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Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

3 de agosto de 2016

Conheça a história do cavaleiro Elinho, de Santa Catarina

Os cavalos da Sociedade Hípica Catarinense parecem entender exatamente o que Elinho manda. Montado no Jonny Bravo, um dócil brasileiro de hipismo, o atual instrutor de equitação treina cinco amazonas e cavaleiros numa manhã de trabalho. Oeliton Feliciano trem 41 anos e já monta há 26. Mas quem vê esse atleta tão à vontade num ambiente bastante elitizado e sendo adorado pelos bichos e alunos não consegue imaginar que o professor já teve que ferrar muito casco.

O cavaleiro tem uma equipe de 19 atletas, o Elinho Team. Uma de suas alunas de maior destaque é a Gabrielle Berger, campeã sul-americana com o Quite Capitano. Há duas passadas, o time conquistou três vices no Brasileiro de Salto, em Curitiba: a Gabrielle, Marco Antônio Ghizoni e Roberta Gevaerd. No currículo do instrutor, o principal título é de campeão brasileiro sênior de hipismo com o HF Ahorn, um cavalo avaliado em R$ 600 mil.

Com o salário mínimo de hoje, seriam necessários 56 anos para comprar um animal desses. Pois era um salário mínimo que Elinho ganhava na década de 90, quando ajudava a montar os cavalos da Hípica.

O mundo do hipismo chegou por acaso na vida do cavaleiro de origem humilde. Quando tinha 13 anos, a família se mudou de Laguna para Palhoça, onde o pai, Valeci Feliciano, abriu uma fruteira. A mãe, dona Marilda, sempre foi dona de casa. O pequeno comércio ficava ao lado do jóquei clube da cidade.

— Eu sempre gostei de cavalo e comecei a me aproximar nessa ocasião, treinando alguns de corrida. Depois disso, meu pai veio aqui para a Ilha. E por coincidência morar no Saco Grande, perto da Hípica. Na época eu estudava e sempre dava um pulo lá. Comecei a ajudar um ferreiro, a ferrar os cavalos. Ajudava a acalmar o animal para ele fazer a parte de ferrageamento. Depois passei a ser ajudante de tratador, na época eu tinha 15 anos — lembra.

Um passo atrás para um salto maior

Elinho passou a trabalhar meio período como tratador, conciliando com o colégio. Nos finais de semana, saía para disputar corridas em cidades como Itajaí, Joinville e Lages. Recorda que o grande salto na vida começou com uma prova de confraternização da SHC. O cavaleiro cuidava de um cavalo chamado Zurquel. Pulou com ele e ganhou a prova. Na ocasião, havia dois instrutores de equitação que estavam montando uma equipe e convidaram Elinho para participar.

— Lembro que na época eu tinha muito pouco dinheiro e falei pra eles: “olha, vou ter que trabalhar pelo menos mais dois meses de tratador para poder pagar minhas contas e depois eu vou trabalhar com vocês”. Na época eu iria passar a ganhar menos trabalhando com eles, mas na perspectiva de melhorar no esporte. Passei a trabalhar como ajudante na escolinha, até que apareceu um cavalo para eu montar. E aí comecei a fazer cursos, clínicas — conta.

O cavaleiro que trocou as corridas pelos saltos se dedica tanto à provas como as aulas. Atualmente é responsável por 26 cavalos de alunos. O principal aprendiz é o próprio filho, o Pedrinho. Aos 3 anos, a criança fica menor ainda quando monta no cavalo. O menino diz que quer seguir os saltos do pai, mas com certeza terá obstáculos muito menores pela frente.

Fonte: Hora de Santa Catarina – marcus.bruno@horasc.com.br

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