O jovem Pedro Muylaert, o Pêpe, venceu a enquete promovida pelo Por Fora das Pistas, "Quem é o mais promissor cavaleiro da nova geração do hipismo brasileiro?".
Com um total de 2.085 votos, Pepê venceu com 50,5% dos votos válidos(*). Em segundo lugar, ficou o talentoso ginete carioca Stephan Barcha (24,1%).
A enquete foi realizada em duas rodadas, cada etapa com quatro candidatos, e os quatro primeiros foram para a Final que encerrou a contagem dos votos em 16/12/2009.
(*) somente é considerado um voto por IP, ou seja, é impossível o mesmo computador (leia-se conexão) votar duas vezes.
Pêpe concedeu entrevista exclusiva ao Por Fora, onde revela toda a sua maturidade e seriedade com o hipismo, fala do apoio da família, dos seus cavalos e dos planos para o futuro. Ahh... e cita com carinho o apoio da namorada Flávia Jamra, assim como da família dela.
Com vocês, Pedro Muylaert...
Nome completo: Pedro Junqueira Muylaert Idade: 23 anos Hobby fora do hipismo: Jogar futebol Filme preferido: Seabiscuit Livro preferido: Bernardinho, transformando suor em ouro Comida preferida: Arroz, feijão, bife e batata frita O que mais gosta de fazer? Saltar concurso O que te deixa de mal humorado? Não ter um resultado bom na prova ... e bem humorado? Ter um resultado bom na prova Passatempo predileto? Ver TV Um homem? Meus dois avôs, meu pai e meu tio (Renato Junqueira) Uma mulher? Minha mãe e minha namorada Um ídolo no esporte? Ayrton Senna ... e no hipismo? Rodrigo Pessoa Qual é o melhor cavaleiro da atualidade em sua opinião? Acho que não tem o melhor e sim os melhores, os quais admiro muito e tento aprender com eles. Alguns destes são: Rodrigo Pessoa, Steve Guerdat, Daniel Deusser, Marcus Ehning e Ludger Beerbaum. Atualmente está namorando? Você pode dizer quem? Sim, uma excelente pessoa e amazona Flávia Jamra.
 Pepê e Flávia (de pink) com os amigos no AOIHS 2009 |
Na ultima entrevista que fizemos com você em fevereiro deste ano, você nos contou que estava cursando o 3º ano de publicidade da FAAP. Como andam os estudos? Está conseguindo conciliar o estudo com os cavalos? Tranquei a faculdade de publicidade exatamente no terceiro ano, porque estava sendo muito difícil conciliar as duas coisas, falta um ano para eu concluir o curso. Mas, se foi possível levar durante três anos, então será possível concluir, só não sei quando terei esse fôlego. Conte um pouco sobre a sua rotina diária de treinos? Monto todos os dias. Segundas-feiras trabalho em torno de seis cavalos novos, entre 4 e 6 anos, no Haras BH em Louveira, interior São Paulo. De terça a sexta, chego na Hipica Paulista as 7:30 h, dou aula e trabalho os cavalos. Paro uma hora para almoçar e a tarde tem mais alunos e cavalos para trabalhar. Os cavalos que vão aos concursos quase não salto, procuro fazer bastante trabalho de plano. Termino o dia por volta das 17:30 h. Quais são os principais cavalos que você está montando na atualidade? Há também cavalos novos de potencial para o futuro? Meu principal cavalo hoje é o Livius, de propriedade do Gilberto e Vera Jamra, pais da minha namorada Flávia, que me dão um apoio enorme!!! Outro que é muito importante para mim e esteve parado nos últimos meses, mas poderei contar com ele o ano que vem é o Vidou, de propriedade da amazona Fiammetta Varoli. Há também no Haras BH uma égua que tem 5 para 6 anos, filha de Baloubet, que eu vejo um potencial enorme nela. Quantos alunos você tem? Tenho seis alunos. Você está trabalhando para algum Haras, Centro Hípico ou algum "proprietário" específico? Hoje trabalho para o André Lara Resende, que além de possuir alguns cavalos na Hipica Paulista, também possui um manège espetacular em Bragança, monto no Haras BH todas as segundas-feiras e, como já disse, monto um cavalo do Gilberto e Vera Jamra que são mais do que proprietários para mim e me apóiam muito. Quais foram os seus principais resultados em 2009? Ganhei o GP do Torneio de Verão e fui segundo lugar no GP Internacional de Porto Alegre com o Haut de Val, que foi um dos cavalos mais importantes da minha vida.
 Pepê e Hault de ValPepe e Hault de Val |
Ganhei também o GP do Clube de Campo São Paulo e fui terceiro lugar na Copa Sitio Chuin.
 Pepê com o seu tordilho Vidou | Você ganhou a enquete do PFDP como o mais promissor cavaleiro da nova geração. Além do seu talento, em sua opinião, quais são as suas outras qualidades como cavaleiro e profissional de hipismo? Acho que o fato de eu fazer esse esporte apenas pelo prazer imenso que tenho em montar e competir... pela adrenalina que eu sinto em uma prova, pela alegria que tenho em vencer, pela frustração e vontade de melhorar que as derrotas me trazem, pelos ensinamentos de vida e pela felicidade que me traz... ilustram bem o profissional de hipismo que eu sou. Qual a influência e participação do seu pai na sua carreira? Ele é o seu técnico? A influência e participação do meu pai (Pepê é filho do carismático Alberto Muylaert, o Mula) na minha carreira é total. Tudo o que eu conquistei até hoje eu devo a ele. Os cavalos que eu tive, as vitórias, a equitação que eu tenho, o cavaleiro que eu sou e tudo mais.
 Pepe e seu pai Alberto Muylaert, o Mula |
Acho que tudo o que ele poderia fazer para me ajudar na carreira... ele fez e faz até hoje! A vida toda ele é mais do que um técnico, ele me ajuda no cavalo e nas provas, mas também em casa... ensinando como enfrentar as grandes dificuldades da profissão, as grandes vitórias e as inúmeras derrotas. Tenho certeza que eu não seria a mesma pessoa, o mesmo cavaleiro que sou hoje... se não fosse o meu pai na minha vida. Quais são os principais objetivos e planos para 2010? Meus planos para 2010 são continuar com os cavalos que estou hoje, buscar melhorá-los e assim obter bons resultados nos concursos. Busco este ano um bom resultado no Campeonato Brasileiro de Sênior Top e conseguir uma vaga para saltar o Athina Onnassis International Horse Show. Você montou durante um período na Europa. Você acha fundamental, que um cavaleiro para se profissionalizar, passe um tempo morando e montando lá? Sem dúvida nenhuma o hipismo na Europa está muito mais avançado do que o nosso no Brasil. Com certeza lá se aprende muito apenas observando o sistema dos cavaleiros, as cocheiras, o trabalho de plano, a maneira de lidar com o animal, etc.
 Pepe "ralando" no trabalho de plano | Acho que a oportunidade de passar um tempo na Europa, morar se for possível e tiver um bom esquema para evoluir, não deve - de maneira nenhuma - ser perdida, pois os melhores cavalos, os melhores cavaleiros, os melhores técnicos, os melhores armadores e os melhores concursos estão lá. Porém, acho que quanto ao talento, o Brasil não deve nada para a Europa. Aqui tem excelentes cavaleiros experientes, excelentes cavaleiros jovens, excelentes concursos com um nível técnico bem elevado, excelentes armadores, etc.
Para mim não é fundamental passar um tempo morando lá para se profissionalizar, mas é fundamental saber o que se passa por lá, o que estão fazendo de novo, saber quem são e observar os melhores cavaleiros, viajar ate lá algumas vezes e assistir alguns concursos, visitar algumas cocheiras, manter contato e aprender com os cavaleiros que competem lá e tentar trazer pelo menos um pouco disso para o Brasil. Isso sim é fundamental. O que você achou do sistema usado pela CBH para pré-selecionar os conjuntos que farão uma gira (2ª etapa da Seletiva) pela Europa em 2010, visando os Jogos Eqüestres de Kentucky? Achei o sistema usado pela CBH muito bom. Penso não ter uma maneira melhor de selecionar os conjuntos para o campeonato mundial. Este sistema permitiu que cavaleiros que atuam no Brasil e no exterior tenham chances iguais de integrar a equipe. Acho que com certeza o Brasil vai para Kentucky com a melhor equipe possível. Quais são as principais dificuldades encontradas no Brasil para o trabalho de um profissional de hipismo? A principal dificuldade encontrada aqui no Brasil é a falta de popularidade e divulgação do hipismo, o que causa uma dificuldade imensa de arrumar proprietários, patrocínios, etc. O hipismo não se desenvolveu completamente aqui e não é muito conhecido e divulgado no país. Além disso, não é absolutamente reconhecido como uma profissão. Lutamos muito aqui para encontrar o apoio necessário para ser um atleta de alto nível e disputar grandes competições. Qual a sua opinião sobre a criação do Clube dos Cavaleiros no Brasil? Eu acho uma ótima idéia!!! Foi uma iniciativa do meu tio Renato Junqueira, um grande cavaleiro e uma pessoa maravilhosa que está lutando para conseguir vencer as dificuldades encontradas por nós profissionais, criando uma ponte que una os cavaleiros do Brasil e a CBH, em busca de uma melhora em todos os pontos fracos do hipismo no país. Como eu disse anteriormente, o Brasil tem muito talento, falta uma série de pontos, dentre eles, uma maior divulgação, que vai ser o objetivo do Clube dos Cavaleiros do Brasil. Torço muito para que dê certo. Fique a vontade para comentar mais alguma coisa. Quero dizer que o Brasil tem inúmeros talentos e que todos aqueles que estavam na enquete comigo - e outros ainda que não estavam - são jovens cavaleiros muito promissores e, com certeza, serão integrantes de futuras equipes do Brasil.
 Pepê com seus pais, após o tradicional banho de rio dos campeões |
Quero também agradecer muito a todos os meus clientes e amigos que torcem por mim e que me apóiam. Ao meu pai, a minha mãe, que sem o apoio dela que é total e fundamental, eu não seria a pessoa que sou hoje e a minha namorada Flávia e sua família que estão sempre prontos a me ajudar a qualquer hora. |