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Foto: Reprodução / ruralbook

10 de Maio de 2018

Divulgação pode ajudar hipismo na Bahia, diz diretor da FHB

Tricampeão brasileiro de concurso completo de equitação (CCE), medalha de bronze no individual e ouro por equipe nos Jogos Pan-Americanos da Argentina em 1995.

O paulista André Luis Giovanini reside na Bahia há 13 anos. Aqui, além de cavaleiro, também montou uma escola hípica em Lauro de Freitas, onde ensina crianças a partir de dois anos de idade a praticar o esporte. O atleta, que fez parte da equipe brasileira na Olimpíada de Atlanta em 1996, é também diretor técnico da Federação Hípica da Bahia (FHB).

O seu papel é incentivar o esporte no estado. “É um cenário muito importante. Temos vários campeões brasileiros, atletas que participaram de grandes campeonatos. Temos muita força no Norte e Nordeste, e no Brasil também”. Parte deste trabalho de incentivo é de atrair competições. E segundo Giovanini, a realização da 2ª Etapa do Circuito Guabi Norte e Nordeste no município de Lauro de Freitas, nos dias 4 e 5 de maio, mostram a força do estado neste esporte.

“Temos seis etapas durante o ano, e duas são na Bahia. Daí você vê a importância que a Bahia tem nesse circuito. O nosso estado é um cenário muito importante”, avalia. André bateu um papo com o Bahia Notícias, explicou como funcionam as competições no hipismo, rechaça a fama de “esporte de milionário” e também aponta falta de divulgação como o principal fator para o esporte hípico não ser tão praticado. “As mídias dão muito espaço ao futebol, que é nosso esporte número um no Brasil, e deixam os outros esportes de lado”.

Como funcionam as competições do hipismo?
Nas competições, a gente tem um percurso pré-determinado do amador, em que se tem um tempo concedido para cumprir esse percurso. Existem alguns tipos de provas: contra o cronômetro, que é quem faz o menor tempo de prova e o menor número de faltas; ou uma prova de desempate, que o competidor tem o tempo pré-determinado e depois ele volta com o tempo reduzido e contra o cronômetro. Normalmente, primeiro é o número de faltas, e depois é o tempo que é decisivo. A primeira decisão é sempre o menor número de faltas.

Para praticar o esporte hoje, se gasta muito? Quanto é mais ou menos para manter um cavalo?

Depende. Se for praticar o esporte para lazer, como qualquer outro esporte, você tem um custo não muito alto. Em alto nível, aí você vai formar uma equipe, especializar com veterinários, treinador, despesas de viagens… Depende do nível que você for competir. Dependendo do nível que você for competir, pode se tornar um esporte caro. Isso é meio que uma propaganda contra a gente. Evito até falar em números, porque começam a falar: “Esporte de milionário”, e não é tudo isso. Também não é um esporte muito acessível.

O atleta precisa apenas de um cavalo ou é necessário mais de um?
É uma opção do nível que se quer competir. Se o atleta vai tentar um nível Sul-americano, ranking brasileiro… O cavalo, como é um atleta, pode sofrer lesões, ficar fora de competições, e não conseguir cumprir o calendário determinado do cavaleiro ou da amazona. Ele tendo mais de uma opção é sempre bem-vindo. Quanto mais opções você tiver, mais fácil. Você pode escolher poupar o animal, fazer um calendário para um, e outro calendário para outro animal. “Eu tenho duas provas em sequência, não quero colocar o meu cavalo para competir nessas duas. Então coloco um animal em uma, e outro na outra”.

Como funciona a escolha do cavalo? A raça varia para o tipo de competição?
Tem essa variação. Cada cavalo tem uma característica, cada prova tem uma característica… Então você pode escolher o melhor cavalo para cada oportunidade.

Tem algum período que o cavalo começa a não conseguir competir como antes?
É uma coisa bem particular de cada indivíduo. Os cavalos têm uma vida média de 12 anos no esporte. Começam aos quatro anos e vão aos 16, 17, 18… Depende do indivíduo e de como você usa. Se você pega um cavalo e usa ele muito, pra todas as competições, a “vida útil” é menor. Se você cuida bem dele, usa com consciência, terá uma “vida útil” maior. É como no futebol, você poupa alguns jogadores em determinadas competições e isso faz com que ele possa prolongar o seu desempenho durante a temporada.

Por que o Hipismo não é tão praticado na Bahia? É a cultura de o futebol ser mais forte, ou entra também a questão de ser um esporte muito caro?
Eu acho que é um esporte muito pouco divulgado. A divulgação é pouco usada pelo pessoal do hipismo. É um esporte nobre, que ensina, como todos, disciplina, que necessita muita dedicação. É um convívio com a natureza, com o animal. Hoje as crianças estão muito ligadas com tecnologias e não têm mais tempo para ter o contato com a natureza. A maior falha que vejo hoje é a divulgação. As mídias dão muito espaço ao futebol, que é nosso esporte número um no Brasil, e deixam os outros esportes de lado. Outro problema também é não ter uma grande hípica em Salvador, sendo que 70% do pessoal que vem aqui para Lauro de Freitas vem de Salvador. E a cidade tem potencial para ter grandes cavaleiros e amazonas.

Além de atleta, você é diretor técnico da Federação Hípica da Bahia (FHB). Como você passou a exercer essa função e o que você faz na entidade?
Estou na Bahia há 13 anos como cavaleiro e proprietário de uma escola de hipismo no Equus Clube do Cavalo, e venho incentivando o esporte no estado. Fui convidado para dar um apoio na parte técnica, usando minha experiência, e estamos desenvolvendo o esporte. Este ano estamos fazendo três etapas nacionais aqui. São dois no Sítio Chuin e um na Academia. O do Sítio Chuin pode ser até uma competição internacional, e eu, como diretor técnico, incentivo essas realizações. Tento trazer essas competições para cá, fazer uma festa bacana, aberta ao público. Quem tiver com vontade de aprender mais sobre o esporte, estamos à disposição para atendê-los. Tanto como Federação, tanto como Academia Baiana de Hipismo.

E exercendo tal função, o que fazer para aumentar a prática aqui na Bahia?
Esse tipo de competição e divulgação é muito importante. Esses eventos são abertos ao publico, e mostrando ao público as pessoas começam a entender e nos procurar.

O governo, através da Sudesb, ajuda de alguma forma?
O governo tem um projeto chamado “Faz Atleta”, que ajuda o esporte. Tem alguns atletas que conseguem atingir os padrões para tentar entrar com o pedido desse projeto, e isso incentiva a prática do esporte.

Nos dias 4 e 5 de maio aconteceu a 2ª Etapa do Circuito Guabi Norte e Nordeste. Qual a importância desse campeonato acontecer na Bahia?
Hoje esse circuito inclui Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Desses estados, temos seis etapas durante o ano, e duas são na Bahia. Daí você vê a importância que a Bahia tem nesse circuito. O nosso estado é um cenário muito importante. Temos vários campeões brasileiros, atletas que participaram de grandes campeonatos. Apesar do esporte não ser muito grande, temos muita força no Norte e Nordeste, e no Brasil também.

Quais são os principais atletas baianos nesse esporte? Algum tem expectativa de disputar a próxima olimpíada?
A gente tem grandes atletas aqui na Bahia, de nível regional e nacional. De nível internacional, você tem que ter competições de maior dificuldade do que a gente oferece no Nordeste. Acho difícil um atleta desse aqui hoje estar com pretensões olímpicas, porque temos muito brasileiros na Europa disputando vagas para o próximo Pan-Americano e a próxima Olimpíada.

Pude perceber que você dá aulas. Essas aulas são para pessoas de que idade? Como funcionam?
Hoje o hipismo baiano oferece aulas lúdicas e individuais, monitoradas por professoras, para crianças a partir de dois anos de idade. Quando o desenvolvimento da criança vai se elevando, a gente passa a realizar competições com maior dificuldade, ensinando muito bem a base do hipismo, com a dedicação, a disciplina, o controle, o contato com o animal. Também temos pessoas que começam com um pouco mais de idade só para se divertir. Temos hoje crianças praticando desde os dois anos de idade, até pessoas com 50.

Existe algum projeto na Bahia pra que crianças carentes possam praticar hipismo?
Hoje não temos esse tipo de projeto.

Qual a expectativa de crescimento do esporte na Bahia?
Tem crescido. Nos últimos dois anos houve uma reação muito grande. Tivemos uma caída muito grande há dois anos por conta da dificuldade econômica, mas a gente vem se mantendo bem e temos uma previsão de crescimento muito boa. Esse ano teremos três concursos muito bons na Bahia, a Federação vem apoiando muito isso, e pode render bons frutos ao esporte baiano.

Fonte: Bahia Notícias

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