o passaporte de Cornetto K ficou retido no aeroporto e o nome do proprietário foi trocado, sem a assinatura de Doda. O caso foi parar na justiça belga, que deu ganho de causa, inicialmente, ao brasileiro. Porém, Athina não respeitou. Desde então, Doda só participou de um torneio em São Paulo, em outubro do ano passado, com dois cavalos de outros proprietários.

— Todos os cavalos estavam no meu nome e da empresa que sou diretor. Estou pedindo restituição. Não estou competindo desde a Olimpíada, perdi varias posições no ranking… Tudo o que é meu está preso dentro da empresa e não posso entrar. Ela toma decisões da vida dela mesmo acima da decisão judicial — conta Doda, que busca resolver a situação litigiosa no Brasil, onde aconteceu o casamento com Athina, em 2005.

Dos oito cavalos, um já foi vendido. Cornetto K vem sendo usado pelo italiano Alberto Zorbi desde o mês passado. Doda argumenta que o garanhão, que ele montou em competições por nove meses, tem um temperamento muito difícil.

— Não entendi porque ela fez isso. Ela nunca conseguiu montar o Cornetto, é um cavalo muito difícil. O Zorbi é bom cavaleiro, mas não é o cavalo ideal — diz o brasileiro.

A assessoria de imprensa de Athina Onassis informou que ela não vai se pronunciar sobre o assunto.

FILHA TAMBÉM FICA SEM CAVALO

Além de impedir Doda de montar os cavalos, os seguranças de Athina não deixaram a filha do cavaleiro, Viviane, ter contato com os animais que ela monta no centro de treinamento em Valkenswaard, na Holanda. A adolescente, de 16 anos, que perdeu a mãe aos 11, foi praticamente criada pelo casal na Europa.

— A Vivi tem três cavalos lá, e estão bloqueados há quatro meses — acrescenta.

O fim do casamento e, principalmente, Viviane foram os motivos do retorno de Doda ao Brasil, que volta a ter base em São Paulo depois de 14 anos na Europa.

— Por estar morando desde pequena lá, minha filha perdeu contato com a família brasileira — explica o cavaleiro, que se divide entre a briga judicial e clínicas de hipismo no país. —Minhas medalhas foram com um cavalo brasileiro, o Aspen. A produção brasileira está muito bem e posso encontrar um bom cavalo aqui.

TÓQUIO-2020 SEGUE COMO META

A mudança e a perda dos cavalos não abalam o cavaleiro, que, aos 44 anos, já traçou o próximo objetivo: os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Ele não considera que o imbróglio judicial, que o deixou fora das competições recentes, atrapalhe seus planos. A temporada atual não tem grandes torneios.

— É um ano de menos pressão, sem objetivo muito importante. A maior pressão é um bom cavalo para chamar atenção dos dirigentes e fazer parte da seleção. É um ano de mais liberdade para escolher o animal — explica. —Já tive convites de alguns proprietários, mas não posso pegar qualquer cavalo só para não ficar sem montar. Tenho que manter meu critério de seleção bastante apurado. A matéria prima tem de ser de primeira linha, e quero decidir isso com calma.

Apesar de se fixar no Brasil, o cavaleiro continuará fazendo parte do circuito internacional na temporada do ano que vem:

— Meu objetivo é chegar até dezembro com um grupo de três, quatro cavalos à disposição da CBH. Pretendo fazer o circuito da Flórida que faço há quatro anos. Passar dois meses lá, e, no verão, ir para Europa.

Entre os planos do cavaleiro está encerrar um polêmico assunto: a troca de farpas pública com o campeão olímpico Rodrigo Pessoa, que não aceitou ser reserva da equipe brasileira de salto nos Jogos do Rio. À época, Pessoa criticou o então técnico George Morris por mantê-lo fora do grupo principal e deixou no ar que o Brasil poderia ter ido mais longe que o quinto lugar. Após a prova final, Doda alfinetou: “Ele não fez falta. Ele passaria vergonha aqui, e não merece isso”.

— Foi uma besteira que aconteceu, tinha meus motivos, mas não tinha direito de falar o que falei. Já me desculpei publicamente pelo que falei, mas ele também não tinha o direito de falar aquilo. O quinto lugar foi muito bom para a história do esporte, mas mas para a gente não foi.Queremos medalha sempre, mas estar entre os cinco é um grande feito — afirma o cavaleiro, que, desde então, não falou mais com Pessoa. — Não falei mais com ele, mas é questão de encontrar e zerar o assunto, que não dá para resolver por telefone. Temos que nos sentar como dois adultos e poder deixar isso para trás. E que sirva de motivação para levarmos o Brasil a medalhas novamente.

Fonte: O Globo

Veja a matéria original aqui.

  • Compartilhe
  • <