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13 de abril de 2016

Descoberta de Santuário Equestre em Sintra

À saída de Sintra, já na zona de Janas, há um carreiro que sai da estrada principal e que segue sob a sombra das árvores até um portão. Clube Equestre O Paddock, lê-se na placa. Lá dentro vivem dezenas de cavalos num espaço onde é possível ter aulas  – para quem quer aprender a andar a cavalo -, e onde as estrelas do lugar treinam e descansam à espera da próxima competição. Têm tudo aquilo de que precisam, incluindo uma clínica com equipamento digno de atletas de alta competição.

Miguel Rosa e João Rodrigues, tratadores e guardiões deste ‘santuário’, levam-nos a conhecer um espaço onde os donos de qualquer um destes portentosos animais sabe que o pode deixar em segurança, 24 horas por dia, todos os dias.

Conhecemos a Diva, uma égua dócil e já reformada, que aproveita o tempo entre o feno e pequenos passeios, mas também o irrequieto Pap, um dos craques da alta competição, focado na hora de entrar num concurso e um autêntico garoto, que aprecia o mimo dos treinadores, ao ponto de protestar quando não lhe estão a dar a devida atenção.

Cerca de 40 cavalos vivem agora neste lugar, entre animais do Paddock e cavalos que os donos optaram por manter ali, devido às condições do espaço, que já tem uns anos de vida mas que teve novo fulgor nos últimos tempos. A novidade mais recente, porém, dá pelo nome de HidroVet e destaca-se pelo serviço especializado de veterinária.

Um retiro para campeões do universo hípico

Lembra-se de recentemente Cristiano Ronaldo ter dado a conhecer o equipamento topo de gama que usa para a sua recuperação? Ora, a empresa irlandesa que faz essa máquina tem outra área, a CETEquineSpa, e é também a criadora de máquinas que ajudam a reabilitar músculos e a evitar lesões.

Falamos de animais que podem pesar entre 400 e 600 quilos e por isso não estranhamos quando João Rodrigues nos conta que a única vez que decidiu experimentar a máquina só lá aguentou um minuto. As temperaturas variam entre 2 e 6 graus centígrados, a intensidade é elevada e é necessário dessensibilizar o animal, isto é, ensinar-lhe que não tem de se assustar naquele espaço. Assim, além de não se magoar, estes poderosos e musculados animais ganham nova energia.

Ali há cavalos de competição que têm direito ao melhor tratamento possível. No meio, que é relativamente pequeno e implica posses (um animal adulto, saudável, vale facilmente centenas de milhares de euros), o segredo também é a alma do negócio.

Nuno Ferreira, cavaleiro e professor n’O Paddock, conta-nos que este é um dos vários trunfos da HidroVet. Um animal que ali entre vê o seu nome ser preservado, mesmo recebendo tratamento. O que quer dizer que se algum proprietário quiser vender o seu animal, tem a certeza de que ele estará em condições quando for visitado pelo veterinário de um cliente interessado.

O caso parece complexo e não é de estranhar. Além de ser um negócio de milhares de euros, este é também um mundo com uma tradição antiga. Os nomes, por exemplo, são escolhidos em função do ano. Todos os animais que nascem no mesmo ano têm um nome a começar pela mesma letra. E não têm apenas um nome, também o apelido é escolhido em função da linhagem. Os mais conhecedores só precisarão de ouvir o nome de um animal para saber o ano em que nasceu e que é filho de um outro cavalo, também ele campeão.

Um negócio que na realidade é uma grande paixão

A HidroVet é o sonho de João Nascimento e da filha, Carolina Nascimento. É ela que, aos 24 anos e vinda da faculdade onde já dá aulas, nos explica o ‘segredo’ do negócio. Não estranhe se a frase parecer batida: “funcionamos como uma família”. Não estranhe também se lhe dissermos que este grupo de amantes destes majestosos animais faz jus à expressão.

Na nossa visita pelo Paddock tivemos oportunidade de ver estes animais a alimentarem-se, esticamos a mão para uma salgada e áspera lambidela de alguns deles (foi assim que fomos apresentados) e ainda espreitámos um divertido pónei, que costuma dar os seus passeios longe dos ‘primos’ de tamanho maior. Estranhamente, “morrem de medo dele”, conta-nos divertido Miguel Rosa.

Pelo meio, assistimos a uma aula de uma das praticantes – e há crianças que começam nestas lides com 6, 7 anos. Para os mais pequenos, um cavalo “é um ser mágico”, explica-nos Miguel Rosa.

Todas as semanas, revelam-nos, recebem também uma visita de crianças da Cooperativa De Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades (CERCI). Ali, no dorso de animais de grande porte, miúdos que encontram dificuldades no dia-a-dia contam com a companhia da psicóloga que conhecem e da ajuda de um destes animais. O exercício? Trabalhar a autoestima. E não será por acaso, afinal de contas, foram anos de evolução para que seres humanos e cavalos se entendessem tão bem.

A sensação que temos é que essa relação milenar continua a ter muito futuro pela frente. O melhor mesmo, talvez seja espreitar a galeria de imagens que aqui publicamos. Clique na imagem e dê também o seu passeio.

Fonte: Noticias são minutos/Pedro Filipe Pina e Anabela de Sousa Dantas

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