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19 de setembro de 2016

Cuiabano Enzo Varini Très, 15 anos, é promessa no hipismo

Mato Grosso vem ganhando cada vez mais destaque no cenário nacional dos esportes que envolvem equinos, sobretudo, no hipismo, apesar de os atletas não disporem de incentivos financeiros do poder público.

O hipismo do Estado é representando por cavalos de primeira linha, além de promessas do esporte, como no caso do jovem Enzo Varini Très – que chama a atenção de especialistas do ramo pela precisão, elegância e classe na hora de montar e saltar os obstáculos nas competições das quais participa.

O jovem de apenas 15 anos coleciona diversas premiações em seu currículo, como o campeonato mato-grossense, que levou com apenas dez anos de idade. O pequeno cavaleiro monta como gente grande e ainda sente a euforia do último e mais expressivo campeonato que disputou.

A etapa do Circuito Centro-Oeste de hipismo foi realizada entre os dias (02) e (04) de setembro na cidade de Campo Grande (MS) e contou com a presença de cerca de 160 cavaleiros e amazonas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. E no meio desse mar de cavaleiros, Enzo Très trouxe a medalha de bronze, que ganhou na disputa da categoria “1 metro, jovens cavaleiros”.

O atleta confessa ter ficado ansioso meses antes da disputa, querendo que o dia das provas chegasse logo para ver o resultado que poderia ter na competição. “Numa perspectiva geral, foi bem legal porque, além da medalha, a gente pode observar e aprender com cavaleiros de outros Estados, foi positivo pelo aprendizado, pela nova experiência”, avalia.

De acordo com o treinador do Enzo, Charles Benhur, o campeonato disputado na cidade morena foi positivo porque alguns alunos ainda não tinham saído de Cuiabá e também pela possibilidade de traçar parâmetros em relação a cavalos e treinamentos de outros polos do esporte. “O resultado foi muito bom e saímos com a certeza de que não estamos devendo nada, nem em nível de cavalos e nem em qualidade de treinamento para nenhum outro ponto do Brasil”, salienta Charles.

Benhur destaca que o garoto é expoente no esporte juntamente com, pelo menos, outros três alunos que treina. O treinador explica também que Enzo teve dificuldades nos últimos anos pois estava com um animal novo e com pouco treinamento, mas que superou as adversidades e agora tem tudo para mostrar seu verdadeiro potencial com a maturidade dos animais. “O Enzo é um menino muito dedicado, muito bom cavaleiro. ele é um cavaleiro muito compenetrado e, acima de tudo, muito competitivo”, salienta o treinador.

O treinador fala com a firmeza de quem tem mais de três décadas de experiência com cavalos e aulas de equitação. Além de professor, Charles foi cavaleiro com experiências internacionais e trabalhou em países como Suíça, Portugal e Espanha. Treinador do Enzo há cinco anos, ele faz um parâmetro do aluno. “Do ponto de vista da região Centro-Oeste pode-se dizer que ele está figurando como um cavaleiro de primeira linha”.

Amor à primeira vista

Os pais de Enzo, Erasmo Carlos Très e Andreia Très vieram do Estado do Paraná ainda jovens e recém-casados, porém o talentoso Enzo é cuiabano de ‘tchapa e cruz’. Erasmo conta que sempre gostou de cavalos e que decidiu fazer aulas de hipismo após assistir a uma cavalhada na cidade de Capada dos Guimarães, a 64 km de Cuiabá. Bastou um convite para o garoto, com sete anos na época, aceitar de bate pronto. E lá foram pai e filho se entregarem de corpo, paixão e alma ao esporte logo nas primeiras aulas.

“Marquei uma aula e convidei o Enzo pra ir junto. Ele tinha sete anos quando começou a treinar e já na primeira prova ele pontuou. O Enzo tem a capacidade de montar cavalos que seriam difíceis até para adultos, ele se adapta muito rápido. Qualquer especialista que o vê montando sabe que ele é diferenciado” explica o pai.

A mãe, Andreia Très, também é parte integrante dessa história. Sempre com a câmera nas mãos, ela fica na torcida pelo filho e marido, nas provas. “Eu sofro duplamente, fico com muito medo pelos dois. Fico ansiosa, a mão treme e fico nervosíssima”, conta a mãe com os olhos no horizonte, como se imaginasse os familiares saltando os obstáculos com o cavalo.

Segundo ela, essa aflição a acompanha desde que eles começaram a praticar, mas que comemora sem perceber quando os resultados positivos aparecem. “Fico com essa aflição principalmente quando é prova, que é quando rola toda aquela tensão, mas quando vem os resultados eu grito, pulo, comemoro sem perceber, é muito bom”.

Há sempre quem diga que opinião de mãe não conta, mas no caso do jovem cavaleiro, os elogios valem porque não partem apenas dela. “Ele é muito dedicado nas aulas, pessoas de outras hípicas que observam, só elogiam. Isso porque nada tira sua concentração quando entra na pista. Ele estuda o dia todo e vai treinar lá pelas 18h e 19h, ele faz porque gosta, porque tem dedicação”, explana Andreia.

Os pais confessaram durante um bate papo descontraído com a reportagem do Cicuito Mato Grosso, que sabem que o filho é novo e está em uma fase de decisões a serem tomadas. Nesse sentido, eles explicam que são abertos às eventuais escolhas que o garoto decida fazer para sua carreira.

“Apesar de ele estar no esporte desde pequeno, nós somos abertos em relação às escolhas dele se ele quiser mudar de ramo, pois ele está em uma fase de decisões, está terminando o segundo grau agora e daqui a pouco já vai para a faculdade”, explica Erasmo Très.

Já Enzo, segue o dilema da escolha de uma carreira, como muitos jovens nessa idade. Segundo ele, pensou em fazer veterinária inicialmente por conta da paixão pelos animais, conta também ter tido interesse no curso de direito, mas que agora analisa as possibilidades de uma carreira que evolve outra paixão, o mundo dos textos. Segundo os pais, o garoto lê de 30 a 40 livros por ano e ganhou até concurso de poemas na escola em que estuda.

“Um curso que tem chamado bastante a minha atenção recentemente, pois envolve textos, comunicação, um pouco de literatura e tudo que acontece no mundo, é o curso de jornalismo. Ainda não decidi se continuo no esporte, mas se continuar vou me dedicar exclusivamente a isso. Caso contrário, vou continuar no hipismo e nas aulas por lazer e prazer”, esclarece o jovem.

Desenvolvimento do esporte

Além de pai, companheiro e incentivador do filho, Erasmo Très também tem no hipismo a sua paixão. Ele conta que iniciativas públicas praticamente inexistem, ainda que o esporte esteja em franco crescimento e levando o nome de Cuiabá e do Estado ao nível nacional. O pai explica que em viagens como a de Campo Grande, são gastos de R$ 5 a R$ 10 mil.

“A parte do investimento é triste aqui no Estado. O hipismo vem dando resultado para Mato Grosso e a gente não tem nenhum apoio. Todas as pistas em que montamos são pistas particulares, os animais são particulares e não existe nenhum patrocínio”, relata Erasmo.

Segundo Erasmo, as despesas são dobradas por conta dos animais. “As despesas são muito grandes porque vai à competição o atleta e o animal. Isso proporciona gastos em dobro com transporte e hospedagem. Se houvesse algum subsídio do governo, seria bem interessante e mais atletas e animais poderiam ir às competições”.

Ainda assim, o empresário destaca como a capital mato-grossense está bem em relação a outras regiões do Brasil. “É incrível como Cuiabá está à frente no cenário nacional. Nossos cavalos são muito competitivos, bem treinados e de uma genética fantástica. O Estado foi muito bem representado na etapa da Copa Centro-Oeste, realizada em Campo Grande”, conta.

Charles Benhur, professor do Enzo, explica que o hipismo está em expansão no Estado e destaca  a criação de animais com melhores genéticas. “Nós já temos uma central de criação, a Lagoa Azul, situada em Chapada dos Guimarães, que vem criando animais de primeira linha, com a melhor genética mundial”.

Segundo ele, a aquisição de alguns desses animais pela equipe irá proporcionar melhores resultados para o Estado. “Com aquisição de novos cavalos pela nossa equipe, Mato Grosso tende a estar pelo menos de quatro a cinco vezes por ano saltando as provas fora do Estado e, com certeza, conseguindo boas classificações”.

Diante de uma vasta experiência no esporte, Charles conta o porquê de o hipismo cativar tantas pessoas. “Acho o hipismo um esporte fantástico porque é o único onde homens e mulheres competem em igualdade, nas olimpíadas não existe uma diferenciação de gênero. A força do homem é minimizada com o jeito da mulher e vice versa”.

Segundo o treinador, esse fator contribui para que as disputas sejam mais acirradas. “Isso faz com que tenhamos melhores disputas, pois homens e mulheres competem em extrema igualdade”.

Segundo especialistas, o hipismo trabalha, sobretudo, a interação entre homem e animal, cavaleiro e cavalo, um completando o outro, o que torna esse esporte ainda mais belo e singular. Assim, evitando os trancos e saltando os barrancos, o hipismo sobrevive no Estado e segue na busca de mais prêmios e reconhecimento.

Fonte: circuitomt

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