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Falta de recursos e êxodo de cavalos diminuiu o número de corridas no Jockey Club de SP

3 de novembro de 2015

Crise financeira no Jockey de SP faz com que haja menos corridas

Falta de recursos e êxodo de cavalos diminuiu o número de corridas no Jockey Club de SP Considerado um dos principais redutos da elite paulistana, onde não é permitido nem mesmo a entrada de visitantes usando bermudas ou camisetas regatas, o Jockey Club de São Paulo atravessa uma crise financeira que já provoca atrasos no pagamento de salários aos funcionários e de prêmios aos donos de cavalos.

A situação tem feito muitos retirarem seus animais dos estábulos do Jockey e já motivou uma ação coletiva movida pelo Sindicato dos Hípicos do Estado no Ministério do Trabalho. Segundo uma funcionária que preferiu não se identificar, os trabalhadores estão sem receber há dois meses.

“O Jockey não está pagando veterinários, atletas, donos de cavalos, ninguém. Chegamos até a fazer uma greve que durou um dia. Só os apostadores não são prejudicados”, conta. Mas ainda que os pagamentos aos apostadores não tenham sido interrompidos, os fãs das corridas também não passaram ilesos à atual situação do clube.

O êxodo de animais do centro de treinamento de Campinas (interior de SP) diminuiu as opções de páreos, o que levou a direção do Jockey a enxugar a agenda de eventos. As corridas nas pistas de areia e grama do clube eram tradicionalmente realizadas aos sábados, domingos e segundas-feiras, com apostas a partir de R$ 3.

Há três meses, no entanto, as provas deixaram de ocorrer aos domingos. De acordo com Eduardo Tadeu Lara, que mantém relações profissionais com o Jockey há três anos, cerca de 250 cavalos foram levados para jóqueis do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e do exterior nos últimos meses.

Lara é proprietário do cavalo batizado de Golpe Baixo, um Puro-sangue inglês de quatro anos de idade que já tem cinco vitórias no currículo. Segundo Lara, o Jockey está devendo a ele cerca de R$ 20 mil em prêmios. “Eu tinha dez cavalos, mas precisei me desfazer de nove deles porque custa R$ 1.500 por mês para manter cada animal lá. Me falaram que a situação [dos pagamentos] ia melhorar, mas isso já vai fazer um ano”, conta.

A falta de recursos fez o clube negociar um de seus terrenos, a Chácara do Jockey, que era o antigo centro de treinamento de cavalos. Situado na Vila Sônia, na zona oeste da capital paulista, o terreno de 143 mil metros quadrados foi cedido à Prefeitura de São Paulo no fim do ano passado para a construção de um parque (prometido para o primeiro semestre de 2016). A oferta da gestão Fernando Haddad (PT) foi de R$ 63,9 milhões, mas a direção do clube não chegará a receber o montante: O valor será descontado da dívida que o Jockey tem com a administração municipal, uma conta que já chegou a superar a casa dos R$ 200 milhões, sendo o maior valor devido de IPTU em toda a cidade.

Segundo o presidente do Sindicato dos Hípicos de SP, Ricardo Mauricio Camargo, além dos salários atrasados, o pagamento do fundo de garantia dos funcionários não é feito há cerca de um ano. “Tem funcionário entrando com pedido de rescisão indireta e deixando o clube. Hoje o Jockey tem cerca de 500 funcionários, mas muita gente já foi embora.”

A assessoria de comunicação do Jockey informou, em nota, que o atual momento do clube “tem raízes no passado” e se deve às dívidas e ao atual momento econômico do País, o que gerou um “grave problema de caixa para a instituição em 2015”. A diretoria do Jockey espera regularizar a situação dos salários atrasados até o fim desta semana. Enquanto o dinheiro não cai na conta, aqueles que dependem das corridas no circuito paulistano fazem planos em busca de novos ares. “Eu só continuo colocando o Golpe Baixo para correr porque ele é um atleta, precisa disso. O animal precisa correr para não perder a performance. O Golpe Baixo está chegando no seu ápice e eu poderia estar ganhando muito mais fora de SP. Eu penso em levar meu cavalo para o Uruguai. Tenho um amigo que já foi pra lá”, afirma Lara.

Fonte: Nicolas Iory – iG São Paulo

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